Dívida do consumidor cresce 70% no prazo de dois anos

Adriana Aguilar      04/03/2015

SPC_Brasil_perfil_financiamentos deixados sem pgto

Pesquisa divulgada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo Portal de Educação Financeira Meu Bolso Feliz, realizada em 27 capitais do País, de 1 e 8 de fevereiro de 2015, mostra que a dívida do brasileiro aumenta, em média, 70% entre o valor inicial e o valor final da dívida no prazo de dois anos, após a cobrança de multas e juros pelos credores. Dentre os consumidores endividados, 89% procuram ou são procurados pelos credores para acordo.

A pesquisa, intitulada de “Panorama da Recuperação de Crédito no Brasil”, traça o perfil do endividado brasileiro. Na média, ele está com o nome sujo há cerca de dois anos. Deve para 3,7 diferentes empresas. Adquiriu essas dívidas por meio do cartão de crédito e de lojas e tem um débito total de R$ 21.676,00 junto às empresas credoras – já embutidas as multas e as taxas cobradas pelo atraso. Esse valor corresponde a 768% da renda familiar mensal de um consumidor entrevistado na pesquisa, de R$ 2.822,00.

Os inadimplentes declararam na pesquisa que, em média, a dívida inicial custava R$ 12.776,00 (comprometimento de 453% da renda média de R$ 2.822). Depois das cobranças monetárias, a dívida passava a custar R$ 21.676,00 (comprometimento de 768% da renda).

Deixar de pagar a fatura do cartão de crédito é a principal razão apontada por 3 em cada 5 entrevistados inadimplentes (61%). Na sequência, foram listados os atrasos nas parcelas de cartões de loja (51%), no pagamento de empréstimos (31%) e nos boletos bancários (37%). Outras razões mencionadas foram os cheques sem fundo (20%), deixar de pagar o cheque especial (18%) e o atraso com parcelas de financiamentos (15%).

São consideradas inadimplentes as pessoas que, atualmente, estão com o nome sujo. Já os ex-inadimplentes ficaram com o “nome sujo” há menos de 5 anos, mas não estão nesta situação no momento.

Em relação ao cartão de crédito, os inadimplentes entrevistados dividiram as compras em uma média de 6,1 vezes e deixaram de pagar 3,6 prestações, atraso equivalente a 59% das parcelas inicialmente acordadas.

Quase a metade dos consumidores inadimplentes e ex-inadimplentes (48%), ouvidos na pesquisa, afirma que a falta de planejamento no orçamento pessoal é principal a razão para não pagar as contas. Outras justificativas citadas são: perda do emprego (28%), diminuição da renda (21%), atraso de salário (17%) e as compras acima do que lhes permitia o orçamento (16%).

Saiba mais:

Metade dos brasileiros deixou de quitar dívidas no prazo e tem restrições no CPF

Quase 25 milhões de trabalhadores estão sem cobertura da Previdência Social

Idosos são maioria entre inadimplentes

Dívida atrasadas aumentam

Protestos, jogos e feriados… Prejuízo para a economia vai ultrapassar os R$ 45,5 bilhões

Brasil tem maior carga tributária entre BRICS

13º salário é usado para o pagamento de dívidas

Aumentam os juros das linhas de crédito para pessoa física

Consumidor ignora taxa e imposto ao usar cartão de crédito

 

 

Metade dos brasileiros deixou de quitar dívidas no prazo e tem restrições no CPF

Adriana Aguilar      15/01/2015

O SPC Brasil estima que aproximadamente 54,5 milhões de consumidores terminaram o ano de 2014 com restrições no CPF por não terem quitado dívidas.

SPC_Brasil_evolução_inadimplência_2014

Segundo os economistas, embora os dados de menor crescimento na comparação anual sejam interpretados aparentemente como números positivos, o crescimento da inadimplência num menor ritmo tem como causa principal a baixa atividade econômica do país e a maior seletividade na concessão de crédito.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, os bancos e os estabelecimentos comerciais passaram a conceder menos crédito, fato que tem como consequência a redução dos riscos de calotes nas compras parceladas. “As vendas de itens essencialmente ligados a crédito, como móveis e eletrodomésticos, veículos e materiais de construção têm apresentado franca desaceleração, desde o início de 2013″, afirma a economista.

 

 

Metade dos idosos do País não tem poupança

Adriana Aguilar      17/10/2014

idosos_sem_poupanca

Cinco em cada dez (57%) entrevistados, com mais de 60 anos, não possuem qualquer tipo reserva financeira ou investimentos, segundo pesquisa encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Foram ouvidas 632 pessoas, com mais de 60 anos, em todas as capitais brasileiras.

Para a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti, esse tipo de reserva é essencial, principalmente, na terceira idade. “É o momento em que a pessoa precisa ter uma boa poupança para lidar com imprevistos de saúde, arcar com despesas de remédios, completar os itens básicos do mês que não puderam ser comprados com a aposentadoria e, claro, aproveitar os prazeres dessa fase da vida”, afirma Kawauti.

A preocupação com os familiares e amigos é um dos principais motivos para os consumidores com mais de 60 anos não conseguirem fazer um pé de meia: quase a metade dos idosos entrevistados (47%) pensa no futuro da família e acaba deixando de fazer coisas que gostaria para manter uma reserva financeira.

“A falta de reserva para os imprevistos é ainda mais comum entre os entrevistados com baixa escolaridade (68%) e os pertencentes à classe D e E (77% das pessoas ouvidas)”, afirma a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Na pesquisa realizada, apesar de 72% dos consumidores com mais de 60 anos declararem ter atualmente uma situação financeira estável, essa tranquilidade parece não ter sido conquistada com uma preparação financeira ao longo dos anos para aproveitar a terceira idade.

Os consumidores da terceira idade garantem que estão no comando de suas ações financeiras e revelam ser independentes para tomar suas próprias decisões: 81% deles afirmam não depender de ninguém para gerir as próprias contas.

Segundo o estudo do SPC, a conquista dessa autonomia não foi acompanhada de um amadurecimento das práticas de Educação Financeira: somente quatro em cada dez (41%) entrevistados com mais de 60 anos dizem saber como calcular os juros de empréstimos. Este percentual aumenta entre os homens (45%), os que têm escolaridade superior (67%) e os que estão nas classes A e B (55%).

As facilidades do Internet Banking também estão longe do público consumidor da terceira idade: apenas 9% afirmam fazer transações bancárias e pagar contas pela web. A maioria gosta de ir pessoalmente ao banco, pagar as contas no balcão e resolver os problemas com o gerente.

As dívidas em atraso, segundo dados do estudo, são uma realidade presente na vida destes consumidores: três em cada dez (32%) já tiveram o nome incluído em serviços de proteção ao crédito somente no último ano. E de acordo com estimativas do SPC Brasil, o número de idosos inadimplentes já chega a 4 milhões de pessoas, o que representa cerca de 25% da população acima de 65 anos.

“A média nacional de crescimento de pessoas inadimplentes nas bases do SPC Brasil atualmente é de 3,8%. Quando consideramos só a população entre 64 e 94 anos, o crescimento é de 7,5%, bem acima da média”, afirma a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

O estudo aponta que a causa mais comum para os idosos terem o nome negativado é ter ajudado pessoas próximas. Dois em cada dez (21%) idosos que tiveram o nome sujo não puderam pagar suas contas, porque emprestaram o nome para financiar compras e pegar empréstimos para amigos e parentes.

A segunda causa mais comum, com 19%, das respostas, é o mau planejamento financeiro, seguido de problemas de saúde (11%), descontrole dos gastos (8%) e de cobranças indevidas (6%).

idoso_mais_inadimplente2

Saiba mais:

Aumenta a inadimplência entre idosos com empréstimos

Sem reservas, idosos sofrem com exaustão financeira

 

 

Idosos são maioria entre inadimplentes

Adriana Aguilar      21/06/2013

O cruzamento da inadimplência no comércio com a faixa etária do consumidor mostra que 25% dos inadimplentes tem mais de 65 anos. Na série histórica, iniciada em janeiro de 2013 até o maio, esse comportamento tem se repetido invariavelmente, segundo medição realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)

Na avaliação da economista do SPC Brasil, Ana Paula Bastos, uma das razões que justificam a tendência dos idosos inadimplentes é a alta despesa como remédios e planos de saúde, além das outros custos rotineiros. “A facilidade que aposentados e pensionistas têm para conseguir empréstimos consignados, aliada ao fraco planejamento financeiro, acaba por comprometer uma parcela significativa da renda destas pessoas. Além disso, o empréstimo de nome para terceiros e a natural redução da renda nessa de idade são agravantes”, afirma Ana Paula.

Segundo dados do SPC e da CNDL, em torno de 50% dos 50,77% consumidores inadimplentes apresentam dívidas com valores acima de R$ 500 entre janeiro e maio de 2013.

O número maior de idosos inadimplentes no Brasil segue uma tendência já verificada nos Estados Unidos. Em maio de 2012, uma pesquisa divulgada pelo Federal Reserve Bank, de Nova York, mostrava que os americanos, na faixa dos 60 anos, eram responsáveis por cerca de US$ 36 bilhões em empréstimos estudantis. Mais de 10% dos empréstimos estavam inadimplentes naquela. Advogados da área de defesa do consumidor afirmam que a área de Segurança Social tem verificado que empresas de cobrança estão assediando idosos, nos seus 80 anos, que contrataram empréstimos estudantis.

Também nos Estados Unidos, uma das maiores agências de aconselhamento de crédito, chamada Clearpoint, sem fins lucrativos, constatou que o número de idosos sem dinheiro estava aumentando, com tendência a piorar. Em 2007, menos de 5% dos consumidores que utilizaram os serviços de aconselhamento de crédito Clearpoint tinham pelo menos 65 anos. No início de 2012, os relatórios da organização mostraram que mais de 13% dos clientes são idosos.

No Brasil, a situação tende a ser agravar no longo prazo. Atualmente, quase metade dos brasileiros, 48% do total, não faz nenhum tipo de contribuição para quando deixar o mercado de trabalho. Apenas 42% recolhem para o INSS, segundo o indicador da Serasa Experian de Educação Financeira do Consumidor, lançado no início de maio de 2013. Os conscientes e precavidos, que além da previdência social também contribuem para planos de previdência privada, somam 5% – outros 2% têm apenas previdência privada e 3% não souberam responder.

Outra pesquisa encomendada ao Ibope pela Serasa Experian sobre os hábitos financeiros de pessoas maiores de 16 anos mostrou que 69% dos brasileiros não poupa, ou seja, dois em cada três brasileiros. As entrevistas foram realizadas no primeiro trimestre de 2013 com 2002 pessoas em 142 cidades de todos os Estados brasileiros e Distrito Federal, incluindo capitais, periferia e interior.

Alguns fatores comportamentais contribuem para afastar o consumidor dos investimentos. Mais de metade (52%) dos entrevistados não sabia (24%) ou não informou corretamente (28%) quanto teriam em uma aplicação financeira, após um ano. Ainda segundo a pesquisa, 35% dos brasileiros sentem mais prazer em gastar imediatamente do que em poupar e 30% dos entrevistados confessam comprar por impulso. Economizar e conseguir desconto no pagamento à vista não está nos planos de 38% dos consultados, que optam pelo parcelamento.

Saiba mais:

Aumenta a inadimplência entre idosos com empréstimos

Sem reservas, idosos sofrem com exaustão financeira

 

 

Presente no Dia dos Namorados chega a ter mais de 70% de impostos

Adriana Aguilar      11/06/2013

Cerca de 70% dos paulistanos que comemoram o Dia dos Namorados com presentes vai gastar, em média, R$ 64,00 na compra de algum produto. A pesquisa foi realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP). Alguns dos itens preferidos das namoradas, como é o caso do perfume e da maquiagem, ambos importados, a carga tributária chega a 78,43% e 69,04%, respectivamente. Mesmo ao optar pelas versões nacionais dos produtos, o percentual ainda é alto: 51,04% do valor da maquiagem e 69,13% do preço do perfume serão revertidos aos cofres públicos, segundo levantamento concluído pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). O Dia dos Namorados é a terceira data mais lucrativa para o comércio, ficando atrás somente do Natal e do Dia das Mães.

Os eletrônicos, opções para agradar os namorados na data, também carregam uma elevada carga tributária: no aparelho de MP3, é de 49,45%. No tablet, os tributos correspondem a 39,12%. No telefone celular, os impostos abrangem 39,80% do valor do produto, segundo dados do IBPT.

A sondagem feita pela Fecomércio em São Paulo mostra os itens de vestuário, calçados e acessórios são a preferência para 38,3% dos consumidores no Dia dos Namorados. Também são os itens mais desejados para 30,7% que serão presenteados. O estudo do IBPT mostra que a carga tributária no valor final da calça jeans corresponde a 38,53%. No casaco de couro, o percentual é de 34,67%. Na bota, a tributação é de 36,17%.

Com a Lei 12.741/12 – conhecida como “De olho no imposto” – desde 10 de junho, qualquer pessoa saberá o valor dos tributos embutidos nos preços de mercadorias e serviços. As lojas do comércio deverão listar nos cupons fiscais o valor aproximado de impostos que incidem sobre mercadorias e serviços, englobando os sete tributos: ICMS, ISS, IPI, IOF, PIS/Pasep, Cofins e Cide, além dos valores referentes ao imposto de importação, PIS/Pasep/Importação e Cofins/Importação. Outra alternativa da nova legislação é detalhar o percentual de tributos em painel afixado em local visível do estabelecimento, ou por qualquer meio eletrônico ou impresso.

Em busca dos melhores preços, sem o risco de endividamento, a sondagem da Fecomércio em São Paulo detectou que a forma declarada de pagamento mais utilizada será à vista (cheque, dinheiro ou débito) para 72,9% dos paulistanos, seguido pelo cartão de crédito (24,8%).

Entre aqueles que não pretendem presentear, 34,4% não o farão por estarem endividados ou sem dinheiro, e 30,2% porque não tem costume de presentear em datas comemorativas. Quando perguntados se prefeririam quitar uma dívida ao invés de presentear o parceiro , 73,2% dos paulistanos optariam por zerar suas contas antes de fazer novas.

A estimativa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) – entidades líderes do comércio varejista, que juntas contam com mais de 800 mil pontos de vendas credenciados em todo país –, é de que as vendas do comércio brasileiro na semana que antecede o Dia dos Namorados aumentem 5% em relação a 2012, quando o setor registrou crescimento de 9,08%.

Na avaliação do presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, haverá um aumento no volume de vendas, o que é positivo, mas não tão robusto quanto o dos anos anteriores. “O consumidor em 2013 está se comportando de maneira diferente. O comércio já consegue sentir a substituição de presentes físicos por serviços. Os presentes mais baratinhos vão ser substituídos por um momento de comemoração em bares, almoços ou jantares em restaurantes, hotéis e motéis. A aposta é o maior crescimento no segmento de serviços”, afirma Pellizzaro Junior. A carga tributária na conta do jantar em um restaurante é de 32,31%, segundo dados do IBPT.

Outros textos:

Impostos cobrados no Brasil equivalem a cinco meses do seu salário

Quanto o brasileiro paga de imposto na compra de cada produto e serviço?

Maioria gostaria de aprender a calcular os juros nas compras a prazo

O peso do cafezinho e da cervejinha no bolso

Estudo mostra a dificuldade dos empreendedores

 

 

|