Planejamento evita riscos do financiamento

Adriana Aguilar      15/06/2012

Imagem: flickr - incomeprotectiononline

As incorporadoras costumam se isentar de qualquer responsabilidade no caso de não cumprimento dos prazos e falta de pagamento dos clientes. Do outro lado, os consumidores que não conseguem pagar o financiamento, seja por variados motivos, têm o nome incluído em cadastros de inadimplentes. Com mais planejamento, em ambas as partes, seria possível evitar os riscos envolvidos no financiamento imobiliário.

A família tem de programar recursos adicionais para os momentos de imprevistos. No financiamento, feito com a construtora ou bancos, o comprometimento da renda pode alcançar de 25% a 30% do salário da pessoa em cada prestação. Na avaliação do consultor financeiro e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Willian Eid, o percentual é muito elevado, principalmente, se considerado que o casal trabalha. “Se um dos dois perder o emprego, o percentual poderá chegar a 60% da renda da família. Um casal com três filhos, por exemplo, tem despesas imensas. O indicado é não comprometer mais do que 20% da renda da família com dívidas. Isso inclui tudo, inclusive o financiamento da casa”, afirma Eid.

Os preços dos imóveis têm sido crescente. Os terrenos, dentro da área urbana do Rio de Janeiro, por exemplo, valorizaram mais de 50% nos últimos dois anos. Segundo o presidente da Patrimóvel, Rubem Vasconcelos, na zona sul do Rio, área próxima ao local onde acontecerão os jogos olímpicos, há escassez de terrenos. A oferta está zerada. A conta fica mais alta para as incorporadoras que precisam de terrenos. A Patrimóvel, com quatro unidades na capital, atua em 60% do mercado de corretagem imobiliária do Rio de Janeiro, lançamentos imobiliários, imóveis usados, lotes e propriedades para incorporação.

Uma pesquisa realizada pela área de inteligência da imobiliária Coelho da Fonseca, em maio de 2011, mostra que houve 2.910 lançamentos de unidades de médio padrão na cidade de São Paulo nos primeiro cinco meses de 2011. Desse total, na região central de São Paulo, foram lançadas 592 unidades e quase todas (99%) foram vendidas até abril daquele ano (quatro meses). A rapidez das vendas mostra a escassez de imóveis e a alta demanda no local.

Tanta demanda pela matéria prima – terra – justificou um aumento progressivo no valor dela, nos últimos cinco anos. Além de incidir sobre os terrenos, a pressão da demanda por imóveis também causou desequilíbrio na oferta de mão de obra para as construtoras, equipamentos e componentes industrializados. Houve a elevação dos custos fixos e atrasos no prazo de entrega. Se o consumidor deixa de pagar, o nome dele segue para o cadastro de inadimplentes.

Neste cenário, a principal queixa dos consumidores tem sido o atraso na entrega de imóveis financiados, que aumentou muito nos últimos anos. Desde 2011, as construtoras e incorporadoras já trabalham com metas de lançamentos e vendas mais modestas.

A maior parte dos financiamentos imobiliários no País ocorre com imóveis usados, pois eles são maioria no mercado. Quando se tratar de um imóvel novo, na planta, é necessário planejamento em função dos riscos envolvidos na negociação.

Os bancos no Brasil não financiam imóveis em construção, ou seja, na planta. Portanto, a dívida é assumida com a construtora. Somente após a entrega das chaves, ocorre a transferência da dívida à instituição financeira. Durante o período de pagamento à construtora, as parcelas do financiamento vão crescendo ao longo do tempo em função da correção do Índice Nacional da Construção Civil (INCC) sobre o valor total do contrato e não somente sobre as prestações. Se a obra atrasa, a dívida só vai aumentando.

No financiamento imobiliário, as instituições financeiras afirmam que não há muito espaço para a redução da taxa de juro aplicada nos empréstimos. Com os recursos da poupança, a taxa de juro praticada nos financiamentos imobiliários fica entre 8% e 10% ao ano nos bancos. No entanto, o custo efetivo total (CET) dos financiamentos imobiliários pode variar de uma instituição para outra. Compare este custo entre as diferentes instituições. Todos os bancos são obrigados a mostrar separadamente o CET do financiamento, explica o diretor da Brazilian Mortgages Companhia Hipotecária, Vitor Bidetti. O custo efetivo total embute itens como o seguro, análise jurídica, avaliação do imóvel taxas.

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Aumenta a inadimplência entre idosos com empréstimos

Adriana Aguilar      02/05/2012

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Uma nova pesquisa do Federal Reserve Bank, de Nova York, mostra que os americanos, na faixa dos 60 anos, são responsáveis por cerca de US$ 36 bilhões em empréstimos estudantis. Mais de 10% dos empréstimos estão inadimplentes. Advogados da área de defesa do consumidor afirmam que a área de Segurança Social tem verificado que empresas de cobrança estão assediando idosos, nos seus 80 anos, que contrataram empréstimos estudantis.

O problema – relatado no site The Washington Post – se tornou um conflito no sistema nacional de ensino superior nos Estados Unidos, segundo legisladores, economistas e especialistas financeiros. O benefício do financiamento para estudantes do ensino superior está sendo diluído pela taxa de matrícula crescente e a longevidade dos tomadores da dívida.

Alguns desses americanos mais velhos se encaixam na primeira onda de empréstimos estudantis, enquanto outros tomaram novo financiamento em função do retorno à escola, na esperança de se tornarem mais competitivos no mercado de trabalho. Muitos deles também contrataram empréstimos para filhos ou netos com a sua ajuda-los a pagar o ensino.

A recente recessão agravou o problema, tornando difícil para os americanos mais velhos ou para os jovens, apoiados por eles, a conseguirem empregos bem remunerados. E ao contrário de outros financiamentos, os empréstimos para estudantes não podem ter alto índice de inadimplência. Como resultado, alguns americanos com idade mais avançada se encontram afundado em dívidas após o término do curso superior, em vez da tão esperada carreira próspera.

A permanência da dívida após a conclusão do curso superior, em função do financiamento estudantil, é como um grilhão que pode arrastar a pessoa com mais idade para a sepultura, explica William E. Brewer, presidente da Associação Nacional de Advogados na Área de Falência do Consumidor (National Association of Consumer Bankruptcy Attorneys).

O fato é que muitos pais, nos seus 50 anos, deveriam começar a poupar para a aposentadoria o mais rápido possível em vez de assumirem mais dívidas. A renúncia da poupança de longo prazo com o objetivo de pagar a faculdade do filho ou neto não é uma forma de ajudar os mais jovens. Com o passar dos anos, os filhos terão de auxiliar os pais na aposentadoria. Os jovens terão de abrir mão de um aumento de renda a partir de sua formação universitária para ajudar os pais na fase de descanso deles.

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Classes A e B evitam exposição das dívidas acumuladas em acordos coletivos

Adriana Aguilar      11/08/2011

As classes A e B têm mais força de negociação com as instituições financeiras, muitas vezes, dispostas a negociar com este seleto público. A última saída seria a audiência coletiva na frente de um conciliador. Dos 300 superendividados inscritos no projeto piloto de São Paulo, ocorrido em 2011, metade deles apresentava idade até 40 anos, pertencentes às classes C, D e E. Apenas 10% estavam desempregados. Muitos são funcionários públicos, técnicos de enfermagem, mecânicos, entre outros.

“A conciliação para a classe A e B, em um acordo coletivo, representa uma exposição e um constrangimento, diz Vera Lúcia Remedi Pereira, coordenadora do Tratamento ao Superendividado pelo Procon-SP.

Do total de 300 pessoas do projeto piloto em São Paulo, aproximadamente 10% eram das classes A e B, acima dos 40 anos, empregados na iniciativa pública e privada. Apresentavam dívidas com dezenas de credores. Alguns deles chegaram a ter 20 credores. “São pessoas de boa fé que perderam o controle da situação financeira após fatos inesperados como separação do casal, gastos com doenças, excessiva ajuda aos filhos, entre outros fatores”, explica Vera Lúcia Remedi Pereira.

Outra provável barreira para a participação das classes A e B, no projeto piloto de São Paulo, foi a passagem do consumidor por etapas obrigatórias, antes da conciliação com credores, como triagem e entrevista em um posto de atendimento que reúne diferentes serviços (poupatempo), além da participação obrigatória em uma palestra preparatória para a audiência coletiva, com duração de três horas, com uma psicóloga. “Foram até o fim aquelas pessoas que, efetivamente, queriam resolver o problema do endividamento”, diz Vera.

“O fato é que o público das faixas A e B se mostra mais constrangido ao longo das etapas de atendimento. Há dificuldade desta faixa da população em assumir a necessidade de ajuda de terceiro como o Poder Judiciário para enfrentar a situação”, afirma a juíza Káren Danilevicz Bertoncello.

Nas conciliações promovidas pelo Nudecon, no Rio de Janeiro, houve acordo em 70% delas em 2010. Do total de credores convocados a participar, 90% deles estiveram presentes.

O Projeto-Piloto de Tratamento de Situações de Superendividamento do Consumidor, iniciado em maio de 2010 pelo Tribunal de Justiça do Paraná, prestou assistência jurídica a 545 superendividados até o final de março de 2011. Desse total, 427 fecharam acordos com credores, índice de 78,34%. Houve 2 casos de inadimplência no pagamento das parcelas negociadas em audiências, ou seja, 0,46% de descumprimento.

Dos 545 superendividados atendidos no projeto piloto do Paraná, 66% tem entre 22 e 44 anos, trabalham (70%), são casados (46%), têm renda familiar de 1 a 3 salários mínimos (50%). O total de participantes apontou como causa do superendividamento: o desemprego (30%), a redução do salário (25%), gasta mais do que ganha (22%), doença pessoal ou familiar (16%), divórcio e separação (6%).

A procura das faixas A e B para tratamento ao superendividamento ficou entre 10% e 16% em SP e no Paraná, respectivamente, frente ao total de atendimentos realizados.

Nas audiências de tratamento das situações de superendividamento na cidade de Porto Alegre, o índice de acordo em 2010 ficou em torno de 83%. Nas outras cidades do Estado do Rio Grande do Sul, nas quais são realizadas conciliações, o percentual é menor. Em Sapucaia do Sul, o índice ficou em 54% e em Sapiranga, 67%.

No Rio Grande do Sul, os casos de conciliação com idosos, de 80 anos de idade, chamaram a atenção. Eles tentavam renegociar dívidas que, visivelmente, eram de familiares – pranchas de surf, playstation, entre outros artigos de classes mais abastadas.

“Muitos não têm como fazer acordo porque tiveram redução de renda ou estão desempregados. Nessas cidades, até o pequeno comerciante é beneficiado quando há acordo para o pagamento das dívidas”, afirma a juíza Káren Danilevicz Bertoncello, coordenadora do Centro de Pesquisa da Escola Superior da Magistratura (Ajuris), área de Direito do Consumidor.

Acesse outras informações sobre os programas para superendividados:

Procon de São Paulo
Núcleo de Defesa do Consumidor (Rio de Janeiro)
Tribunal de Justiça do Paraná
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Observatório do Crédito e Superendividamento do Consumidor (Rio Grande do Sul)

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Superendividados contam com assistência jurídica gratuita para redução das dívidas

Adriana Aguilar      11/08/2011


Uma nova prestação de serviço público ganha força nas principais capitais do País. É a assistência ao superendividado – pessoa de boa fé que não consegue quitar suas dívidas com o salário. A conta fica tão alta que vira uma bola de neve. É o descontrole total, sem renda até para a subsistência.

“Há um ‘boom’ de superendividados nos últimos anos. A procura por atendimento aumentou 50% em 2010. Hoje, temos uma fila de espera de cerca de 50 superendividados”, afirma a defensora pública Larissa Davidovich, coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon). “Nossa idéia é ampliar o número de defensores públicos, que prestam atendimento e assistência jurídica ao superendividados no Rio de Janeiro”, diz.

O Estado do Rio de Janeiro foi o pioneiro em criar uma Comissão Especial de Proteção e Defesa do Consumidor Superendividado, em 2005. No ano seguinte, foi a vez do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul iniciar o projeto piloto “tratamento das situações de superendividamento do consumidor”. A partir de 2010, o palavrão ganhou mais força no País. Em maio do ano passado, o Tribunal de Justiça do Paraná iniciou o mesmo projeto. E, em 2011, os estados de São Paulo e de Pernambuco também partiram para a assistência aos superendividados.

Segundo Larissa Davidovich, o Nudecon recebeu mais registros de dívidas atreladas aos empréstimos consignados em 2010. Uma das coordenadoras de projeto piloto de Tratamento ao Superendividado em São Paulo, Vera Lúcia Remedi Pereira, explica que os servidores públicos são bastante assediados nessa modalidade de empréstimo.

Os financiamentos consignados deveriam ter a menor taxa de juro, em função da melhor garantia. Essa modalidade pode ser descontada diretamente da folha de pagamento. O risco de calote é reduzido, se comparado à taxa de inadimplência do crédito pessoal.

“A pessoa contrata o financiamento e não consegue cumpri-lo porque não sabe se planejar, não sabe o que é juro composto e nem a diferença de taxa de uma linha e outra”, diz Vera Lúcia Remedi Pereira, coordenadora do Tratamento ao Superendividado pelo Procon-SP.

O superendividamento pode ser conseqüência de algum imprevisto (desemprego, redução de renda, doença ou separação do casal).Também há os descontrolados que gastam mais do que ganham. Países desenvolvidos do continente europeu, França e Alemanha, por exemplo, apresentam legislação especial para cuidar dos superendividados. Por aqui, não há. O atendimento aos superendividados no Brasil tem sido prestada por defensores públicos, juízes dos tribunais de Justiça e Procons.

Na prática, a assistência jurídica gratuita é disponibilizada aos superendividados nos projetos realizados nas diferentes capitais. O primeiro passo é o consumidor, atolado em dívidas, preencher um formulário, seja no Procon, Tribunal de Justiça, ou Defensoria Pública. O local exato dependerá do Estado. É feito um questionário minucioso, detalhando o orçamento doméstico e dívidas contraídas, com os documentos anexados.

A renegociação da dívida ocorre por meio de audiências coletivas, com vários credores diante do consumidor superendividado. A mediação do acordo pode ser feita pelo juiz, defensor público ou conciliador. Dependerá do Estado e cidade.

O objetivo é que o acordo ocorra de forma amigável, com redução e parcelamento dos débitos em função do orçamento familiar. É uma maneira de garantir a subsistência básica da família por um ano, pelo menos. Sem acordo, o processo pode ser arquivado ou inicia-se uma ação judicial para a sobrevivência do superendividado.

Você encontrará mais informações sobre os programas para superendividados nos seguintes locais

Procon de São Paulo
Núcleo de Defesa do Consumidor (Rio de Janeiro)
Tribunal de Justiça do Paraná
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Observatório do Crédito e Superendividamento do Consumidor (Rio Grande do Sul)

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Troque sua posição de “devedor dos financiamentos” para investidor

Adriana Aguilar      23/11/2010

Há duas formas de comprar uma casa ou um carro: financiando (dívida) ou investindo. Quais delas você praticou mais nos últimos meses? Qual tem sido a preferência dos brasileiros nos últimos meses?

A resposta correta é: FINANCIAMENTO (DÍVIDA)!

O financiamento de imóveis no Brasil tem batido recordes seja para a compra de imóveis ou compra de automóveis. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, é a maior instituição de crédito imobiliário do País e estima emprestar R$ 70 bilhões em 2010.

Uma simulação pelo site da Caixa, um empréstimo de R$ 200 mil para ser amortizado em 30 anos, pelo sistema pró-cotista do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), teria custo total de R$ 631.850,00 com juros de 10% ao ano e parcela mensal de R$ 1.755,00.

Segundo cálculos feitos pelo economista, educador e planejador financeiro, Marcos Silvestre, se a pessoa financiar um apartamento de R$ 100 mil, pagando prestações de R$ 1 mil durante 25 anos (300 meses), com taxa de juro de 10,25% ao ano, no final do período, o montante pago ao banco será R$ 300 mil. “Não se esqueça que tais parcelas ainda deverão ser reajustadas por algum índice de inflação!”, explica o professor e planejador Silvestre no boletim publicado em 29 de outubro de 2010.

O juro é a remuneração cobrada pelo banco em troca do dinheiro emprestado a você. A instituição financeira corrige sua dívida mensalmente e a taxa de juro é calculada sobre esse valor. O juro aplicado, todo mês, sobre o dinheiro emprestado, eleva sua dívida inicial da R$ 100 mil para R$ 300 mil após 25 anos.

O planejador financeiro Marcos Silvestre explica que, daquela prestação de R$ 1 mil paga ao banco, se você usar parte dela para pagar um aluguel de R$ 350,00, conseguindo aplicar mensalmente os R$ 650,00 restantes em algum produto com taxa de juro de 10,25% ao ano, você alcançará os R$ 100 mil em 11 anos – menos da metade do período de dívida com o banco.

Em 2010, o crédito para a compra de bens tem como destaque o financiamento de veículos. A dívida dos brasileiros com automóveis financiados somava R$ 94,1 bilhões em dezembro de 2009, segundo dados do Banco Central (BC). Em setembro de 2010, a dívida aumentou para R$ 125,3 bilhões, em função da maior demanda por veículos.

Em média, a taxa de juro para a compra de um veículo financiado é de até 2% ao mês no setor. No acumulado de 2010, até setembro, a taxa de juro alcançou 23,2%. “É uma das menores taxas do mercado em função da garantia. Automóveis são bens que ficam alienados ao banco. No caso de inadimplência, são tomados. Como a operação tem garantia, é possível trabalhar com taxa de juro menor e prazo maior. A média de prazo de pagamento dos veículos financiados, praticada pelo mercado, é de 48 meses”, afirma Ademiro Vian, diretor adjunto de Produto e Financiamentos da Febraban.

Novamente, vamos ao cálculo do professor e planejador financeiro Marcos Silvestre. O carro zero quilômetro mais barato no mercado (1.0, sem ar condicionado, sem direção hidráulica) custa R$ 25 mil. Ao dar R$ 2,5 mil de entrada, o restante será financiado em 60 prestações (5 anos), de R$ 650,00, com incidência da taxa de 1,99% ao mês. No final do período, você terá pago R$ 41.500,00 pelo carro.

Se você atuasse como investidor, primeiramente, depositaria os R$ 2,5 mil da entrada do carro na caderneta de poupança. Depois, faria depósitos de R$ 650,00 na poupança durante 30 meses. Segundo cálculos do professor Marcos Silvestre, você conseguiria comprar o carro em dois anos e meio. “Daqui a 30 meses, o carro terá subido de valor, não custará os mesmos R$ 25 mil. O valor da tabela desse carro poderá ser R$ 27 mil ou R$ 28 mil. Porém, o valor efetivo para a compra à vista, em dinheiro, será de, no máximo, os R$ 25 mil planejados”, explica Marcos Silvestre no seu boletim publicado em 19 de novembro de 2010.

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Repetir “poupe seu dinheiro” não surte efeito!

Adriana Aguilar      17/08/2010

megafoneGastar mais do que se deve, ficando sem dinheiro para pagar as contas é o hábito conhecido como “overspending”. É um problema cada vez mais comum diante do aumento da oferta de crédito. Pesquisas mostram que ficar repetindo “poupe seu dinheiro” tem pouca eficácia!

Além disso, as pessoas não se consideram responsáveis pelos gastos e inadimplência. A culpa é dos outros ou de outras coisas – despesa imprevista, desemprego, surto emocional, administradora do cartão etc. Assim, a maioria não se sente diretamente responsável pelo não pagamento da conta ou da dívida.

A nova classe média – consumidores da classe C – ainda passa por restrições. Ela não quer escutar “não consuma e guarde seu dinheiro”. Essa classe tem necessidade de alguns produtos e vê o consumo como inclusão social. Isso explica porque alguns têm celulares e televisores, por exemplo, tão sofisticados, afirma Fábio Moraes, diretor de Educação Financeira da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

Esses pensamentos e hábitos de consumo foram constatados em uma qualitativa da Febraban, realizada em janeiro de 2010. Para a pesquisa, foram entrevistadas 400 pessoas da Classe C, que têm renda familiar entre 3 e 10 salários mínimos, a chamada nova classe média, em quatro diferentes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife.

“A compra de produtos de marca e de qualidade reconhecidas é vista como investimento, já que não se pode errar na compra, pois não há dinheiro para jogar fora. As TVs de plasma, DVDs e celulares são, no cotidiano desses consumidores, acesso a lazer e comunicação para a família, que substituem gastos com restaurantes, cinema etc”, explica Fábio Moraes.

É interessante notar que, segundo a pesquisa, quando existe um pensamento de futuro, é voltado para o consumo e bem estar próprio e de seus familiares para assumir compromissos sem apertos. Por isso, as motivações para poupar são duas: reservas para emergências e quantias para comprar um bem de maior valor (carro, casa etc.) ou serviço.

O economista Augusto Sabóia faz o planejamento financeiro pessoal de 61 famílias, incluindo os filhos de outros casamentos, netos, pais, sogros, entre outros agregados. Do total, 11% não conseguem fazer economia por mais de um ano.

Segundo Sabóia, ficar repetindo para as pessoas economizarem não surte efeitos. É como pedir para uma pessoa que está fazendo regime: “pare de comer”. Na teoria, todos sabem o que tem de ser feito.

Diante disso, Sabóia tem repetido em suas palestras: “Pare de economizar, planejar dá mais certo”. Segundo ele, se a família planeja férias em Miami em janeiro do próximo ano, todos os membros vão se esforçar para cortar despesas supérfluas para o alcance do objetivo.

“ A estratégia do questionário dos sonhos da família e o planejamento para alcançá-lo, dentro de um prazo programado, é mais eficaz do que pedir para economizar . Quem faz sacrifício, sem meta, comete deslizes no curto prazo”, diz Sabóia.

Os consumidores compulsivos costumam comprometer o dinheiro do mês seguinte, gastam mais do que recebem, ficam presos a vários parcelamentos longos e não conseguem poupar.

Pela pesquisa da Febraban, a faixa dos jovens, até 30 anos, solteiros, com emprego formal, é a de maior risco para o endividamento. Gastos com baladas, vestuário e outros supérfluos podem atingir cifras altas e, por falta de planejamento, o jovem ainda não se dá conta de que é aí que sua conta fica “no vermelho”, afirma Fábio Moraes.

Muitos até têm o hábito de anotar seus gastos e até mesmo reservar parte da receita para uma pequena poupança. No entanto, gastos fundamentais ficam de fora da planilha.

Para Sabóia, preencher corretamente uma planilha de orçamento exige perseverança e coragem, pois a pessoa é obrigada a listar a prestação do automóvel e todas as despesas ocultas (seguro, combustível, IPVA, licenciamento), relacionadas ao carro. Reconhecendo todos os gastos, toma-se conhecimento do que, realmente, cabe no bolso. “É preciso comprar somente o que a renda permite”, diz Sabóia.

A pesquisa da Febraban constatou que as pessoas só se sentem endividadas quando não conseguem pagar suas contas. Ou seja, confundem o conceito de endividamento com o de inadimplência. “Essa confusão é um risco, pois até o momento em que pode pagar a conta, a pessoa acha que pode continuar tomando crédito e gastando, mesmo que esteja no limite do que seu orçamento agüenta”, diz Moraes.

O cartão de crédito funciona como uma poupança em casos de emergência, além de ser emprestado para amigos e familiares, disseram os entrevistados da pesquisa da Febraban.

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Os 10 erros cometidos no controle do orçamento

Adriana Aguilar      08/02/2010

Augusto_SaboiaNa hora de preencher a planilha de orçamento, as pessoas sempre se esquecem das “despesas formiguinhas”, não calculam as “despesas ocultas”, se presenteiam no dia do “eu mereço”, pecam pelo exagero da “boa vida aos filhos”, além da insistência na manutenção de um “orçamento dos sonhos”, no qual prevalecem os gastos de um mundo imaginário, não condizente com a realidade da família. Esses são alguns dos erros, mais freqüentes, observados pelo economista Augusto Sabóia que acumula a experiência de prestar consultoria de seguros e previdência privada para mais de 3 mil pessoas, além do trabalho diário de planejamento financeiro pessoal de 91 famílias, incluindo os filhos de outros casamentos, netos, pais, sogros, e, muitas vezes, irmãos com vícios, sobrinhos desamparados e ex-cônjuges.

Uma mera equação matemática seria suficiente para o planejamento e enriquecimento da pessoa. O processo requer atenção, disciplina e planejamento. A grande dificuldade, na avaliação de Sabóia, é a pessoa se autoconhecer e comprar somente o que a renda lhe permite. “Sempre digo que aceitar o orçamento real é uma iniciativa de coragem da família”, diz o economista.

Os números mostram que conseguir passar 30 dias com a renda mensal, reservando uma fatia para a poupança, parece ser uma tarefa quase impossível para muitas pessoas. Dados do Banco Central do Brasil mostram que o total de dívidas no cartão de crédito cresceu quase 20% em 2009 e chegou ao valor inédito de R$ 26,3 bilhões em dezembro do ano passado, o dobro do visto há três anos. Nos Estados Unidos, os abusos no uso dos cartões de crédito e os empréstimos concedidos têm batido níveis em relação às últimas três décadas

Abaixo, Sabóia aponta os 10 principais erros mais cometidos pelas famílias que fazem controle do orçamento:

1 – INSISTIR NO “ORÇAMENTO DOS SONHOS”

Uma coisa é o orçamento de vida real. Outra coisa é aquele que a pessoa gostaria de ter algum dia. Fazer o orçamento é colocar o que recebe menos o que gasta, mais despesas ocultas, despesas formiginhas, inflação e impostos. Sabóia conta que o maior problema das pessoas, hoje, é a novela das 20 horas. O personagem principal entra pobre, se casa com a menina rica no próximo capítulo. O pai da mocinha morre no outro. Então, o galã passa a ser dono da fábrica e do iate. A vida real é outra. No dia seguinte, o trabalhador está na empresa às 8 horas. Muitas vezes, para receber o salário mínimo no final do mês. Não adianta ganhar 10, gastar 22 e ficar devendo 12 mensalmente. É possível se planejar e formar reserva com qualquer salário. A roupa de grife não faz mal a ninguém. O problema é saber quanto o preço da peça representa no orçamento da pessoa. A família precisa ter os pés no chão para saber o orçamento real dela: quanto recebe, quanto pode gastar para, no longo prazo, planejar mais conforto (casa, carro, roupas de qualidade) e subir degraus. É preciso planejar de onde virá a renda para o conforto desejado no futuro. Não simplesmente sair gastando sem medidas.

2 – ACHAR QUE AS “DESPESAS FORMIGUINHAS” SÃO IRRELEVANTES

Ter um diário dos gastos faz toda a diferença, principalmente, se colocar a cadernetinha no bolso e anotar cada bala, cafezinho, gorjeta, cada centavo pago ao longo do dia. O suco, o bolinho e o cafezinho custam cerca de R$ 8,00 em apenas um dia. Durante a semana, o gasto soma R$ 40,00. No mês, R$ 160,00. No ano, o resultado é R$ 2.080,00, sem considerar taxa de juro. Por que não levar um lanche de casa para ficar mais barato? É preciso mudar os hábitos para o alcance dos sonhos. Na avaliação de Sabóia, a pessoa tem de decidir se vai continuar comprando o dispensável ou se prefere usar os R$ 2.080,00 para pagar a passagem de férias para Nova York, por exemplo. Se a pessoa não quiser abrir mão das guloseimas diárias, que representam uma fatia importante da capacidade de poupança dela, tudo bem. A escolha é dela. Só não repita que não consegue poupar. Na verdade, ela não quer poupar. Tem de prestar atenção no quanto o preço do objeto representa no orçamento. Uma bolsa de R$ 10 mil para um milionário não é nada. Enquanto que para o motoboy é um valor inimaginável. Basta guardar R$ 300,00 todo mês, aplicá-los em algum investimento atrelado a taxa de juro e, ao final de 35 anos, chegaria ao montante de R$ 1 milhão.

3 – IGNORAR AS “DESPESAS OCULTAS”

Não enxergar o total de custos adicionais que integram cada compra é um grande equívoco por falta de educação financeira. Os consumidores só vêem o momento, faltando percepção para as despesas ocultas. Um carro financiado não custa somente R$ 500,00 ao mês. A pessoa vai desembolsar, na verdade, 1,5 mil por mês, depois de somadas à prestação do veículo outras necessidades: combustível (400,00 por mês), manutenção (R$ 3,00 ao dia ou R$ 100 ao mês), despesas com seguro, IPVA e licenciamento. Além disso, para a troca do mesmo veículo por um zero quilômetro no prazo de quatro anos, deve entrar no cálculo uma reserva mensal, referente à depreciação do automóvel. Assim, lá na frente, haverá dinheiro para a aquisição do zero quilômetro. Na planilha de orçamento projetada, tem de constar a prestação do automóvel e todas as despesas ocultas relacionadas ao carro.

4 – PREFERIR O IMEDIATO AO FUTURO

Na compra de um celular parcelado, deve ser computado o gasto com as ligações no custo total do aparelho. O melhor seria a mãe não presentear o filho com um celular e, em vez de quitar contas de telefone dele, a mãe depositaria R$ 50,00 mensais para o curso do filho no exterior daqui a duas décadas. Outro exemplo. Um cachorro custa, em média, R$ 150 mil em 15 anos. Há despesas com alimentação, veterinário, remédios e higienização. Se a pessoa não tem os 200 mil poupados para a faculdade do filho, como é que pode comprar ou aceitar um cachorro? Se não tem outros R$ 200 mil reservados para a aposentadoria dela, como é que pode ter cachorro? É importante fazer escolhas, pensando no futuro.

5 – PROVER BOA VIDA AOS FILHOS

Um grande erro é usar o dinheiro reservado para a aposentadoria na faculdade do filho. O casal deve poupar para a previdência privada em vez de facilitar a vida dos adolescentes. Aos 20 anos, o filho vai embora e a longevidade do casal permanece por 30, 40 ou até mais de 50 anos, fruto do avanço da medicina. Lá na frente, o filho terá os custos da casa própria e da família dele e não poderá ajudar os pais. Em vez de facilitar o pagamento das contas, os pais têm de transmitir sabedoria para a próxima geração enriquecer.

6 – DIZER “EU MEREÇO”

É a tragédia cometida por homens e mulheres no dia do aniversário ou nas festas de final de ano. É pavoroso ouvir a pessoa dizer que fez uma grande compra por ter trabalhado muito ou realizado um feito extraordinário. A função de todos é trabalhar. Por este motivo, não merece coisa alguma. É muito importante a pessoa se premiar, dizendo que colocou R$ 10 mil a mais na conta corrente este ano, em relação ao anterior, optando por fazer uma especialização para aperfeiçoamento profissional. O gasto à toa não levará a pessoa a lugar algum.

7 – EXTRAPOLAR NOS PRESENTES

O mundo não acaba no Natal, no Ano Novo e na viagem de férias, quando algumas famílias resolvem, simplesmente, gastar toda a reserva. Ao longo do ano, há várias datas comemorativas: dia dos pais, dia das mães, aniversários, casamentos e infinitos presentes para os colegas do filho, os amigos do trabalho, funcionários do prédio, primos, sogro, sogra. São cerca de 100 presentes no ano. Se houver o gasto de R$ 50,00 para cada presente, o custo será de R$ 5 mil ao ano, diminuindo parte da poupança anual. Em vez de passear no shopping, fazendo compras no cartão, sem limitação, a pessoa tem de ser criativa e buscar alternativas mais econômicas para não cometer deslizes nas contas.

8 – MANTER O PADRÃO DE VIDA ANTIGO

A renda da família fica R$ 5 mil menor e todos continuam mantendo o padrão de vida de R$ 10 mil, não aceitando a queda de metade do salário com a troca de emprego. Até a inflação, de 10% ao ano, exige mudança em muitos itens de consumo para a preservação da capacidade de poupança. A família toda tem de se organizar e remanejar produtos caros por outros mais baratos e ser criativa. Vale o mesmo para a mudança de padrão de vida.

9 – INSISTIR NO FIADO

Pagar faculdade fiado, formatura fiado, festa do casamento fiado, carro fiado, apartamento fiado. A pessoa começa a vida profissional pendurada, com décadas de dívidas. A construtora diz que a pessoa consegue financiar o apartamento, com o comprometimento de 30% do salário em cada prestação. A pessoa fica quebrada. Sabóia recomenda sempre comprar à vista para acumular dinheiro. Com R$ 1,6 mil mensais, durante quatro anos, há dinheiro para quitar o apartamento. É possível se tornar proprietário de um imóvel de R$ 100 mil em quatro anos, considerando o juro sobre a poupança. Mas, tem gente que opta pela dívida por 30 anos. Prefere pagar R$ 500 mil com juros e prestações, por algo que, à vista valeria R$ 100 mil.

10 – ACHAR QUE AS DESVENTURAS PASSAM LONGE

Preste atenção aos custos com médicos, remédios, diárias de hospitais e clínicas. As desventuras – alcoolismo, drogas, acidentes com vítimas, problemas amoroso, separação, doenças genéticas, entre outras – não acontecem somente com vizinhos. As desventuras batem à porta de todos. Não é possível fazer controle de orçamento, esquecendo da proteção ao risco. Há necessidade de contratação de seguro de vida com cobertura para riscos de morte acidental ou natural e invalidez (são 10 mil pessoas inválidas por ano no Brasil). Também é importante manter um seguro de saúde, seguro de carro e plano de previdência, além de planejar uma reserva para os imprevistos. A família com dois filhos ou mais tem de ter testamento, na avaliação de Sabóia.

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Mais rapidez na perda do bem financiado

Adriana Aguilar      20/08/2009

Os departamentos de cobrança das instituições financeiras, desde o final de 2008, estão correndo para recuperar o dinheiro emprestado e não pago pelos inadimplentes. Com a taxa de inadimplência crescente, por volta de 30%, entre junho do ano passado e junho último, nos quatro maiores bancos do País, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, as recuperações judiciais triplicaram neste primeiro semestre. As leis que agilizam a recuperação do dinheiro emprestado passaram a ser colocadas em prática pela área de cobrança das instituições financeiras.

Repactuação da dívida, desconto na multa e nos juros, são as primeiras iniciativas que exigem diferentes tipos de negociação, conforme o perfil do cliente que se encontra detalhado em um sistema de pontos (scoring system). Quanto maior a pontuação, melhores são as condições de negociação e de cobrança no momento de inadimplência. Tudo depende do perfil da pessoa.

No entanto, quando não há acordo entre banco e devedor por meio de conversas, entra em cena a cobrança judicial. Houve um treinamento fortíssimo, com cursos e palestras, para os advogados da área de cobrança dos bancos se atualizarem sobre as diferentes alterações legislativas implementadas ao longo dos últimos cinco anos.

Com as novas leis, provavelmente, os devedores não conseguirão postergar a conclusão dos processos por longo tempo, como ocorria no passado. Inclusive, correm o risco de ficar sem o bem financiado rapidamente, caso não consigam quitar as prestações atrasadas por meses. “Os departamentos de cobrança dos bancos acompanharão a aplicação efetiva da lei”, explica o coordenador da subcomissão jurídica de Recuperação de Crédito da Febraban, Ernesto Antunes de Carvalho.

A Lei nº 11.382, de 2006, que alterou 85 artigos do Código de Processo Civil (CPC) entrou em vigor em janeiro de 2007. Um dos pontos principais da lei é o fim do efeito suspensivo dos embargos à execução, um recurso muito usado pelo devedor. Depois de ajuizada a ação, mesmo com o prazo de 24 horas para pagar a dívida, o devedor se defendia por meio de embargos e a cobrança da dívida ficava parada. Hoje, o juiz tem o arbítrio de dar ou não o efeito suspensivo para a execução. Negado o efeito suspensivo, o processo continua correndo.

Outra mudança trazida pela Lei nº 11.382, de 2006, foi a alienação do bem, acabando com a exclusividade do leilão público, processo demorado onde era comum ver parte do patrimônio se depreciando ao longo do tempo. Depois das alterações no CPC, agora, o banco pode simplesmente transferir o bem encontrado para o próprio nome e vendê-lo ou levar um interessado em comprar o bem diretamente ao juiz.

A recuperação de um veículo pelo credor, por exemplo, hoje, pode ocorrer em cinco dias após executada a liminar “apreendido o bem”, caso o devedor não efetue o pagamento da dívida. É o que determina o artigo 56 da Lei 10.931, de agosto de 2004. Assim, o bem poderá ser vendido pelo banco rapidamente. No passado, a venda somente era realizada após a sentença.

A penhora online, por meio do sistema BACEN-Jud, também tem contribuído muito para a agilidade de recuperação do crédito na área cível, onde estão concentradas as dívidas comerciais e financeiras. Por meio do sistema, é feito o bloqueio imediato de contas de devedores levados a Justiça. Em 2008, o BACEN-Jud registrou 3,6 milhões de acessos pelos juízes contra 2,8 milhões no ano anterior. Nos primeiros meses de 2009, janeiro e fevereiro, o BACEN-Jud já totaliza 219.011 acessos.

É importante ressaltar que, hoje, em qualquer negociação de pagamento de dívidas, a cobrança tem o papel de recuperar o cliente e mantê-lo fiel aos produtos e serviços do banco, explica o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acref), Adalberto Savioli.

Além de não querer perder o cliente, os bancos ainda acompanham o trabalho do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, promovendo a proteção e defesa dos consumidores. O artigo 4º do Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece que deve ser assegurado o respeito à dignidade do cliente. Além disso, o artigo 42 determina que, durante a cobrança de débitos, o fornecedor não poderá expor o consumidor a ridículo, nem submetê-lo a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. Esta conduta é mencionada como infração penal no artigo 71, do mesmo Código.

 

 

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