Título público supera bolsa nos últimos 6 anos

Adriana Aguilar      02/04/2014

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, teve seu último melhor período de rendimento até o final de 2007. De 2008 para cá, a rentabilidade média anual do Ibovespa está negativa em 3,53%, segundo levantamento do Instituto Assaf. Nos últimos seis anos, o título público NTN-B teve melhor rentabilidade, seguido pelas aplicações em ouro e renda fixa.

O Instituto Assaf levantou as principais aplicações financeiras em dois momentos, antes da crise financeira global, de janeiro de 2002 a dezembro de 2007. E no período pós-crise, de janeiro de 2008 a dezembro de 2013. A crise financeira global teve seu ápice em setembro de 2008.

Durante a crise financeira global, o governo norte-americano teve que injetar dinheiro no sistema financeiro para evitar novas quebras de bancos ou financeiras. Na Europa, os governos da Alemanha, França, Espanha, Reino Unido e de Portugal, entre outros países, também anunciaram ajudas bilionárias aos bancos. Os reflexos da crise no Brasil foram menores, mas como o País é dependente de relações de exportações e de importações mercado externo, a crise gerou muito cautela no mercado de renda variável no Brasil, diminuindo o lançamento de ações na bolsa e causando mais oscilação.

O estudo do Instituto Assaf mostra que, no período pré-crise, a melhor aplicação foi a bolsa de valores (Ibovespa), seguida pelos títulos públicos (NTN-B) e pelas aplicações em renda fixa. Mas, no período pós-crise, os títulos públicos (NTN-B) largaram na frente, seguidos pelas aplicações em ouro e renda fixa.

Durante o levantamento, o Instituto Assaf considerou a rentabilidade do título público Nota do Tesouro Nacional (NTN-B), mantido na carteira do investidor, até a data de vencimento do papel.

O investimento em ouro ganhou força com as crises americana e europeia. E mesmo com a queda em 2013, ainda mostra uma rentabilidade média anual atrativa. O ouro está acessível aos investidores por meio do mercado de balcão e também por meio de contratos negociados na BM&F Bovespa.

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“Seu Furquim” – o investidor!

Adriana Aguilar      04/02/2011

O vídeo “Seu Furquim” conta a história de um investidor apaixonado por ações.
Aos 90 anos, comemorados em 13 de dezembro de 2010, o senhor José Epaminondas Furquim de Campos, conhecido como “Seu Furquim”, pode relembrar a época das aplicações feitas nos recibos de ações brasileiras, negociados entre São Paulo e Nova York, os chamados American Depositary Receipts (ADRs)
“Seu Furquim”, diariamente, até 2008, marcou presença em uma corretora de valores de São Paulo para acompanhar pessoalmente as operações com renda variável, sob gestão de uma equipe de profissionais vigiados “de perto” por ele.

Frases do “Seu Furquim”:

Comprava terrenos, construía prédios e vendia. Dava dinheiro, mas não tinha emoção…

Achava bolsa chique. Todos os meus amigos ricos mexiam com bolsa

Aos 66 anos, comecei a investir em ações. A partir de 1970, fiz uns 16 cursos para aprender

Uma noite, recebi a notícia que havia perdido US$ 450 mil. Devagarinho, recuperei o dinheiro.

Não fiz fortuna na bolsa. Sempre ganhei pouco, mas ganhei.

Só lamento não ter entrado antes!

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Vídeo “Seu Furquim” – o investidor!
Direção e montagem: Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli
Produção: Andréa Hafez e Adriana Aguilar

 

 

Quais as 12 ações que fazem parte da carteira do investidor Lirio Parisotto?

Adriana Aguilar      03/11/2009

Durante apresentação de Lírio Parisotto aos clientes da corretora Geração Futuro, no dia 9 de outubro, foram apresentadas as 12 ações que fazem parte da carteira do fundo, chamado L Par FIA, com R$ 2,186 bilhões de patrimônio, sob gestão do investidor.

ParisottoCarteiraAções

 

 

10 mandamentos do bilionário investidor brasileiro

Adriana Aguilar      03/11/2009

ParisottoLirio Parisotto, com 55 anos, começou 2009 com R$ 1,123 bilhão, avançando para R$ 2,186 bilhões em outubro. Tudo aplicado em ações. Enquanto o Ibovespa subiu 72,79% em 12 meses até 9 de outubro, o fundo do bilionário registrou 122,18% de alta no mesmo período.

A maneira como Parisotto olha o próprio investimento é muito particular. Na carteira de ações dele há 12 papéis, não mais do que isso. Quando uma nova ação entra, alguma sai. A carteira só é movimentada quando ocorrem fatos excepcionais. “Não invisto em empresa que dá problema. Deu prejuízo, vai embora. A Braskem me deu dissabor e não está mais na carteira”, disse Lirio Parisotto durante palestra aos clientes da corretora Geração Futuro, em 9 de outubro.

Capas de variadas revistas, abordando a bem sucedida experiência dele no mercado de ações, Lirio Parisotto afirma gostar da exibição, com o objetivo de mostrar aos leitores que, a exemplo dele, não se deve perder a cabeça quando o Ibovespa despenca.

O empresário, entre 1986 e 1987, perdeu 300 mil dólares ao investir em um momento de pico da bolsa, quando o índice estava no topo. Outro erro cometido, na mesma aplicação, foi ter usado dinheiro do capital de giro, que mais tarde fundaria a empresa Videolar, hoje líder na fabricação e distribuição de DVDs, CDs, fitas VHS e mídia virgem no Brasil. Parisotto não está no comando da Videolar. Mas,integra o conselho de administração da empresa.

Os erros cometidos no passado serviram de aprendizado. No decorrer dos anos seguintes, o empresário multiplicou várias vezes sua fortuna com a renda variável. “Sempre digo que a queda do mercado é uma promoção. Na liquidação das lojas, a pessoa vai às compras para pegar descontos de 15%, 20%, 30% nas peças. O mercado de ações faz isso regularmente, só que as pessoas, em vez de aproveitar a promoção, vão lá e vendem mais”, diz o investidor.

“O meu critério de investimento, hoje, são três segmentos: bancos, energia elétrica, siderurgia e mineração. Eu não tenho nada fora disso. Para não dizer que tenho nada, tenho 2% ou 3% de coisas exóticas”, afirma Lírio.

Se eu tivesse Petrobras, a minha performance este ano estaria abaixo do Ibovespa. “Acho a Petrobras uma excelente empresa como negócio, o problema é a gestão da companhia. Enquanto o preço do barril, no mercado internacional, sobe ou desce, o combustível destinado ao consumidor continua inalterado”, explica.

O bilionário também tem uma opinião formada sobre o setor de construção, com mais de 20 empresas com capital aberto. “Nenhum País do mundo tem esta quantidade de empresas. Além disso, as tentações são muito grandes neste segmento, como a compra de um terreno subavaliado, venda de um imóvel abaixo do preço, subfaturamento. Eu prefiro trabalhar com segmentos mais protegidos a correr outros riscos”, diz.

Dentre os critérios usados na escolha das ações, Parisotto afirma que um dos mais importantes é o Preço/Lucro (P/L). O segundo critério é o Dividend Yield que as empresas oferecem de remuneração. O dividend yield é visto por Parisotto como dinheiro novo que entra para a compra de mais ações.

Outro critério relevante, para a eleição das 12 empresas que entram na carteira dele, é a liquidez, ou seja, a situação de solvência da companhia, que seria o seguinte: de cada R$ 1,00 devido pela empresa, quantos outros reais a companhia tem em caixa ou em contas a receber. Não vale conta estoque.

O experiente investidor também diz que é bom ficar de olhos bem abertos nas atitudes dos empresários que estão no comando de empresas negociadas na bolsa. “Quer saber se o executivo trabalha de verdade? Veja se ele contrata auditor ou consultor. Se há o costume de trazer consultores, caia fora da empresa porque o executivo não está fazendo o dever de casa. Fique longe de empresas que contratam muita consultoria”, afirma.

Abaixo, estão os 10 mandamentos do investidor bilionário, Lírio Parisotto:

1) NÃO PERCA TEMPO COM IPO, VOCÊ PAGA A CONTA LITERALMENTE

Eu aviso que IPO é aventura de capital. É feito “road show”, festa, contratação de bancos, impressão de materiais de primeira qualidade, anúncios em jornais. Sabe quem paga a conta? Adivinhe? Você que aplica nas ações! Quem subscreve as ações paga literalmente a conta. Não vou dizer que 100% dos IPOs são maus negócios. Em toda regra, há uma exceção. Mas, é duro ganhar a vida com IPO. Na prática, se você comprar as ações, vai pagar as contas dos envolvidos no IPO. Não deveria ser feito dessa forma. É necessário um controle maior do mercado sobre esta prática.

2) POUCA DIVERSIFICAÇÃO! UMA AÇÃO POR MÊS É MAIS QUE SUFICIENTE

Quanto mais empresa você colocar na sua carteira, maior é a prova que você não acredita naquilo que está comprando. Tenho 12 ações em minha carteira porque, com 55 anos, já não tenho a coragem e a personalidade de escolher só dois papéis. No final do ano, quem vai fazer a diferença de rentabilidade são duas ou três ações apenas. É importante ter poucas ações em carteira para acompanhar bem cada uma das companhias. Devem ser analisados os balanços, balancetes, evolução dos produtos no mercado, atitude dos executivos das empresas, por exemplo.

3) NUNCA COMPRE COISA QUE VOA, NEM QUE FABRICA O OBJETO VOADOR, COMÉRCIO VAREJISTA IDEM

Este é o meu conceito. Vou mencionar várias empresas varejistas que quebraram nos últimos anos. Talvez, você nem se lembre mais: Mesbla, Mappin, Arapuã, Casas Centro, Lojas Hermes Macedo, Rede de eletrodomésticos Brastel, G. Aronson, Lojas Brasileiras. Mencione uma siderúrgica que quebrou? Se souber de uma companhia elétrica que quebrou, apesar do racionamento em 2000, me avise. Não pode quebrar empresa de energia elétrica. No entanto, no setor aéreo, três grandes companhias quebraram em um instante: Varig (sobrevivendo com nome de terceirizada), Transbrasil e Vasp.

4) FIQUE LONGE DAS EMPRESAS COM SEDE EM PAÍSES EXÓTICOS

Nós temos de olhar as leis brasileiras que já são difíceis de serem interpretadas e seguidas corretamente. Imagine a dificuldade para analisar uma empresa criada em outro país. Ou de uma empresa que se transfere para o exterior para depois abrir capital aqui. Não são muitas, mas existem alguns casos a serem evitados.

5) NÃO COMPRE EMPRESA QUE DÊ PREJUÍZO, EMPRESA COM LUCRO NÃO QUEBRA

Parece óbvio, mas as pessoas ainda seguem dicas. Todo mundo tem uma dica quente. Deixo a dica para você usar da melhor forma possível, porque eu não quero saber de nada quente.

6) LIQUIDEZ É FUNDAMENTAL, PRECISAMOS SEMPRE DA PORTA DE ENTRADA E DE SAÍDA

Há por volta de 500 empresas de capital aberto. Do total, na bolsa, apenas 300 são negociadas duramente. Destas, umas 10 devem ser responsáveis por 80% das negociações registradas. Quando você aplica em empresas que ficam dias sem negociar, terá entraves. Se quiser gastar R$ 1 milhão, não conseguirá comprar. Imagine a dificuldade na hora de vender os papéis! Basta uma quantia ínfima para a ação apresentar valores que não são reais, gerando informação manipulada.

7) PROCURE COISA BOA E BARATA, BOM TEM BASTANTE, BARATO IDEM. AS DUAS JUNTAS SÃO DIFÍCEIS

Cuidado com o Preço/Lucro (P/L) absurdo que algumas companhias apresentam. Não adianta dizer que a empresa é boa, precisando esperar 50 anos de lucro para se chegar ao preço dela no mercado. Fuja destas. Em média, o P/L no Brasil está em torno de 15. Nos países de primeiro mundo, Japão, Estados Unidos e da Europa, O P/L está em torno de 30. No Brasil, tem muita empresa boa e barata.

8) NUNCA DÊ OUVIDOS A ESPÍRITOS SANTOS DE ORELHA, FAÇA O DEVER DECASA: ANALISE E AVALIE

Até meados de 2008, todos eram o gênio da bolsa. Era fácil ganhar dinheiro com o mercado de capitais em alta, subindo há cinco anos direto. A única diferença é que um ganhava muito e ou outro, menos. No movimento de queda da bolsa, não há motivo para vender as ações se for feita a análise e a avaliação correta dos números da companhia. O dinheiro tem de ser aplicado almejando o longo prazo. Não venda o papel da companhia por causa do mercado. Tenha bastante cuidado em quem vai investir, pois aí mora o perigo. Os gráficos sempre buscam o maior do passado.

9) TENHA CORAGEM E PERSONALIDADE DE ENFRENTAR A MARÉ CONTRÁRIA, CONTROLE O MEDO NA QUEDA E A GANÂNCIA NA ALTA

Quando o mercado cair, com os preços das ações já reduzidos, não saque o que continua aplicado. Controle seu medo e coloque mais dinheiro. No movimento de alta, também é difícil saber a hora exata de sair. Às vezes, após o saque do dinheiro, o mercado continua andando mais 10%, mais 20% e você fica se martirizando por estar perdendo a oportunidade. Também não faça nada. Não vai comprar novamente as ações dois meses após a venda. É difícil de controlar o impulso.

10) APOSTE NUM AZARÃO, SÓ PARA TER MOTIVO DE SE DESAFIAR E DIVERTIR-SE

Investir é divertimento. Divirta-se e aproveite a vida. Não fique estressado, mal humorado, tenso e preocupado a ponto de perder o sono, deixar de estar com a família, prejudicando o trabalho…tudo porque a bolsa subiu ou caiu. O fato de sobrar dinheiro para você aplicar em ações, já sinaliza que você é uma pessoa diferenciada. Dentre as 12 ações presentes em minha carteira, sempre tive um azarão. Para mim, azarão não é subir 100%, mas trabalhar para a ação valer de 3 a 4 vezes mais. Já foi o azarão da minha carteira o papel da Randon, quando custava R$ 0,20 ou R$ 0,30 centavos em 2002 ou 2003. Depois, chegou a valer R$ 20,00.

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Empolgação no home broker exige cautela

Adriana Aguilar      28/10/2009

homebrokerMilhões de reais negociados diante dos olhos de jovens, colados na telinha do home broker, comprando ou vendendo ações em casa. São horas a fio de conexão direta ao mercado de renda variável. Talvez, passem o dia todo no pregão, em detrimento dos estudos e de cuidados com a saúde. A importância da disseminação de conhecimento sobre o mercado de capitais aos jovens é indiscutível. Como também o desenvolvimento de competência e habilidade da pessoa física para os investimentos. Mas, é o momento de prestar atenção nas iniciativas exageradas dos jovens na frente do home broker, da mesma forma como são dados os alertas para quem fica grudado em um vídeo game.

O responsável pela área Educacional do Link Trade, o home broker da corretora Link Investimentos, Fábio Calderaro, explica que faz cerca de cinco palestras em diferentes Estados, todo mês. “Tem me chamado a atenção os adolescentes que faltam às aulas para ouvir as palestras de renda variável. Acham que o investimento em ações resolverá a vida deles rapidamente. O problema é que a grande empolgação pode se transformar em prejuízo com o passar dos anos, se os estudos ficarem para segundo plano”, explica.

Pesquisa feita no website Orkut, especificamente na comunidade chamada “BM&FBovespa-A nova bolsa”, criada há cinco anos e com 12.160 membros, procurou saber quantas horas do dia os assíduos freqüentadores da comunidade dedicavam ao home broker e ao estudo?

A comunidade “BM&FBovespa-A nova bolsa” foi escolhida porque o moderador da comunidade, Fábio Dozza de Miranda, mantém o foco das discussões centradas nos ativos de renda variável. Conectados no orkut e no home broker, os membros da comunidade informam ao longo do dia quais papéis estão subindo, caindo, ações que estão sendo colocadas à venda, quais as mais interessantes para compra e dados sobre empresas, por exemplo.

Entre os dias 26 e 27 de outubro, havia 23 respostas. O Felipe, de 23 anos, estudante de economia na Unesp, respondeu que acompanhava o pregão todo. Outro jovem, vestibulando de 17 anos, identificado como “Pomps” fica em frente ao home broker todo o tempo livre que tem durante o dia. Thiago, de 20 anos, que estuda à noite e faz os trabalhos durante o dia, explicou que não tem o número exato de horas de estudo, no entanto, fica mais ou menos cinco horas por dia no home broker. O participante da pesquisa, Rafael Miranda, de 22 anos, é formado em administração e, por enquanto, está sem estudar, gerenciando a loja do pai. Ele disse que está no home broker durante todo o pregão.

Na pesquisa, nove responderam que participam do pregão inteiro pelo home broker, enquanto o restante está na ativa de 2 horas a 7 horas. É importante ressaltar que os 23 participantes da pesquisa têm entre 17 e 49 anos, com atuações em diferentes áreas.

Hoje, 68 corretoras disponibilizam o home broker aos seus clientes. Considerando o cadastro de pessoas físicas (CPF), registrado pelas corretoras e agentes de custódia, até o final de setembro de 2009, havia 33.748 contas abertas de jovens, de 16 a 25 anos, ou seja, 6,5% do total de 515.506 contas de pessoas físicas na bolsa. Isso não significa que todos os jovens cadastrados operam home broker. Mas, a participação deles tem sido crescente.

Segundo o professor de finanças do Insper Instituto de Pesquisa e Ensino (ex- Ibmec São Paulo), Ricardo Almeida, nas classes de graduação com 60 alunos por sala, em média, cerca de 30% da sala manifesta que opera na bolsa nas aulas. “O acesso ao home broker facilita o aprendizado dos alunos. Ficam mais avançados em relação ao que está sendo exposto”, afirma Almeida.

“ Sempre explico aos alunos que o crescimento da economia e das empresas, daqui a uns 20 e 30 anos, levará o Brasil a outro patamar, sendo que a distribuição de riqueza à população se dará por meio da bolsa”, diz o professor ao mencionar a importância da prática dos jovens no home broker. “Muitos deles até descobrem que querem trabalhar na área”, completa.

A psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, professora de Psicologia do Investidor na FIPECAFI e representante do Brasil na Iaerp (International Association for Research in Economic Psychology), avisa que, em casa, o jovem consegue facilmente justificar aos pais a permanência exagerada dele no home broker. “A bolsa está subindo”; “Estou trabalhando e pensando no meu futuro”, “É a oportunidade para eu ganhar muito dinheiro”. “Qualquer desculpa esfarrapada será considerada pelos pais ou responsáveis”, diz Vera Rita.

Segundo a especialista em psicologia econômica, o Brasil está vivendo uma fase de muito otimismo, de expansão do mercado de capitais, de expectativa de ganhar dinheiro rápido. “Mas, a preocupação tem de ser maior com o adolescente do que com os adultos porque os jovens estão em uma fase de definição de identidade, agem com impetuosidade, seguem o que os outros colegas fazem. O comportamento de manada do adolescente é bem mais forte do que o de um adulto, somada à preocupação da falta de controle e de uma futura compulsão, principalmente, operando no day trade”, diz.

Acompanhando há cinco anos as operações de compra e venda de opções sem garantia, feitas por pessoas físicas, entre 20 e 30 anos, o operador Fernando Montanari, da Link Investimentos, diz que está cansado de ver investidores colocando R$ 1 mil, R$ 2 mil, R$ 3 mil a cada dia e, no final, 99% quebra ou muda de estratégia. “Só uma única vez um investidor ganhou uma bolada e parou de operar”, completa.

“O divisor de águas entre o comportamento normal e o patológico é a perda de controle e o conseqüente exagero com prejuízos pessoais, sociais e financeiros. O comportamento é muito parecido com o de jogadores compulsivos e pode ser considerado um transtorno do impulso”, diz o médico psiquiatra e coordenador do Ambulatório de Jogo Patológico e Outros Transtornos (AMJO), Hermano Tavares.

Segundo o médico, os adultos com problemas relacionados ao home broker já procuraram o ambulatório. A dificuldade é que o portador desse problema tenta muitas vezes interrompê-lo ou controlá-lo, mas fica inquieto, ansioso e angustiado diante a possibilidade de perder boas oportunidades de negócio, então retoma a atividade, ampliando as dívidas.

É importante que os jovens aprendam sobre o investimento de longo prazo, com o objetivo de formar patrimônio e não de riqueza imediata. É preciso construir algo com propósito claro, trocar idéias com especialistas no assunto, fazer planejamento, estudar para continuar crescendo , diz Vera Rita.

Dinheiro rápido e imediato não existe. O importante é não esquecer que uma carreira, um nome e uma marca não começam da noite para o dia. É resultado de estudo, dedicação, persistência, competência, talento e, claro, ter coragem de correr riscos e sonhar muito, mas na proporção certa, explica o consultor especializado em administração do tempo e produtividade pessoal, Christian Barbosa.

 

 

Na semana de estréia, IOF tem impacto reduzido no Ibovespa

Adriana Aguilar      26/10/2009

iofOs profissionais que acompanham o principal índice da bolsa, o Ibovespa, acreditam que o reflexo da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de investimentos estrangeiros em renda fixa e renda variável é temporário. Pelo menos, na semana passada, a medida não foi suficiente para provocar a saída em massa de estrangeiros e nem para impor mudança no ritmo do Ibovespa, com ganho de 73% de janeiro até 23 de outubro. No curto prazo as aberturas de capital e oferta de ações, que somaram R$ 37 bilhões em 2009, dos quais 65% vieram de estrangeiros, sejam mais prejudicadas.

No acumulado de outubro, até o dia 23, o investimentos dos estrangeiros em ações brasileiras somaram US$ 13,025 bilhões. Deste total, US$ 8,761 bilhões foram aplicados na compra de ações negociadas exclusivamente no País. O restante dos recursos foi alocado em recibos de ações brasileiras (ADRs) negociados em outros mercados, como o de Nova York, segundo dados do Banco Central.

O resultado de outubro até o dia 23 – maior da série histórica em relação ao total dos investimentos em ações brasileiras (incluindo os ADRs) e ao que foi aplicado em ações negociadas dentro do País – levou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes a dizer que ainda era cedo para avaliar o impacto da medida do IOF na bolsa, segundo entrevista publicada no UOL.

Exatamente em 20 de outubro, data do anúncio da taxa de 2% de IOF sobre a entrada de recursos externos para investimentos em renda variável e renda fixa, a BM&F Bovespa registrou a saída de de R$ 1,262 bilhão em capital externo. Logo que foi colocado em prática, em 21 de outubro, a debandada foi menor, com registro de saída de mais R$ 468 milhões.

Em relação ao movimento do Ibovespa, em 20 de outubro, quando houve o anúncio da taxação do IOF, o índice teve queda de 2,88%. No dia seguinte (21/10), o índice fechou com alta de apenas 0,28%, aos 65.485,59 pontos. Na seqüência (22/10), a alta do Ibovespa ficou em 0,99%, fixado em 66.134 pontos. Sexta-feira passada (23/10), o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 1,63%, aos 65.058,84 pontos.

Márcio Noronha, analista técnico da Link Trade, no chat realizado no dia 20 de outubro, explicara que em primeiro momento a notícia da cobrança do IOF teria efeito baixista. Mas, como as forças predominantes são altistas, é provável que o impacto inicial seja descontado rapidamente. Para Noronha, a expectativa é de que o Ibovespa siga rumo ao 73.920.

No passado, a bolsa foi taxada em 1,5% para os estrangeiros. O evento do IOF não tem a menor importância para a visão de médio prazo, explicou Noronha. O problema é conseguir identificar no relógio do mercado que hora é agora: de alta ou de baixa? Dependendo da hora, um mesmo evento pode ser altista ou baixista. “Em princípio, o relógio em que vejo as horas está marcando alta, mas ainda não consegui identificar se estamos no final do ciclo ou não. Precisarei de mais alguns desdobramentos nos próximos dias”, disse Noronha.

O analista técnico da Gradual Investimentos, Luiz Cavina, na apresentação feita à TV Gradual, no dia 23, explicou que, quando o Ibovespa ultrapassar os 67.530, poderá seguir em direção aos objetivos de 69.000, 70.000 e 70.675 pontos. Do lado da realização, deve cair até 64.645, 64.075, 63.550 e 63.400. Abaixo deste patamar, poderia seguir em queda rumo ao último suporte de 62.000 pontos.

Cavina lembrou a importância do mercado lá fora, especificamente, nos índices Dow Jones e S&P500. Qualquer movimento de queda mais forte, poderia influenciar o Brasil, explicou.

 

 

Qual o melhor período para o início do investimento em renda variável?

Adriana Aguilar      05/10/2009

As oscilações (sobe e desce) dos preços das ações na bolsa ocorrerão muitas vezes, seja por fatores internos ou externos. É importante que o investidor esteja preparado para isso. A entrada lenta e constante na bolsa em qualquer mês ou ano e, da mesma maneira, a saída devagar do investidor é uma estratégia de investimentos em renda variável apropriada às pessoas físicas que não estão munidas de análises sobre o cenário econômico do país e do mundo.

O consultor de investimentos do Instituto de Educação Financeira (IEF), Jurandir Sell Macedo, sugere que a aplicação em renda variável seja feita mensalmente por um longo prazo e, mais tarde, retirada lentamente, também em parcelas mensais.

Em um estudo realizado, Macedo verificou que o investimento constante em ações, com uma retirada diluída no tempo, mostrou-se mais rentável, além de menos volátil. O retorno foi maior do que na hipótese de retirar todo o capital em um único mês. “O preço perdido em uma fase de crise, em algum momento será recuperado por outra fase de crescimento”, explica.

Na média, a rentabilidade dos investimentos mensais feitos na bolsa, por um longo período, tende a ser positiva com o passar dos anos. A aplicação constante em ações, por mais de 10 anos, é considerada de baixo risco por alguns profissionais.

A simulação feita pela corretora Geração Futuro (veja tabela abaixo) mostra três perfis de pequenos investidores: aquele que aplica R$ 100,00 todo mês, outro que coloca R$ 500,00 mensalmente e, por fim, o investidor que consegue reservar a quantia maior de R$ 945,00 para aplicar em ações em cada mês.

Ao longo de 12 anos, a simulação apresenta o montante acumulado em três tipos de produtos: caderneta de poupança, em algum fundo indexado ao índice Ibovespa e em um fundo de ações ativo (Geração Futuro FIA). O período, para o cálculo da simulação, teve início em 18 de junho de 1997 até 1 de outubro de 2009.

Nota-se, no quadro abaixo, que o fundo de ações ativo acumulou mais do que o dobro da quantia presente no fundo de ações, atrelado ao Ibovespa.
gerafuturo

 

 

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