Sem reservas, idosos sofrem com exaustão financeira

Adriana Aguilar      11/05/2012

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Muitos idosos passam por exaustão financeira. Eles ganham dinheiro suficiente para evitar a pobreza, mas não têm reserva financeira. Diante dos itens de consumo com preços elevados e aposentadoria insuficiente, eles sofrem com os sacrifícios financeiros, segundo reportagem publicada na página MSN Money.

Nos Estados Unidos, a Clearpoint – uma das maiores agências de aconselhamento de crédito, sem fins lucrativos – fez um levantamento, com base no trabalho prestado. Constatou que o número de idosos sem dinheiro está aumentando, com tendência a piorar.

Em 2007, menos de 5% dos consumidores que utilizaram os serviços de aconselhamento de crédito Clearpoint tinham pelo menos 65 anos. No início de 2012, os relatórios da organização mostraram que mais de 13% dos clientes são idosos.

Segundo a Clearpoint, em 2007, os idosos procuravam aconselhamento em função da má administração do dinheiro e gastos excessivos. Hoje, o principal problema que levam os idosos aos serviços de aconselhamento é a reduzida renda.

A recuperação econômica dos Estados Unidos continua lenta para muitos consumidores mais velhos. “Estamos vendo idosos com dívidas crescentes no cartão de crédito e redução dos valores de suas casas”, explica um dos conselheiros da Clearpoint, em Richmond (Virginia), Patrick Owens.

“Mesmo não querendo depender do cartão, os idosos não enxergam outra alternativa, se endividam com insegurança. Muitos deles não têm conhecimento de outras formas de financiamento”, explica Patrick Owens.

Cynthia Hampton é outra conselheira da Clearpoint, em Memphis, que atende os consumidores do Tennessee e áreas próximas do Mississippi e Arkansas. “O que estamos vendo é um aumento substancial, entre os últimos 5 e 8 anos, de idosos com dívidas por uma série de razões. O custo de vida está aumentando, sem acompanhamento da renda dos idosos. A renda média deles tem desaparecido”, diz Hampton.

É comum ver idosos usarem o pagamento da Segurança Social e toda a renda de pensão para o pagamento de contas fixas. Incapazes de cobrir suas despesas variáveis, os idosos estão cada vez mais colocando a sua alimentação e despesas médicas nos cartões de crédito.

“Estamos vendo pessoas que ainda têm Medicare (sistema de seguro de saúde), com 20% de exigência de co-pagamento. Eles não são capazes de pagar os 20% para uma internação ou uma série de contas dos médicos para uma doença grave . Muitas vezes, o idoso tem de escolher entre alimentos ou remédios”, explica Hampton.

Solidão e isolamento também agravam as dificuldades financeiras, especialmente, às viúvas. Para se divertir, compram coisas que não podem pagar, como televisão e outros equipamentos eletroeletrônicos.

As agências de aconselhamento, sem fins lucrativos, podem ajudar os consumidores a:

-negociar com empresas de cartão de crédito o pagamento mensal e uma taxa de juro mais baixa, com possibilidade de perdão do juro e de outros encargos;
-negociar com agências de cobrança o valor da dívida;
-desenvolver planos de reembolso com médicos, hospitais e outros prestadores de cuidados médicos;
-encontrar planos de pagamento ou de subsídios de grandes companhias;
-fornecer aconselhamento na área de habitação para pessoas com problemas nos pagamentos;
-trabalhar com os consumidores para construir orçamentos pessoais e planilhas de gastos para o equilíbrio das contas.

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Aumenta a inadimplência entre idosos com empréstimos

Adriana Aguilar      02/05/2012

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Uma nova pesquisa do Federal Reserve Bank, de Nova York, mostra que os americanos, na faixa dos 60 anos, são responsáveis por cerca de US$ 36 bilhões em empréstimos estudantis. Mais de 10% dos empréstimos estão inadimplentes. Advogados da área de defesa do consumidor afirmam que a área de Segurança Social tem verificado que empresas de cobrança estão assediando idosos, nos seus 80 anos, que contrataram empréstimos estudantis.

O problema – relatado no site The Washington Post – se tornou um conflito no sistema nacional de ensino superior nos Estados Unidos, segundo legisladores, economistas e especialistas financeiros. O benefício do financiamento para estudantes do ensino superior está sendo diluído pela taxa de matrícula crescente e a longevidade dos tomadores da dívida.

Alguns desses americanos mais velhos se encaixam na primeira onda de empréstimos estudantis, enquanto outros tomaram novo financiamento em função do retorno à escola, na esperança de se tornarem mais competitivos no mercado de trabalho. Muitos deles também contrataram empréstimos para filhos ou netos com a sua ajuda-los a pagar o ensino.

A recente recessão agravou o problema, tornando difícil para os americanos mais velhos ou para os jovens, apoiados por eles, a conseguirem empregos bem remunerados. E ao contrário de outros financiamentos, os empréstimos para estudantes não podem ter alto índice de inadimplência. Como resultado, alguns americanos com idade mais avançada se encontram afundado em dívidas após o término do curso superior, em vez da tão esperada carreira próspera.

A permanência da dívida após a conclusão do curso superior, em função do financiamento estudantil, é como um grilhão que pode arrastar a pessoa com mais idade para a sepultura, explica William E. Brewer, presidente da Associação Nacional de Advogados na Área de Falência do Consumidor (National Association of Consumer Bankruptcy Attorneys).

O fato é que muitos pais, nos seus 50 anos, deveriam começar a poupar para a aposentadoria o mais rápido possível em vez de assumirem mais dívidas. A renúncia da poupança de longo prazo com o objetivo de pagar a faculdade do filho ou neto não é uma forma de ajudar os mais jovens. Com o passar dos anos, os filhos terão de auxiliar os pais na aposentadoria. Os jovens terão de abrir mão de um aumento de renda a partir de sua formação universitária para ajudar os pais na fase de descanso deles.

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10 sinais dos consumidores compulsivos

Adriana Aguilar      06/09/2011

As emoções têm influência poderosa nas finanças de qualquer pessoa, muitas vezes, até levando ao acúmulo de dívidas. De cada 10 superendividados, pelo menos 1 deles pode ter algum problema emocional que o leva a ser um comprador compulsivo.

“Trata-se de um transtorno de impulso, comprar ou jogar, que foge do controle racional da pessoa. Sem o tratamento adequado de médicos e de psicólogos, o desajuste emocional impedirá o consumidor de se manter longe de dívidas. Ele não conseguirá honrar acordos feitos”, afirma a psicóloga Tatiana Filomensky, coordenadora do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (AMITI), do Instituto de Psiquiatria do Hospital da Clínicas, em São Paulo.

A psicóloga também integra a diretoria executiva da Organização Não Governamental (ONG) Viver Bem que presta atendimento gratuito na área de crédito e consumo às pessoas com transtornos de impulso. A ONG é uma das parceiras do projeto piloto de Tratamento ao Superendividado em São Paulo.

No Brasil, ainda não há uma pesquisa formal relacionando superendividamento e consumo compulsivo. No entanto, a psicóloga Tatiana Filomensky explica que, em cima de sua experiência clínica, há a suposição de que haveria um consumidor compulsivo em cada 10 superendividados.

A suposição da psicóloga Tatiana foi reforçada durante o trabalho da ONG Viver Bem com os 300 integrantes do projeto piloto de Tratamento ao Superendividado em São Paulo. O grupo de 300 pessoas teve de participar de uma palestra de psicologia educacional, com até 3 horas de duração, como pré-requisito antes da reunião para conciliação.

“Durante a palestra, foi aplicado um teste para a identificação dos compradores compulsivos. Com base nas respostas dadas e pontuação do questionário, foi possível identificar aqueles que precisam de tratamento”, diz Tatiana. Os dados dos testes aplicados estão sendo tabulados.

O atendimento gratuito aos compradores compulsivos no AMITI, do Hospital das Clínicas de São Paulo, tem aumentado. Além dos grupos com terapia em andamento, há um fila de espera de 50 pessoas. “Normalmente, as pessoas procuram ajuda com mais de 30 anos, quando as relações com a família estão prejudicadas. Há pedido de ajuda por parte daqueles com faixa etária entre 40 e 50 anos, que se dão conta que não conseguiram construir patrimônio com o passar dos anos”, afirma Filomensky.

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5 armadilhas mentais que devem ser evitadas durante a renegociação da dívida

Adriana Aguilar      06/09/2011

Durante a renegociação da dívida, frente ao conciliador, fatores emocionais levam o consumidor a cometer erros previsíveis que podem prejudicá-lo no longo prazo. O importante é estar atento a todos eles para não cair nas armadilhas mentais.

“Raro é encontrar um consumidor que não caia em erros sistemáticos no momento de escolher algo”, explica a professora de psicologia econômica da Fipecafi, Vera Rita de Mello Ferreira, também autora dos primeiros livros sobre o assunto no Brasil.

Imagine, então, como é difícil a renegociação dos débitos para o superendividado, abalado com a bola de neve provocada pelos altos juros, e devendo para diferentes lugares! No momento da tentativa de acordo, o mundo está desabando na cabeça dele e seu único desejo é encontrar uma saída rápida daquela situação.

No projeto piloto de Tratamento ao Superendividado, do Procon-SP em parceria com o Tribunal de Justiça de São Paulo, houve a capacitação dos conciliadores, responsáveis pela mediação do acordo entre credor e consumidor. O objetivo é que eles não caiam em armadilhas mentais durante a mediação do acordo. Também é uma maneira de impedirem que os endividados cometam esses erros previsíveis.

Segundo a coordenadora pelo Procon-SP do projeto piloto de Tratamento ao Superendividado, Vera Lúcia Remedi Pereira, os conciliadores passaram por 40 horas de capacitação, incluindo noções de direito do consumidor, matemática financeira, conciliação coletiva e psicologia econômica com ênfase nas armadilhas mentais.

Os conciliadores mediam o acordo, munidos de calculadoras, painéis para a demonstração das contas e um extenso questionário preenchido com todas as despesas diárias do consumidor (tarifa de ônibus, aluguel, lista de medicamento mensal, despesa escolar dos filhos, entre outras). Tudo para evitar que o consumidor assuma parcelas que, futuramente, não caibam no orçamento mensal dele.

“Durante a reunião com os credores, o consumidor tem a liberdade de levar alguém da família ou qualquer profissional para ajudá-lo a pensar. Também, durante a audiência, ele tem permissão para fazer ligações telefônicas às pessoas de confiança sobre o fechamento ou não do acordo”, afirma Vera Lúcia.

A decisão final é importante, pois o acordo feito durante a conciliação é homologado pelo juiz. Tem o valor de uma sentença que, se não for cumprida, poderá ser executada pelo credor.

“Para acalmar o superendividado, a gente explica que não é uma única audiência de conciliação que resolverá todos os problemas com 2, 5 ou 10 credores. O importante é quitar, primeiramente, as melhores propostas apresentadas por diferentes bancos. Em cima disso, o consumidor vai se planejando para a eliminação dos débitos restantes. Outras audiências, com os demais credores, podem ocorrer ao longo de todo o processo”, explica Vera Lúcia.

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Classes A e B evitam exposição das dívidas acumuladas em acordos coletivos

Adriana Aguilar      11/08/2011

As classes A e B têm mais força de negociação com as instituições financeiras, muitas vezes, dispostas a negociar com este seleto público. A última saída seria a audiência coletiva na frente de um conciliador. Dos 300 superendividados inscritos no projeto piloto de São Paulo, ocorrido em 2011, metade deles apresentava idade até 40 anos, pertencentes às classes C, D e E. Apenas 10% estavam desempregados. Muitos são funcionários públicos, técnicos de enfermagem, mecânicos, entre outros.

“A conciliação para a classe A e B, em um acordo coletivo, representa uma exposição e um constrangimento, diz Vera Lúcia Remedi Pereira, coordenadora do Tratamento ao Superendividado pelo Procon-SP.

Do total de 300 pessoas do projeto piloto em São Paulo, aproximadamente 10% eram das classes A e B, acima dos 40 anos, empregados na iniciativa pública e privada. Apresentavam dívidas com dezenas de credores. Alguns deles chegaram a ter 20 credores. “São pessoas de boa fé que perderam o controle da situação financeira após fatos inesperados como separação do casal, gastos com doenças, excessiva ajuda aos filhos, entre outros fatores”, explica Vera Lúcia Remedi Pereira.

Outra provável barreira para a participação das classes A e B, no projeto piloto de São Paulo, foi a passagem do consumidor por etapas obrigatórias, antes da conciliação com credores, como triagem e entrevista em um posto de atendimento que reúne diferentes serviços (poupatempo), além da participação obrigatória em uma palestra preparatória para a audiência coletiva, com duração de três horas, com uma psicóloga. “Foram até o fim aquelas pessoas que, efetivamente, queriam resolver o problema do endividamento”, diz Vera.

“O fato é que o público das faixas A e B se mostra mais constrangido ao longo das etapas de atendimento. Há dificuldade desta faixa da população em assumir a necessidade de ajuda de terceiro como o Poder Judiciário para enfrentar a situação”, afirma a juíza Káren Danilevicz Bertoncello.

Nas conciliações promovidas pelo Nudecon, no Rio de Janeiro, houve acordo em 70% delas em 2010. Do total de credores convocados a participar, 90% deles estiveram presentes.

O Projeto-Piloto de Tratamento de Situações de Superendividamento do Consumidor, iniciado em maio de 2010 pelo Tribunal de Justiça do Paraná, prestou assistência jurídica a 545 superendividados até o final de março de 2011. Desse total, 427 fecharam acordos com credores, índice de 78,34%. Houve 2 casos de inadimplência no pagamento das parcelas negociadas em audiências, ou seja, 0,46% de descumprimento.

Dos 545 superendividados atendidos no projeto piloto do Paraná, 66% tem entre 22 e 44 anos, trabalham (70%), são casados (46%), têm renda familiar de 1 a 3 salários mínimos (50%). O total de participantes apontou como causa do superendividamento: o desemprego (30%), a redução do salário (25%), gasta mais do que ganha (22%), doença pessoal ou familiar (16%), divórcio e separação (6%).

A procura das faixas A e B para tratamento ao superendividamento ficou entre 10% e 16% em SP e no Paraná, respectivamente, frente ao total de atendimentos realizados.

Nas audiências de tratamento das situações de superendividamento na cidade de Porto Alegre, o índice de acordo em 2010 ficou em torno de 83%. Nas outras cidades do Estado do Rio Grande do Sul, nas quais são realizadas conciliações, o percentual é menor. Em Sapucaia do Sul, o índice ficou em 54% e em Sapiranga, 67%.

No Rio Grande do Sul, os casos de conciliação com idosos, de 80 anos de idade, chamaram a atenção. Eles tentavam renegociar dívidas que, visivelmente, eram de familiares – pranchas de surf, playstation, entre outros artigos de classes mais abastadas.

“Muitos não têm como fazer acordo porque tiveram redução de renda ou estão desempregados. Nessas cidades, até o pequeno comerciante é beneficiado quando há acordo para o pagamento das dívidas”, afirma a juíza Káren Danilevicz Bertoncello, coordenadora do Centro de Pesquisa da Escola Superior da Magistratura (Ajuris), área de Direito do Consumidor.

Acesse outras informações sobre os programas para superendividados:

Procon de São Paulo
Núcleo de Defesa do Consumidor (Rio de Janeiro)
Tribunal de Justiça do Paraná
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Observatório do Crédito e Superendividamento do Consumidor (Rio Grande do Sul)

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Superendividados contam com assistência jurídica gratuita para redução das dívidas

Adriana Aguilar      11/08/2011


Uma nova prestação de serviço público ganha força nas principais capitais do País. É a assistência ao superendividado – pessoa de boa fé que não consegue quitar suas dívidas com o salário. A conta fica tão alta que vira uma bola de neve. É o descontrole total, sem renda até para a subsistência.

“Há um ‘boom’ de superendividados nos últimos anos. A procura por atendimento aumentou 50% em 2010. Hoje, temos uma fila de espera de cerca de 50 superendividados”, afirma a defensora pública Larissa Davidovich, coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon). “Nossa idéia é ampliar o número de defensores públicos, que prestam atendimento e assistência jurídica ao superendividados no Rio de Janeiro”, diz.

O Estado do Rio de Janeiro foi o pioneiro em criar uma Comissão Especial de Proteção e Defesa do Consumidor Superendividado, em 2005. No ano seguinte, foi a vez do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul iniciar o projeto piloto “tratamento das situações de superendividamento do consumidor”. A partir de 2010, o palavrão ganhou mais força no País. Em maio do ano passado, o Tribunal de Justiça do Paraná iniciou o mesmo projeto. E, em 2011, os estados de São Paulo e de Pernambuco também partiram para a assistência aos superendividados.

Segundo Larissa Davidovich, o Nudecon recebeu mais registros de dívidas atreladas aos empréstimos consignados em 2010. Uma das coordenadoras de projeto piloto de Tratamento ao Superendividado em São Paulo, Vera Lúcia Remedi Pereira, explica que os servidores públicos são bastante assediados nessa modalidade de empréstimo.

Os financiamentos consignados deveriam ter a menor taxa de juro, em função da melhor garantia. Essa modalidade pode ser descontada diretamente da folha de pagamento. O risco de calote é reduzido, se comparado à taxa de inadimplência do crédito pessoal.

“A pessoa contrata o financiamento e não consegue cumpri-lo porque não sabe se planejar, não sabe o que é juro composto e nem a diferença de taxa de uma linha e outra”, diz Vera Lúcia Remedi Pereira, coordenadora do Tratamento ao Superendividado pelo Procon-SP.

O superendividamento pode ser conseqüência de algum imprevisto (desemprego, redução de renda, doença ou separação do casal).Também há os descontrolados que gastam mais do que ganham. Países desenvolvidos do continente europeu, França e Alemanha, por exemplo, apresentam legislação especial para cuidar dos superendividados. Por aqui, não há. O atendimento aos superendividados no Brasil tem sido prestada por defensores públicos, juízes dos tribunais de Justiça e Procons.

Na prática, a assistência jurídica gratuita é disponibilizada aos superendividados nos projetos realizados nas diferentes capitais. O primeiro passo é o consumidor, atolado em dívidas, preencher um formulário, seja no Procon, Tribunal de Justiça, ou Defensoria Pública. O local exato dependerá do Estado. É feito um questionário minucioso, detalhando o orçamento doméstico e dívidas contraídas, com os documentos anexados.

A renegociação da dívida ocorre por meio de audiências coletivas, com vários credores diante do consumidor superendividado. A mediação do acordo pode ser feita pelo juiz, defensor público ou conciliador. Dependerá do Estado e cidade.

O objetivo é que o acordo ocorra de forma amigável, com redução e parcelamento dos débitos em função do orçamento familiar. É uma maneira de garantir a subsistência básica da família por um ano, pelo menos. Sem acordo, o processo pode ser arquivado ou inicia-se uma ação judicial para a sobrevivência do superendividado.

Você encontrará mais informações sobre os programas para superendividados nos seguintes locais

Procon de São Paulo
Núcleo de Defesa do Consumidor (Rio de Janeiro)
Tribunal de Justiça do Paraná
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Observatório do Crédito e Superendividamento do Consumidor (Rio Grande do Sul)

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Crédito do cheque especial serve para emergências de curto prazo!

Adriana Aguilar      02/03/2011

Para cada 100 pessoas, entre 20% e 25% usam cheque especial, segundo uma pesquisa feita pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A dívida do brasileiro no cheque especial passou de R$ 15,8 bilhões, em 2009, para R$ 16,3 bilhões, em 2010.

Produto criado pelo brasileiro, o cheque especial só é famoso em função do alto juro cobrado sobre os empréstimos atrasados. Dependendo da instituição financeira, a taxa de juro varia de 9% a 12% ao mês.

Mesmo sabendo que se trata do juro mais alto do mercado, dois entre cada 10 consumidores acabam usando o crédito do cheque especial porque é o recurso mais acessível, menos burocrático do que outras linhas, pois já está na conta. O banco disponibiliza o crédito do cheque especial automaticamente, a qualquer momento, sem saber se o cliente terá condições de devolver o empréstimo, ou seja, sem garantia alguma.

Não adianta usar cheque especial para rolar a dívida de um carro ou de um eletrodoméstico. O cheque especial tem de ser usado em situações de emergência, para rápida cobertura do fluxo de caixa negativo na conta corrente da pessoa física. “Arrisco a dizer que, de cada 10 pessoas, 8 delas não sabem que há uma linha específica a cada necessidade. Quem usa a linha errada, paga mais caro, explica Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac).

Em vez de rolar dívidas no cartão de crédito e no cheque especial, renegocie a dívida em parcelas fixas mais baratas. Essa repactuação continua acessível a qualquer pessoa física. Basta conversar com o gerente do banco.

O Crédito Direto ao Consumidor (CDC), com parcelas mensais fixas, é o produto mais acessado por aqueles que querem renegociar a dívida cara do cheque especial ou do cartão de crédito. A taxa de juro do CDC vai de 3% até 5% ao mês.

Quem não conseguir negociar com o banco, tem como opção a transferência da dívida para outra instituição financeira (portabilidade). O novo contrato tem de apresentar o valor da dívida idêntico ao saldo devedor do antigo banco. Apenas a taxa de juro poderá ser alterada na portabilidade.

Segundo dados da Febraban, apenas R$ 2,5 milhões foram portados entre bancos desde o início da vigência da portabilidade, autorizada pelo Banco Central em 2006. O número é pequeno se comparado ao volume de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional até fevereiro de 2011, em torno de R$ 1,6 trilhão, explica afirma o diretor adjunto de Produto e Financiamentos da Febraban, Ademiro Vian.

Na avaliação do presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, as pessoas se acomodam e, por isso, não trocam de banco. Ao migrar para uma segunda instituição financeira, o consumidor tem de receber o novo talão de cheque com a data de entrada no sistema financeiro nacional impressa na folha do talão. Não se trata da data de entrada no novo banco. “Isso é muito importante para que cheque não seja rejeitado pelo comércio”, explica Oliveira.

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Troque sua posição de “devedor dos financiamentos” para investidor

Adriana Aguilar      23/11/2010

Há duas formas de comprar uma casa ou um carro: financiando (dívida) ou investindo. Quais delas você praticou mais nos últimos meses? Qual tem sido a preferência dos brasileiros nos últimos meses?

A resposta correta é: FINANCIAMENTO (DÍVIDA)!

O financiamento de imóveis no Brasil tem batido recordes seja para a compra de imóveis ou compra de automóveis. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, é a maior instituição de crédito imobiliário do País e estima emprestar R$ 70 bilhões em 2010.

Uma simulação pelo site da Caixa, um empréstimo de R$ 200 mil para ser amortizado em 30 anos, pelo sistema pró-cotista do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), teria custo total de R$ 631.850,00 com juros de 10% ao ano e parcela mensal de R$ 1.755,00.

Segundo cálculos feitos pelo economista, educador e planejador financeiro, Marcos Silvestre, se a pessoa financiar um apartamento de R$ 100 mil, pagando prestações de R$ 1 mil durante 25 anos (300 meses), com taxa de juro de 10,25% ao ano, no final do período, o montante pago ao banco será R$ 300 mil. “Não se esqueça que tais parcelas ainda deverão ser reajustadas por algum índice de inflação!”, explica o professor e planejador Silvestre no boletim publicado em 29 de outubro de 2010.

O juro é a remuneração cobrada pelo banco em troca do dinheiro emprestado a você. A instituição financeira corrige sua dívida mensalmente e a taxa de juro é calculada sobre esse valor. O juro aplicado, todo mês, sobre o dinheiro emprestado, eleva sua dívida inicial da R$ 100 mil para R$ 300 mil após 25 anos.

O planejador financeiro Marcos Silvestre explica que, daquela prestação de R$ 1 mil paga ao banco, se você usar parte dela para pagar um aluguel de R$ 350,00, conseguindo aplicar mensalmente os R$ 650,00 restantes em algum produto com taxa de juro de 10,25% ao ano, você alcançará os R$ 100 mil em 11 anos – menos da metade do período de dívida com o banco.

Em 2010, o crédito para a compra de bens tem como destaque o financiamento de veículos. A dívida dos brasileiros com automóveis financiados somava R$ 94,1 bilhões em dezembro de 2009, segundo dados do Banco Central (BC). Em setembro de 2010, a dívida aumentou para R$ 125,3 bilhões, em função da maior demanda por veículos.

Em média, a taxa de juro para a compra de um veículo financiado é de até 2% ao mês no setor. No acumulado de 2010, até setembro, a taxa de juro alcançou 23,2%. “É uma das menores taxas do mercado em função da garantia. Automóveis são bens que ficam alienados ao banco. No caso de inadimplência, são tomados. Como a operação tem garantia, é possível trabalhar com taxa de juro menor e prazo maior. A média de prazo de pagamento dos veículos financiados, praticada pelo mercado, é de 48 meses”, afirma Ademiro Vian, diretor adjunto de Produto e Financiamentos da Febraban.

Novamente, vamos ao cálculo do professor e planejador financeiro Marcos Silvestre. O carro zero quilômetro mais barato no mercado (1.0, sem ar condicionado, sem direção hidráulica) custa R$ 25 mil. Ao dar R$ 2,5 mil de entrada, o restante será financiado em 60 prestações (5 anos), de R$ 650,00, com incidência da taxa de 1,99% ao mês. No final do período, você terá pago R$ 41.500,00 pelo carro.

Se você atuasse como investidor, primeiramente, depositaria os R$ 2,5 mil da entrada do carro na caderneta de poupança. Depois, faria depósitos de R$ 650,00 na poupança durante 30 meses. Segundo cálculos do professor Marcos Silvestre, você conseguiria comprar o carro em dois anos e meio. “Daqui a 30 meses, o carro terá subido de valor, não custará os mesmos R$ 25 mil. O valor da tabela desse carro poderá ser R$ 27 mil ou R$ 28 mil. Porém, o valor efetivo para a compra à vista, em dinheiro, será de, no máximo, os R$ 25 mil planejados”, explica Marcos Silvestre no seu boletim publicado em 19 de novembro de 2010.

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Como aumentar o 13º salário

Adriana Aguilar      18/11/2010

Pesquisa feita em outubro de 2010 mostra que 57% dos consumidores pretendem usar o 13º salário para o pagamento das dívidas. Na seqüência, 19% querem empregar parte do 13º salário na compra de presentes; 12% vão destinar os recursos para as despesas do início de 2011 (IPTU, IPVA, material e matrículas escolares). Por último, 3% pretendem destinar o pagamento a compra e reforma da casa.

Foram ouvidas 567 pessoas em outubro de 2010, de todas as classes sociais, durante a pesquisa coordenada pelo economista Miguel Ribeiro de Oliveira, conselheiro da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Segundo Ribeiro de Oliveira, as pessoas estão certas ao destinar o 13º salário para a quitação das dívidas. “Tem de ser dada prioridade àquelas que embutem encargos maiores, como o cartão de crédito rotativo e o cheque especial – onde na média atinge 10,69% ao mês (238,30% ao ano até 11/2010) e 7,47% ao mês (137,38% ao ano até 11/2010) respectivamente”, afirma o economista.

No entanto, para quem não tem dívidas, Ribeiro de Oliveira aconselha aplicação em fundo de renda fixa ou caderneta de poupança.

Uma simulação feita pelo Banco Geração Futuro mostra que os investidores mais agressivos que optaram por aplicar as duas parcelas do 13º salário ( supostamente R$ 2 mil) no fundo de ações da instituição, em dezembro de 2008, chamado “FIA Geração Programado) viu a quantia dobrar para R$ 4.073,88 no dia 9 de novembro de 2010.

No final de 2008, os preços das ações estavam depreciados em função da crise financeira global. Quem aplicou nos papéis das empresas, no final de 2008, notou que o dinheiro rendeu bastante, mais de 100% no período.

Os investidores que colocaram o 13º salário (supostamente R$ 2 mil) no fundo de ações FIA Geração Programado, no final de 2009, não foram tão favorecidos pelo mercado de ações. Após um ano de aplicação, em 9 de novembro de 2010, o dinheiro acumulado no fundo somava R$ 2.113,72.

É muito difícil para o pequeno investidor acertar os bons momentos da bolsa. Portanto, melhor se precaver, optando pela média de rentabilidade no longuíssimo prazo. Quem aplicou o 13º salário (supostamente R$ 2 mil) há quatro anos, no final de 2006, acumulava R$ 3.103,85 no fundo de ações em 9 de novembro de 2010. A rentabilidade no período de quatro anos chegou a 60%. (VER TABELA).

Simulação do 13º salário aplicado no fundo de ações chamado Geração Programado

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Repetir “poupe seu dinheiro” não surte efeito!

Adriana Aguilar      17/08/2010

megafoneGastar mais do que se deve, ficando sem dinheiro para pagar as contas é o hábito conhecido como “overspending”. É um problema cada vez mais comum diante do aumento da oferta de crédito. Pesquisas mostram que ficar repetindo “poupe seu dinheiro” tem pouca eficácia!

Além disso, as pessoas não se consideram responsáveis pelos gastos e inadimplência. A culpa é dos outros ou de outras coisas – despesa imprevista, desemprego, surto emocional, administradora do cartão etc. Assim, a maioria não se sente diretamente responsável pelo não pagamento da conta ou da dívida.

A nova classe média – consumidores da classe C – ainda passa por restrições. Ela não quer escutar “não consuma e guarde seu dinheiro”. Essa classe tem necessidade de alguns produtos e vê o consumo como inclusão social. Isso explica porque alguns têm celulares e televisores, por exemplo, tão sofisticados, afirma Fábio Moraes, diretor de Educação Financeira da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

Esses pensamentos e hábitos de consumo foram constatados em uma qualitativa da Febraban, realizada em janeiro de 2010. Para a pesquisa, foram entrevistadas 400 pessoas da Classe C, que têm renda familiar entre 3 e 10 salários mínimos, a chamada nova classe média, em quatro diferentes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife.

“A compra de produtos de marca e de qualidade reconhecidas é vista como investimento, já que não se pode errar na compra, pois não há dinheiro para jogar fora. As TVs de plasma, DVDs e celulares são, no cotidiano desses consumidores, acesso a lazer e comunicação para a família, que substituem gastos com restaurantes, cinema etc”, explica Fábio Moraes.

É interessante notar que, segundo a pesquisa, quando existe um pensamento de futuro, é voltado para o consumo e bem estar próprio e de seus familiares para assumir compromissos sem apertos. Por isso, as motivações para poupar são duas: reservas para emergências e quantias para comprar um bem de maior valor (carro, casa etc.) ou serviço.

O economista Augusto Sabóia faz o planejamento financeiro pessoal de 61 famílias, incluindo os filhos de outros casamentos, netos, pais, sogros, entre outros agregados. Do total, 11% não conseguem fazer economia por mais de um ano.

Segundo Sabóia, ficar repetindo para as pessoas economizarem não surte efeitos. É como pedir para uma pessoa que está fazendo regime: “pare de comer”. Na teoria, todos sabem o que tem de ser feito.

Diante disso, Sabóia tem repetido em suas palestras: “Pare de economizar, planejar dá mais certo”. Segundo ele, se a família planeja férias em Miami em janeiro do próximo ano, todos os membros vão se esforçar para cortar despesas supérfluas para o alcance do objetivo.

“ A estratégia do questionário dos sonhos da família e o planejamento para alcançá-lo, dentro de um prazo programado, é mais eficaz do que pedir para economizar . Quem faz sacrifício, sem meta, comete deslizes no curto prazo”, diz Sabóia.

Os consumidores compulsivos costumam comprometer o dinheiro do mês seguinte, gastam mais do que recebem, ficam presos a vários parcelamentos longos e não conseguem poupar.

Pela pesquisa da Febraban, a faixa dos jovens, até 30 anos, solteiros, com emprego formal, é a de maior risco para o endividamento. Gastos com baladas, vestuário e outros supérfluos podem atingir cifras altas e, por falta de planejamento, o jovem ainda não se dá conta de que é aí que sua conta fica “no vermelho”, afirma Fábio Moraes.

Muitos até têm o hábito de anotar seus gastos e até mesmo reservar parte da receita para uma pequena poupança. No entanto, gastos fundamentais ficam de fora da planilha.

Para Sabóia, preencher corretamente uma planilha de orçamento exige perseverança e coragem, pois a pessoa é obrigada a listar a prestação do automóvel e todas as despesas ocultas (seguro, combustível, IPVA, licenciamento), relacionadas ao carro. Reconhecendo todos os gastos, toma-se conhecimento do que, realmente, cabe no bolso. “É preciso comprar somente o que a renda permite”, diz Sabóia.

A pesquisa da Febraban constatou que as pessoas só se sentem endividadas quando não conseguem pagar suas contas. Ou seja, confundem o conceito de endividamento com o de inadimplência. “Essa confusão é um risco, pois até o momento em que pode pagar a conta, a pessoa acha que pode continuar tomando crédito e gastando, mesmo que esteja no limite do que seu orçamento agüenta”, diz Moraes.

O cartão de crédito funciona como uma poupança em casos de emergência, além de ser emprestado para amigos e familiares, disseram os entrevistados da pesquisa da Febraban.

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