Corretoras indicam ações para outubro

Adriana Aguilar      07/10/2009

carteirasNas carteiras de ações, recebidas de nove corretoras, os papéis que mais se repetiram, nas diferentes indicações para o mês de outubro, foram Petrobras PN (PETR4), Vale PNA (VALE5), BM&F Bovespa ON (BVMF3), Lojas Americanas PN (LAME4), Trasmissão Paulista PN (TRPL4), Banco do Brasil ON (BBAS3) e Bradesco PN (BBDC4).

Em outubro, muitas corretoras destacaram as ações de empresas com atividades internas, pois o Brasil teve uma saída rápida da crise. Foram incluídos setores de “utilities” (energia, saneamento, por exemplo) e bancos. Para alguns analistas, empresas ligadas a serviços devem avançar nos próximos meses, devido à redução do nível de inadimplência e resultados previsíveis.

Alguns eventos podem beneficiar o papel da BM&F Bovespa. Entre eles, a Retomada do fluxo nos mercados de capitais, com operações de ofertas no mercado acionário . Há uma maior expectativa de ganhos de sinergia e benefícios fiscais que devem beneficiar os resultados da BM&F Bovespa. Também está em andamento as negociações com a NASDAQ OMX, a respeito de uma possível parceria estratégica e comercial, além de possibilidade de autorização da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) para que os investidores americanos tenham permissão para negociar os contratos futuros do Ibovespa.

Papéis do setor de consumo, como as ações preferenciais das Lojas Americanas (LAME4) e as ordinárias da Brasil Foods (PRGA3), ganharam evidência entre as indicações feitas, pelo fato das atividades estarem atreladas ao mercado doméstico.

Mas, o investidor deve estar atento àquelas empresas do mercado local que já estão excessivamente precificadas. Segundo relatório HSBC Top Picks Outubro/2009, se a recuperação global for sustentável, há espaço para revisões positivas dos produtores e exportadores de commodities, setor em que muitos investidores possuem posições relativamente pequenas.

O relatório HSBC Top PIcks Outubro/2009 ainda menciona, como estratégia para o mês de outubro, a maior concentração em “empresas com drivers específicos, que podem ser beneficiadas por novas oportunidades de crescimento e consolidação, já que há mais alternativas de financiamento disponíveis e os concorrentes ainda podem estar em uma situação financeira delicada.”

Na estratégia mensal da corretora Spinelli, a ação preferencial, série A, da Vale (VALE5) está entre as principais indicações, graças ao bom momento da companhia. Os volumes de exportações, embarcados para outras praças importantes da companhia, como Europa e Japão, já praticamente dobraram desde o pior momento da crise, quando encolheram cerca de 70% de suas máximas históricas.

Os preços dos minerais ferrosos no mercado à vista também têm reagido positivamente ao crescente aperto da oferta na Austrália e Índia, colocando em vantagem a posição das mineradoras na negociação dos preços no sistema de benchmark junto às siderúrgicas chinesas, explica a corretora Spinelli.

“Considerando o uso corrente de capacidade, praticamente total, por parte das mineradoras australianas, atualmente a Vale é a companhia melhor posicionada para tirar proveito desta conjuntura, melhorando as perspectivas para seus resultados no terceiro trimestre de 2009, segundo o relatório de estratégia mensal da corretora Spinelli.

O resultado do segundo trimestre de 2009 da Petrobras surpreendeu positivamente. Dentre os números divulgados, o destaque pode ser atribuído, de acordo com o relatório mensal da corretora Spinelli, aos efeitos da otimização do parque de refino nacional, cujo contínuo aprimoramento por meio do Programa de Maximização de Diesel tem possibilitado maior extração deste derivado como proporção da Carga Fresca Processada, com reflexos na melhora de margens e na sua balança comercial.

A grande dúvida que paira no ar é saber se o aumento da participação do Governo na Petrobras e a alteração do marco regulatório não aumentariam os riscos aos pequenos investidores? Segundo carta mensal, divulgada pela corretora Geração Futuro em setembro, para o investidor de longo prazo, a visão de uma Petrobras forte, que comandaria sozinha a exploração do pré-sal e na qual o Governo deseja ampliar sua participação, seria o aspecto mais relevante que motivaria o interesse pela ação.

Além disso, a intenção do Governo em ampliar a participação no capital da Petrobras se justificaria pelas expectativas bastante positivas de crescimento das reservas, produção, faturamento e resultados da companhia ao longo dos próximos anos. “Inicialmente, a expansão seria decorrência do retorno dos investimentos nos projetos existentes, nas áreas atuais de exploração e também nos blocos já licitados do pré-sal, os quais demandarão investimentos próximos a US$175 bilhões até 2013, e que serão capazes de multiplicar as reservas da Petrobras”, segundo a carta mensal da corretora Geração Futuro.

 

 

Mais títulos privados aos pequenos investidores

Adriana Aguilar      28/09/2009

BusinessmanNeste ano, um maior número de ofertas públicas de títulos privados (debêntures), no mercado primário, teve papéis no valor nominal de R$ 1 mil e R$ 10 mil reservados às pessoas físicas. Outro fato importante é que mais debêntures também foram parar em carteiras de fundos de investimentos que têm suas cotas adquiridas por pequenos investidores.

Segundo levantamento feito pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), até o dia 15 de setembro último, Telemar, Tractebel, Bradespar, Elektro, Light, CPFL, Rio Grande Energia, CCR e Coelce reservaram percentuais das emissões para pessoas físicas. Para facilitar o acesso aos pequenos investidores, o valor nominal da emissão foi de R$ 1 mil e R$ 10 mil. Para os fundos de investimentos, as empresas deslocaram percentuais que varia de 42% a 93% do volume total da emissão de papéis privados Ver tabela

“A iniciativa de reservar fatias às pessoas físicas favorece a maior procura por debêntures”, afirma o superintendente geral da Andima, Paulo Eduardo se Souza Sampaio. A pesquisa feita pela Andima é uma fotografia do momento da emissão. Pode ter ocorrido alguma alteração nas posições, caso os papéis privados tenham sido negociados no mercado secundário.

De janeiro a setembro deste ano, não houve qualquer emissão de títulos privados pelas empresas de leasings – líderes de ofertas em anos anteriores, sem nunca ter alocado qualquer percentual às pessoas físicas. Tudo o que emitiam seguia direto para os fundos dos bancos, pertencentes ao mesmo conglomerado das companhias de leasing.

Em 2009 novos segmentos de empresas ocupam o espaço deixado pelas companhias de leasing, registrando recorde do número de compra e venda de debêntures por investidores ou acionistas. São as chamadas negociações no mercado secundário. No caso das debêntures, elas podem ser adquiridas no ambiente organizado da Cetip ou no ambiente Bovespa Fix. Ambas plataformas permitem a transparência da compra e venda dos papéis privados, a preço de mercado, facilitando o acesso do investidor de varejo.

Entre janeiro e julho de 2009, as negociações definitivas realizadas com debêntures no mercado secundário na Cetip registraram volume de R$ 61,5 bilhões, 80% superior ao observado no mesmo período do ano anterior. Houve 5.747 negócios no mercado secundário no primeiro semestre de 2009, quase o dobro dos 2.902 negócios observados no primeiro semestre de 2008, segundo dados da Cetip.

No sistema Bovespa Fix, cerca de 160 títulos de empresas são negociados diariamente. O papel com o maior número de compra e vendas registradas no primeiro semestre do ano ainda é a debênture da série única da BNDESPar (código BNDP-D21), com 301 negócios no primeiro semestre de 2009.

O título BNDP-D21 resulta de um investimento do BNDES para trazer mais investidores de varejo ao mercado secundário de debêntures (ver tabela). Procurado, o banco não informou se há planos de novas tranches de títulos privados ao varejo .

Na emissão primária, o título do BNDESpar (BNDP-21), indexado ao IPC-A e com vencimento em 15 de janeiro de 2012, foi precificado a R$ 898,33 . Desde a oferta até a primeira semana de agosto, a rentabilidade acumulada bruta, sem considerar o desconto do Imposto de Renda, correspondia a 15,30% ao ano. Em 31 de julho passado, o título era cotado a R$1.150,00.

No mercado, o título privado com o maior número de negócios no primeiro semestre do ano é o da companhia Vale, sob o código CVRD27. Segundo dados da Andima, 22% das operações de compra e venda envolveram o título contra 11% no mesmo período de 2008. O título foi emitido a R$ 1 mil em 2006, facilitando o acesso do mercado de varejo.

Apesar do aumento recente observado nas negociações secundárias do ativo, Paulo Sampaio ressalta que ainda há muito a ser feito. “A relação entre o volume negociado e o estoque disponível do ativo em mercado, ainda é considerada significativamente baixa em comparação aos padrões internacionais de liquidez”, diz.

 

 

Apenas 36% das ações ofertas iniciais de ações acumulam alta

Adriana Aguilar      14/09/2009

Das 147 ofertas públicas de ações na BM&FBovespa , de abril de 2004 a abril de 2008, apenas 53 ações acumulam ganhos desde a oferta até primeiro de setembro passado. Quem investiu nos outros 94 papéis, amarga perdas. O levantamento foi feito pela corretora HSBC e apresentado aos clientes da corretora, presentes no curso “Introdução ao mercado de ações”. Veja o levantamento completo em Responde+

Os investidores que participaram das ofertas de ações das empresas Gafisa, Natura e Localiza, triplicaram o investimento desde a primeira oferta até primeiro de setembro. No caso da ação ordinária (com direito a voto) da CCR, a rentabilidade acumulada foi de 423.40%. O primeiro lugar no pódio foi conquistado, dentro do período analisado, pelas ações ordinárias da Nossa Caixa (BNCA3), com as negociações iniciadas em 28 de outubro de 2005.

No lado oposto, entre aquelas que mais caíram, está a ação ordinária Bovespa Holding, com 100% de queda desde a oferta até primeiro de setembro último. Em segundo lugar, vem a Brasil Agro (99,11%) e, na seqüência, a ação ordinária MPX Energia, com queda de 98,30% no mesmo período (Veja as tabelas abaixo).

É interessante notar no levantamento completo que as ofertas ocorridas nos anos de 2004 e 2005 apresentam o maior número de ações com valorização. Neste período, a economia mundial sinalizava crescimento. A situação fica crítica em 2007, quando, das 77 ofertas ocorridas, apenas 14 papéis registraram alguma rentabilidade até primeiro de setembro de 2009.

Com a acentuação da crise financeira global a partir de segundo semestre de 2008, houve o enfraquecimento do número de ofertas em 2008, que só voltaram a ser realizadas no final do primeiro semestre deste ano, com a oferta inicial de ações da Visanet.

 

 

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