Metade dos brasileiros deixou de quitar dívidas no prazo e tem restrições no CPF

Adriana Aguilar      15/01/2015

O SPC Brasil estima que aproximadamente 54,5 milhões de consumidores terminaram o ano de 2014 com restrições no CPF por não terem quitado dívidas.

SPC_Brasil_evolução_inadimplência_2014

Segundo os economistas, embora os dados de menor crescimento na comparação anual sejam interpretados aparentemente como números positivos, o crescimento da inadimplência num menor ritmo tem como causa principal a baixa atividade econômica do país e a maior seletividade na concessão de crédito.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, os bancos e os estabelecimentos comerciais passaram a conceder menos crédito, fato que tem como consequência a redução dos riscos de calotes nas compras parceladas. “As vendas de itens essencialmente ligados a crédito, como móveis e eletrodomésticos, veículos e materiais de construção têm apresentado franca desaceleração, desde o início de 2013″, afirma a economista.

 

 

Aumenta a inadimplência entre idosos com empréstimos

Adriana Aguilar      02/05/2012

flickr - daoro

Uma nova pesquisa do Federal Reserve Bank, de Nova York, mostra que os americanos, na faixa dos 60 anos, são responsáveis por cerca de US$ 36 bilhões em empréstimos estudantis. Mais de 10% dos empréstimos estão inadimplentes. Advogados da área de defesa do consumidor afirmam que a área de Segurança Social tem verificado que empresas de cobrança estão assediando idosos, nos seus 80 anos, que contrataram empréstimos estudantis.

O problema – relatado no site The Washington Post – se tornou um conflito no sistema nacional de ensino superior nos Estados Unidos, segundo legisladores, economistas e especialistas financeiros. O benefício do financiamento para estudantes do ensino superior está sendo diluído pela taxa de matrícula crescente e a longevidade dos tomadores da dívida.

Alguns desses americanos mais velhos se encaixam na primeira onda de empréstimos estudantis, enquanto outros tomaram novo financiamento em função do retorno à escola, na esperança de se tornarem mais competitivos no mercado de trabalho. Muitos deles também contrataram empréstimos para filhos ou netos com a sua ajuda-los a pagar o ensino.

A recente recessão agravou o problema, tornando difícil para os americanos mais velhos ou para os jovens, apoiados por eles, a conseguirem empregos bem remunerados. E ao contrário de outros financiamentos, os empréstimos para estudantes não podem ter alto índice de inadimplência. Como resultado, alguns americanos com idade mais avançada se encontram afundado em dívidas após o término do curso superior, em vez da tão esperada carreira próspera.

A permanência da dívida após a conclusão do curso superior, em função do financiamento estudantil, é como um grilhão que pode arrastar a pessoa com mais idade para a sepultura, explica William E. Brewer, presidente da Associação Nacional de Advogados na Área de Falência do Consumidor (National Association of Consumer Bankruptcy Attorneys).

O fato é que muitos pais, nos seus 50 anos, deveriam começar a poupar para a aposentadoria o mais rápido possível em vez de assumirem mais dívidas. A renúncia da poupança de longo prazo com o objetivo de pagar a faculdade do filho ou neto não é uma forma de ajudar os mais jovens. Com o passar dos anos, os filhos terão de auxiliar os pais na aposentadoria. Os jovens terão de abrir mão de um aumento de renda a partir de sua formação universitária para ajudar os pais na fase de descanso deles.

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Bancos públicos oferecem microcrédito para trazer empreendedores ao sistema formal de crédito

Adriana Aguilar      06/12/2011

O Banco do Brasil (BB), a Caixa e o Banco do Nordeste (BNB) estão ofertando microcrédito aos empreendedores de diferentes comunidades carentes do País. A iniciativa dos bancos públicos faz parte do Programa de Microcrédito Orientado, chamado Crescer, do Governo Federal. Um dos objetivos do programa é trazer empreendedores para o mercado formal e para o sistema de crédito.

O microcrédito orientado tem taxa de juro de 0,64% ao mês ou 8% ao ano, com empréstimos que podem chegar a R$ 15 mil. As reduzidas taxas das operações serão bancadas pelos bancos públicos e pelo Tesouro Nacional.

Ao longo de 13 anos, atuando na oferta de microcrédito produtivo, por meio do Crediamigo, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) já realizou 9,3 milhões de operações, desembolsando R$ 12,5 bilhões e prestando atendimento a 1,86 milhão de clientes no período entre 1998 e agosto de 2011. O Crediamigo é o maior programa de crédito produtivo popular direcionado em operação no Brasil.

“A metodologia do Agroamigo é baseada na assessoria de crédito produtivo, orientada e acompanhada”, afirma a superintendente da área de Microfinança Urbana e Micro e Pequena Empresa do BNB, Anadete Apoliano Albuquerque Torres.

A presença do assessor ocorre em três momentos: diagnóstico, orientação e avaliação do negócio proposto pelo empreendedor. O assessor técnico presta assessoria empresarial e ambiental, apontando as atividades que geram renda na região, identificam formas de inserção no mercado local e ainda orientam o desenvolvimento do projeto do empreendedor. Há cartilhas com personagens na área de gestão, custos e meio ambiente.

A maior dificuldade para o microcrédito é a garantia em troca do empréstimo tomado. Por esse motivo, foi criado o aval solidário. Um grupo formado de 3 a 15 pessoas (comerciantes locais) se responsabiliza pelo pagamento da dívida do tomador do dinheiro. O resultado é o baixo índice de inadimplência no BNB, de 0,72% em 2010 e 0,86% em 2011.

Segundo Anadete Torres, um conjunto de fatores contribui para a reduzida inadimplência. Um deles é a preocupação do grupo de aval solidário em não ter o nome dos integrantes em listas de inadimplência. Outro fator são os empréstimos menores no início do relacionamento com o banco. Por fim, há a orientação e acompanhamento do assessor de crédito em cada contrato fechado. “A remuneração do assessor de crédito está atrelada à qualidade da carteira de crédito concedida. Quando há inadimplência, ele também perde”, explica a superintendente do BNB.

A maior parte dos empréstimos vai até R$ 2 mil, com taxa de juro de 0,64% ao mês. Quando o empréstimo alcança o limite de R$ 15 mil, a taxa de juro fica em 1,2% ao mês. O prazo máximo de pagamento é de 36 meses. A Taxa de Abertura de Crédito (TAC) é de 1% sobre o valor do crédito, enquanto no mercado se pratica taxas até 3%. A renovação do crédito não é automática. Está vinculada à visita do assessor para verificação do uso do dinheiro no empreendimento.

Para a viabilidade do programa Crediamigo no Nordeste, há uma parceria entre o BNB, que articula o financiamento e o Instituto Nordeste Cidadania, responsável pela seleção e contratação dos assessores de microcrédito. Hoje, são 2.246 assessores de microcrédito. A atuação do Crediamigo está presente nos estados do Nordeste, norte do Espírito Santo, norte de Minas Gerais e, no Rio de Janeiro, na capital do estado e no município de São Gonçalo. O programa do BNB no Rio conta com a parceria da organização Vivacred para a seleção dos assessores e acompanhamento dos empréstimos feitos.

Segundo a superintendente do BNB, Anadete Torres, a meta é finalizar o ano de 2011 com 1 milhão de clientes no programa Crediamigo. No final de agosto passado, o banco já somava 943,5 mil clientes. Deste total, apenas 30 mil empreendedores estavam formalizados, ou seja, apresentava o CNPJ do negócio próprio. “Por esse motivo, para o acesso ao microcrédito, o BNB solicita apenas o número de registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), comprovante de endereço e da atividade econômica há, pelo menos, seis meses. Até 2015, o objetivo é alcançar 2,5 milhões de clientes.

Em volume de microcrédito concedido de janeiro a agosto de 2011, o BNB desembolsou R$ 1,76 bilhão. O levantamento feito pelo BNB mostra que 92% do volume de microcrédito concedido foram para o segmento do comércio (mercearias, pipoqueiros, bares, lanchonetes, confecções, revendedoras de produtos de beleza, entre outros). Outros 6% tiveram como destino o setor de serviços. Por último, ficam as indústrias (2%). Interessante notar que as mulheres representam 65% dos clientes do Crediamigo.

A metodologia do crédito produtivo, orientado e acompanhado também está sendo praticado pela Caixa na concessão do microcrédito aos empreendedores. O projeto piloto começou em 16 de setembro passado em cinco cidades: Complexo do Alemão (Rio de Janeiro), Porto Alegre e em São Paulo (Capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo). A partir de outubro de 2011, todas as agências da Caixa espalhadas pelo País passaram a ter um agente voltado ao microcrédito, explica o gerente de Clientes e Negócios da área de Inclusão Produtiva da Caixa, Lúcio Flávio Vilar de Azevedo.

Foram contratados agentes jovens, entre 18 e 22 anos, cursando, pelo menos, o primeiro ano do ensino médio. O programa tem priorizado a contratação de beneficiários do Programa Bolsa Família. “É a primeira oportunidade de emprego, dentro da própria comunidade”, explica Vilar de Azevedo.

Para cada grupo de 20 agentes jovens, há a orientação de um gerente social da Caixa.Os agentes jovens vão até as comunidades, entrevistam os empreendedores, verificam a capacidade de pagamento, endividamento, entre outras quesitos. Para o projeto piloto nas cinco cidades, foram treinados 100 agentes jovens. Outros 460 agentes jovens estão em fase de treinamento para o início das atividades em outubro. Os agentes apresentarão cartilhas do programa e de educação financeira ao empreendedor, além de o acompanhamento da aplicação dos recursos no projeto.

Na Caixa, os empréstimos variam de R$ 300,00 a R$ 15 mil, com prazo de pagamento de 4 a 24 meses. Em média, o tíquete médio do empréstimo varia de R$ 1 mil a R$ 2 mil, podendo ser capital de giro ou recursos para investimentos (compra de geladeira, motocicletas, máquinas, entre outros). Grupos de três a sete empreendedores, dentro da comunidade, se responsabilizam como avalistas do empréstimo (aval solidário).

“Temos a expectativa de fechar 56 mil contratos com empreendedores em 2011 e, no ano seguinte, outros 300 mil contratos. Vamos conseguir inserir muita gente dentro do sistema de bancarização”, afirma Lúcio Flávio Vilar de Azevedo. No empréstimo concedido, a pessoa física não pode ter o nome em listas de inadimplência. Também tem de apresentar o CPF. A partir daí, é aberta uma conta na Caixa, sem cobrança de taxas. Em seguida, o cliente recebe o cartão de movimentação.

Em 21 de setembro passado, o Banco do Brasil (BB) lançou seu programa do Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) aos empreendedores com faturamento bruto anual de até R$ 120 mil, propondo orientação educativa e acompanhamento aos tomadores de crédito. Os empreendedores individuais, com faturamento de até R$ 36 mil por ano, também compõem o público-alvo do programa.

“Queremos que os empreendedores individuais e microempreendedores pessoas físicas, na informalidade, se transformem em pequenos empresários. O crédito bem aplicado se constitui em um vetor de indução ao crescimento das empresas”, afirma o vice presidente de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas do Banco do Brasil, Osmar Dias.

Por meio de visitas técnicas, os funcionários treinados do BB analisam os empreendimentos e elaboram orientações para incentivar o melhor aproveitamento e aplicação dos recursos para o crescimento e a sustentabilidade dos negócios, explica Dias. “Não estamos priorizando segmento. Todos que queiram investir para tornar o próprio negócio rentável, terá o apoio do Banco do Brasil”, afirma Dias.

A linha de microcrédito do BB prevê o limite de até R$ 15 mil, com taxa de juros de 8% ao ano, equivalente a 0,64% ao mês, com prazo para pagamento de até 36 meses. Após a assinatura do contrato, é aberta uma conta aos empreendedores, com uma tarifa reduzida de R$ 5,00, e um conjunto de soluções e serviços (conta corrente, poupança, gerenciador financeiro, cartões, entre outros).

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Repetir “poupe seu dinheiro” não surte efeito!

Adriana Aguilar      17/08/2010

megafoneGastar mais do que se deve, ficando sem dinheiro para pagar as contas é o hábito conhecido como “overspending”. É um problema cada vez mais comum diante do aumento da oferta de crédito. Pesquisas mostram que ficar repetindo “poupe seu dinheiro” tem pouca eficácia!

Além disso, as pessoas não se consideram responsáveis pelos gastos e inadimplência. A culpa é dos outros ou de outras coisas – despesa imprevista, desemprego, surto emocional, administradora do cartão etc. Assim, a maioria não se sente diretamente responsável pelo não pagamento da conta ou da dívida.

A nova classe média – consumidores da classe C – ainda passa por restrições. Ela não quer escutar “não consuma e guarde seu dinheiro”. Essa classe tem necessidade de alguns produtos e vê o consumo como inclusão social. Isso explica porque alguns têm celulares e televisores, por exemplo, tão sofisticados, afirma Fábio Moraes, diretor de Educação Financeira da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

Esses pensamentos e hábitos de consumo foram constatados em uma qualitativa da Febraban, realizada em janeiro de 2010. Para a pesquisa, foram entrevistadas 400 pessoas da Classe C, que têm renda familiar entre 3 e 10 salários mínimos, a chamada nova classe média, em quatro diferentes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife.

“A compra de produtos de marca e de qualidade reconhecidas é vista como investimento, já que não se pode errar na compra, pois não há dinheiro para jogar fora. As TVs de plasma, DVDs e celulares são, no cotidiano desses consumidores, acesso a lazer e comunicação para a família, que substituem gastos com restaurantes, cinema etc”, explica Fábio Moraes.

É interessante notar que, segundo a pesquisa, quando existe um pensamento de futuro, é voltado para o consumo e bem estar próprio e de seus familiares para assumir compromissos sem apertos. Por isso, as motivações para poupar são duas: reservas para emergências e quantias para comprar um bem de maior valor (carro, casa etc.) ou serviço.

O economista Augusto Sabóia faz o planejamento financeiro pessoal de 61 famílias, incluindo os filhos de outros casamentos, netos, pais, sogros, entre outros agregados. Do total, 11% não conseguem fazer economia por mais de um ano.

Segundo Sabóia, ficar repetindo para as pessoas economizarem não surte efeitos. É como pedir para uma pessoa que está fazendo regime: “pare de comer”. Na teoria, todos sabem o que tem de ser feito.

Diante disso, Sabóia tem repetido em suas palestras: “Pare de economizar, planejar dá mais certo”. Segundo ele, se a família planeja férias em Miami em janeiro do próximo ano, todos os membros vão se esforçar para cortar despesas supérfluas para o alcance do objetivo.

“ A estratégia do questionário dos sonhos da família e o planejamento para alcançá-lo, dentro de um prazo programado, é mais eficaz do que pedir para economizar . Quem faz sacrifício, sem meta, comete deslizes no curto prazo”, diz Sabóia.

Os consumidores compulsivos costumam comprometer o dinheiro do mês seguinte, gastam mais do que recebem, ficam presos a vários parcelamentos longos e não conseguem poupar.

Pela pesquisa da Febraban, a faixa dos jovens, até 30 anos, solteiros, com emprego formal, é a de maior risco para o endividamento. Gastos com baladas, vestuário e outros supérfluos podem atingir cifras altas e, por falta de planejamento, o jovem ainda não se dá conta de que é aí que sua conta fica “no vermelho”, afirma Fábio Moraes.

Muitos até têm o hábito de anotar seus gastos e até mesmo reservar parte da receita para uma pequena poupança. No entanto, gastos fundamentais ficam de fora da planilha.

Para Sabóia, preencher corretamente uma planilha de orçamento exige perseverança e coragem, pois a pessoa é obrigada a listar a prestação do automóvel e todas as despesas ocultas (seguro, combustível, IPVA, licenciamento), relacionadas ao carro. Reconhecendo todos os gastos, toma-se conhecimento do que, realmente, cabe no bolso. “É preciso comprar somente o que a renda permite”, diz Sabóia.

A pesquisa da Febraban constatou que as pessoas só se sentem endividadas quando não conseguem pagar suas contas. Ou seja, confundem o conceito de endividamento com o de inadimplência. “Essa confusão é um risco, pois até o momento em que pode pagar a conta, a pessoa acha que pode continuar tomando crédito e gastando, mesmo que esteja no limite do que seu orçamento agüenta”, diz Moraes.

O cartão de crédito funciona como uma poupança em casos de emergência, além de ser emprestado para amigos e familiares, disseram os entrevistados da pesquisa da Febraban.

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Por que as pessoas evitam atrasar a prestação da casa financiada?

Adriana Aguilar      28/07/2010

inadimplencia_contratos_imobiliariosA inadimplência dos contratos de financiamento imobiliário cai gradativamente há 10 anos. Considerando os contratos com mais de três prestações atrasadas, o índice de inadimplência é de 2,46%, segundo dados do Banco Central (BC). Se considerados os contratos mais recentes, o índice é menor ainda, similar ao padrão encontrado em países europeus com a economia estável.

Na Caixa, com maior representatividade no financiamento imobiliário no País, o índice de inadimplência do crédito imobiliário passou de 1,94% em maio de 2009 para 1,41% em maio de 2010.

Segundo dado do Banco Central, a inadimplência do total de contratos ativos de financiamento Imobiliário no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) é de 8,77% (mutuários com mais de três prestações em atraso). Se considerarmos apenas os contratos assinados após junho de 1998, a inadimplência é de 2,46% em março de 2010, informa a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Se o contrato for mais recente, a partir de 2005, menor ainda será o índice de inadimplência.

No momento de apuro, o consumidor prefere atrasar a fatura do cartão de crédito, da conta de telefone, da água, do eletrodoméstico recém adquirido, mas paga a parcela do financiamento da casa em dia. Qual a explicação para esse procedimento?

Instrumentos jurídicos aprovados em 2004 deram mais segurança aos bancos e aos tomadores de crédito nos atuais contratos. Entre eles está a regra do Patrimônio de Afetação nas incorporações imobiliárias e também a norma do valor incontroverso nos questionamentos jurídicos em contratos de financiamento imobiliária. Ainda passou a constar nos contratos a previsão de alienação fiduciária. Por meio dela, o comprador só terá a propriedade “plena” do imóvel após a quitação do financiamento.

Caso ocorra a interrupção do pagamento das parcelas, o banco consegue recuperar na Justiça a propriedade e a posse do imóvel no período de um ano. Aquela história de ficar morando no apartamento ou na casa por anos, enquanto o valor do juro cobrado na prestação está sendo discutido na Justiça, acabou.

“A taxa de inadimplência caiu, principalmente, após a instituição da alienação fiduciária que aumentou a garantia jurídica da operação imobiliária para os bancos”, afirma o gerente do segmento imobiliário da Serasa Experian, José Augusto Périgo.

Há pesquisas apontando que o cliente com financiamento imobiliário consome até outros cinco produtos no mesmo banco ao longo dos 20 anos de financiamento. Em mercados mais maduros, os clientes adquirem até 10 produtos, explica Périgo.

Alguns bancos oferecem aos clientes “sufocados” com outras parcelas a opção de incorporação do saldo de outras dívidas no financiamento imobiliário, de modo que não comprometesse até 30% da renda líquida com a prestação e a garantia de 80% do valor do imóvel.

“A boa concessão do empréstimo por parte do banco, com eficaz administração e gerenciamento do risco, contribuem para o baixo índice de inadimplência”, diz Périgo.

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Mais rapidez na perda do bem financiado

Adriana Aguilar      20/08/2009

Os departamentos de cobrança das instituições financeiras, desde o final de 2008, estão correndo para recuperar o dinheiro emprestado e não pago pelos inadimplentes. Com a taxa de inadimplência crescente, por volta de 30%, entre junho do ano passado e junho último, nos quatro maiores bancos do País, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, as recuperações judiciais triplicaram neste primeiro semestre. As leis que agilizam a recuperação do dinheiro emprestado passaram a ser colocadas em prática pela área de cobrança das instituições financeiras.

Repactuação da dívida, desconto na multa e nos juros, são as primeiras iniciativas que exigem diferentes tipos de negociação, conforme o perfil do cliente que se encontra detalhado em um sistema de pontos (scoring system). Quanto maior a pontuação, melhores são as condições de negociação e de cobrança no momento de inadimplência. Tudo depende do perfil da pessoa.

No entanto, quando não há acordo entre banco e devedor por meio de conversas, entra em cena a cobrança judicial. Houve um treinamento fortíssimo, com cursos e palestras, para os advogados da área de cobrança dos bancos se atualizarem sobre as diferentes alterações legislativas implementadas ao longo dos últimos cinco anos.

Com as novas leis, provavelmente, os devedores não conseguirão postergar a conclusão dos processos por longo tempo, como ocorria no passado. Inclusive, correm o risco de ficar sem o bem financiado rapidamente, caso não consigam quitar as prestações atrasadas por meses. “Os departamentos de cobrança dos bancos acompanharão a aplicação efetiva da lei”, explica o coordenador da subcomissão jurídica de Recuperação de Crédito da Febraban, Ernesto Antunes de Carvalho.

A Lei nº 11.382, de 2006, que alterou 85 artigos do Código de Processo Civil (CPC) entrou em vigor em janeiro de 2007. Um dos pontos principais da lei é o fim do efeito suspensivo dos embargos à execução, um recurso muito usado pelo devedor. Depois de ajuizada a ação, mesmo com o prazo de 24 horas para pagar a dívida, o devedor se defendia por meio de embargos e a cobrança da dívida ficava parada. Hoje, o juiz tem o arbítrio de dar ou não o efeito suspensivo para a execução. Negado o efeito suspensivo, o processo continua correndo.

Outra mudança trazida pela Lei nº 11.382, de 2006, foi a alienação do bem, acabando com a exclusividade do leilão público, processo demorado onde era comum ver parte do patrimônio se depreciando ao longo do tempo. Depois das alterações no CPC, agora, o banco pode simplesmente transferir o bem encontrado para o próprio nome e vendê-lo ou levar um interessado em comprar o bem diretamente ao juiz.

A recuperação de um veículo pelo credor, por exemplo, hoje, pode ocorrer em cinco dias após executada a liminar “apreendido o bem”, caso o devedor não efetue o pagamento da dívida. É o que determina o artigo 56 da Lei 10.931, de agosto de 2004. Assim, o bem poderá ser vendido pelo banco rapidamente. No passado, a venda somente era realizada após a sentença.

A penhora online, por meio do sistema BACEN-Jud, também tem contribuído muito para a agilidade de recuperação do crédito na área cível, onde estão concentradas as dívidas comerciais e financeiras. Por meio do sistema, é feito o bloqueio imediato de contas de devedores levados a Justiça. Em 2008, o BACEN-Jud registrou 3,6 milhões de acessos pelos juízes contra 2,8 milhões no ano anterior. Nos primeiros meses de 2009, janeiro e fevereiro, o BACEN-Jud já totaliza 219.011 acessos.

É importante ressaltar que, hoje, em qualquer negociação de pagamento de dívidas, a cobrança tem o papel de recuperar o cliente e mantê-lo fiel aos produtos e serviços do banco, explica o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acref), Adalberto Savioli.

Além de não querer perder o cliente, os bancos ainda acompanham o trabalho do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, promovendo a proteção e defesa dos consumidores. O artigo 4º do Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece que deve ser assegurado o respeito à dignidade do cliente. Além disso, o artigo 42 determina que, durante a cobrança de débitos, o fornecedor não poderá expor o consumidor a ridículo, nem submetê-lo a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. Esta conduta é mencionada como infração penal no artigo 71, do mesmo Código.

 

 

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