Bolsa brasileira é a segunda que mais encolheu entre 110 países

Adriana Aguilar      29/05/2013

A bolsa de valores brasileira foi a que mais encolheu em número de empresas listadas, com redução de 18,3% no período de 2008 a 2012, perdendo apenas para os Estados Unidos – país de origem da crise financeira global, em março de 2007, que freou crescimento da economia mundial em 2008 e 2009.

Se considerado apenas os 27 países que respondem por 90% do total de empresas listadas (40.700) no estudo do Banco Mundial, a primeira posição no encolhimento de empresas listadas é dos Estados Unidos. Na segunda colocação, está a bolsa brasileira. O estudo do Banco Mundial considerou 110 países com 45.261 empresas listadas em dezembro de 2012.

O Brasil encerrou 2012 com apenas 353 empresas listadas em bolsa, ocupando a posição de 23º no ranking global em número de empresas, de acordo com o estudo do Banco Mundial.

Mesmo o Brasil apresentando o 7º maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, a bolsa brasileira fica abaixo do Paquistão (43º PIB), Bulgária (75º PIB), Mongólia (129º PIB) e Vietnam (57º PIB), quando comparado o número de empresas listadas nas bolsas entre 110 países.

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10 mandamentos do bilionário investidor brasileiro

Adriana Aguilar      03/11/2009

ParisottoLirio Parisotto, com 55 anos, começou 2009 com R$ 1,123 bilhão, avançando para R$ 2,186 bilhões em outubro. Tudo aplicado em ações. Enquanto o Ibovespa subiu 72,79% em 12 meses até 9 de outubro, o fundo do bilionário registrou 122,18% de alta no mesmo período.

A maneira como Parisotto olha o próprio investimento é muito particular. Na carteira de ações dele há 12 papéis, não mais do que isso. Quando uma nova ação entra, alguma sai. A carteira só é movimentada quando ocorrem fatos excepcionais. “Não invisto em empresa que dá problema. Deu prejuízo, vai embora. A Braskem me deu dissabor e não está mais na carteira”, disse Lirio Parisotto durante palestra aos clientes da corretora Geração Futuro, em 9 de outubro.

Capas de variadas revistas, abordando a bem sucedida experiência dele no mercado de ações, Lirio Parisotto afirma gostar da exibição, com o objetivo de mostrar aos leitores que, a exemplo dele, não se deve perder a cabeça quando o Ibovespa despenca.

O empresário, entre 1986 e 1987, perdeu 300 mil dólares ao investir em um momento de pico da bolsa, quando o índice estava no topo. Outro erro cometido, na mesma aplicação, foi ter usado dinheiro do capital de giro, que mais tarde fundaria a empresa Videolar, hoje líder na fabricação e distribuição de DVDs, CDs, fitas VHS e mídia virgem no Brasil. Parisotto não está no comando da Videolar. Mas,integra o conselho de administração da empresa.

Os erros cometidos no passado serviram de aprendizado. No decorrer dos anos seguintes, o empresário multiplicou várias vezes sua fortuna com a renda variável. “Sempre digo que a queda do mercado é uma promoção. Na liquidação das lojas, a pessoa vai às compras para pegar descontos de 15%, 20%, 30% nas peças. O mercado de ações faz isso regularmente, só que as pessoas, em vez de aproveitar a promoção, vão lá e vendem mais”, diz o investidor.

“O meu critério de investimento, hoje, são três segmentos: bancos, energia elétrica, siderurgia e mineração. Eu não tenho nada fora disso. Para não dizer que tenho nada, tenho 2% ou 3% de coisas exóticas”, afirma Lírio.

Se eu tivesse Petrobras, a minha performance este ano estaria abaixo do Ibovespa. “Acho a Petrobras uma excelente empresa como negócio, o problema é a gestão da companhia. Enquanto o preço do barril, no mercado internacional, sobe ou desce, o combustível destinado ao consumidor continua inalterado”, explica.

O bilionário também tem uma opinião formada sobre o setor de construção, com mais de 20 empresas com capital aberto. “Nenhum País do mundo tem esta quantidade de empresas. Além disso, as tentações são muito grandes neste segmento, como a compra de um terreno subavaliado, venda de um imóvel abaixo do preço, subfaturamento. Eu prefiro trabalhar com segmentos mais protegidos a correr outros riscos”, diz.

Dentre os critérios usados na escolha das ações, Parisotto afirma que um dos mais importantes é o Preço/Lucro (P/L). O segundo critério é o Dividend Yield que as empresas oferecem de remuneração. O dividend yield é visto por Parisotto como dinheiro novo que entra para a compra de mais ações.

Outro critério relevante, para a eleição das 12 empresas que entram na carteira dele, é a liquidez, ou seja, a situação de solvência da companhia, que seria o seguinte: de cada R$ 1,00 devido pela empresa, quantos outros reais a companhia tem em caixa ou em contas a receber. Não vale conta estoque.

O experiente investidor também diz que é bom ficar de olhos bem abertos nas atitudes dos empresários que estão no comando de empresas negociadas na bolsa. “Quer saber se o executivo trabalha de verdade? Veja se ele contrata auditor ou consultor. Se há o costume de trazer consultores, caia fora da empresa porque o executivo não está fazendo o dever de casa. Fique longe de empresas que contratam muita consultoria”, afirma.

Abaixo, estão os 10 mandamentos do investidor bilionário, Lírio Parisotto:

1) NÃO PERCA TEMPO COM IPO, VOCÊ PAGA A CONTA LITERALMENTE

Eu aviso que IPO é aventura de capital. É feito “road show”, festa, contratação de bancos, impressão de materiais de primeira qualidade, anúncios em jornais. Sabe quem paga a conta? Adivinhe? Você que aplica nas ações! Quem subscreve as ações paga literalmente a conta. Não vou dizer que 100% dos IPOs são maus negócios. Em toda regra, há uma exceção. Mas, é duro ganhar a vida com IPO. Na prática, se você comprar as ações, vai pagar as contas dos envolvidos no IPO. Não deveria ser feito dessa forma. É necessário um controle maior do mercado sobre esta prática.

2) POUCA DIVERSIFICAÇÃO! UMA AÇÃO POR MÊS É MAIS QUE SUFICIENTE

Quanto mais empresa você colocar na sua carteira, maior é a prova que você não acredita naquilo que está comprando. Tenho 12 ações em minha carteira porque, com 55 anos, já não tenho a coragem e a personalidade de escolher só dois papéis. No final do ano, quem vai fazer a diferença de rentabilidade são duas ou três ações apenas. É importante ter poucas ações em carteira para acompanhar bem cada uma das companhias. Devem ser analisados os balanços, balancetes, evolução dos produtos no mercado, atitude dos executivos das empresas, por exemplo.

3) NUNCA COMPRE COISA QUE VOA, NEM QUE FABRICA O OBJETO VOADOR, COMÉRCIO VAREJISTA IDEM

Este é o meu conceito. Vou mencionar várias empresas varejistas que quebraram nos últimos anos. Talvez, você nem se lembre mais: Mesbla, Mappin, Arapuã, Casas Centro, Lojas Hermes Macedo, Rede de eletrodomésticos Brastel, G. Aronson, Lojas Brasileiras. Mencione uma siderúrgica que quebrou? Se souber de uma companhia elétrica que quebrou, apesar do racionamento em 2000, me avise. Não pode quebrar empresa de energia elétrica. No entanto, no setor aéreo, três grandes companhias quebraram em um instante: Varig (sobrevivendo com nome de terceirizada), Transbrasil e Vasp.

4) FIQUE LONGE DAS EMPRESAS COM SEDE EM PAÍSES EXÓTICOS

Nós temos de olhar as leis brasileiras que já são difíceis de serem interpretadas e seguidas corretamente. Imagine a dificuldade para analisar uma empresa criada em outro país. Ou de uma empresa que se transfere para o exterior para depois abrir capital aqui. Não são muitas, mas existem alguns casos a serem evitados.

5) NÃO COMPRE EMPRESA QUE DÊ PREJUÍZO, EMPRESA COM LUCRO NÃO QUEBRA

Parece óbvio, mas as pessoas ainda seguem dicas. Todo mundo tem uma dica quente. Deixo a dica para você usar da melhor forma possível, porque eu não quero saber de nada quente.

6) LIQUIDEZ É FUNDAMENTAL, PRECISAMOS SEMPRE DA PORTA DE ENTRADA E DE SAÍDA

Há por volta de 500 empresas de capital aberto. Do total, na bolsa, apenas 300 são negociadas duramente. Destas, umas 10 devem ser responsáveis por 80% das negociações registradas. Quando você aplica em empresas que ficam dias sem negociar, terá entraves. Se quiser gastar R$ 1 milhão, não conseguirá comprar. Imagine a dificuldade na hora de vender os papéis! Basta uma quantia ínfima para a ação apresentar valores que não são reais, gerando informação manipulada.

7) PROCURE COISA BOA E BARATA, BOM TEM BASTANTE, BARATO IDEM. AS DUAS JUNTAS SÃO DIFÍCEIS

Cuidado com o Preço/Lucro (P/L) absurdo que algumas companhias apresentam. Não adianta dizer que a empresa é boa, precisando esperar 50 anos de lucro para se chegar ao preço dela no mercado. Fuja destas. Em média, o P/L no Brasil está em torno de 15. Nos países de primeiro mundo, Japão, Estados Unidos e da Europa, O P/L está em torno de 30. No Brasil, tem muita empresa boa e barata.

8) NUNCA DÊ OUVIDOS A ESPÍRITOS SANTOS DE ORELHA, FAÇA O DEVER DECASA: ANALISE E AVALIE

Até meados de 2008, todos eram o gênio da bolsa. Era fácil ganhar dinheiro com o mercado de capitais em alta, subindo há cinco anos direto. A única diferença é que um ganhava muito e ou outro, menos. No movimento de queda da bolsa, não há motivo para vender as ações se for feita a análise e a avaliação correta dos números da companhia. O dinheiro tem de ser aplicado almejando o longo prazo. Não venda o papel da companhia por causa do mercado. Tenha bastante cuidado em quem vai investir, pois aí mora o perigo. Os gráficos sempre buscam o maior do passado.

9) TENHA CORAGEM E PERSONALIDADE DE ENFRENTAR A MARÉ CONTRÁRIA, CONTROLE O MEDO NA QUEDA E A GANÂNCIA NA ALTA

Quando o mercado cair, com os preços das ações já reduzidos, não saque o que continua aplicado. Controle seu medo e coloque mais dinheiro. No movimento de alta, também é difícil saber a hora exata de sair. Às vezes, após o saque do dinheiro, o mercado continua andando mais 10%, mais 20% e você fica se martirizando por estar perdendo a oportunidade. Também não faça nada. Não vai comprar novamente as ações dois meses após a venda. É difícil de controlar o impulso.

10) APOSTE NUM AZARÃO, SÓ PARA TER MOTIVO DE SE DESAFIAR E DIVERTIR-SE

Investir é divertimento. Divirta-se e aproveite a vida. Não fique estressado, mal humorado, tenso e preocupado a ponto de perder o sono, deixar de estar com a família, prejudicando o trabalho…tudo porque a bolsa subiu ou caiu. O fato de sobrar dinheiro para você aplicar em ações, já sinaliza que você é uma pessoa diferenciada. Dentre as 12 ações presentes em minha carteira, sempre tive um azarão. Para mim, azarão não é subir 100%, mas trabalhar para a ação valer de 3 a 4 vezes mais. Já foi o azarão da minha carteira o papel da Randon, quando custava R$ 0,20 ou R$ 0,30 centavos em 2002 ou 2003. Depois, chegou a valer R$ 20,00.

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Empolgação no home broker exige cautela

Adriana Aguilar      28/10/2009

homebrokerMilhões de reais negociados diante dos olhos de jovens, colados na telinha do home broker, comprando ou vendendo ações em casa. São horas a fio de conexão direta ao mercado de renda variável. Talvez, passem o dia todo no pregão, em detrimento dos estudos e de cuidados com a saúde. A importância da disseminação de conhecimento sobre o mercado de capitais aos jovens é indiscutível. Como também o desenvolvimento de competência e habilidade da pessoa física para os investimentos. Mas, é o momento de prestar atenção nas iniciativas exageradas dos jovens na frente do home broker, da mesma forma como são dados os alertas para quem fica grudado em um vídeo game.

O responsável pela área Educacional do Link Trade, o home broker da corretora Link Investimentos, Fábio Calderaro, explica que faz cerca de cinco palestras em diferentes Estados, todo mês. “Tem me chamado a atenção os adolescentes que faltam às aulas para ouvir as palestras de renda variável. Acham que o investimento em ações resolverá a vida deles rapidamente. O problema é que a grande empolgação pode se transformar em prejuízo com o passar dos anos, se os estudos ficarem para segundo plano”, explica.

Pesquisa feita no website Orkut, especificamente na comunidade chamada “BM&FBovespa-A nova bolsa”, criada há cinco anos e com 12.160 membros, procurou saber quantas horas do dia os assíduos freqüentadores da comunidade dedicavam ao home broker e ao estudo?

A comunidade “BM&FBovespa-A nova bolsa” foi escolhida porque o moderador da comunidade, Fábio Dozza de Miranda, mantém o foco das discussões centradas nos ativos de renda variável. Conectados no orkut e no home broker, os membros da comunidade informam ao longo do dia quais papéis estão subindo, caindo, ações que estão sendo colocadas à venda, quais as mais interessantes para compra e dados sobre empresas, por exemplo.

Entre os dias 26 e 27 de outubro, havia 23 respostas. O Felipe, de 23 anos, estudante de economia na Unesp, respondeu que acompanhava o pregão todo. Outro jovem, vestibulando de 17 anos, identificado como “Pomps” fica em frente ao home broker todo o tempo livre que tem durante o dia. Thiago, de 20 anos, que estuda à noite e faz os trabalhos durante o dia, explicou que não tem o número exato de horas de estudo, no entanto, fica mais ou menos cinco horas por dia no home broker. O participante da pesquisa, Rafael Miranda, de 22 anos, é formado em administração e, por enquanto, está sem estudar, gerenciando a loja do pai. Ele disse que está no home broker durante todo o pregão.

Na pesquisa, nove responderam que participam do pregão inteiro pelo home broker, enquanto o restante está na ativa de 2 horas a 7 horas. É importante ressaltar que os 23 participantes da pesquisa têm entre 17 e 49 anos, com atuações em diferentes áreas.

Hoje, 68 corretoras disponibilizam o home broker aos seus clientes. Considerando o cadastro de pessoas físicas (CPF), registrado pelas corretoras e agentes de custódia, até o final de setembro de 2009, havia 33.748 contas abertas de jovens, de 16 a 25 anos, ou seja, 6,5% do total de 515.506 contas de pessoas físicas na bolsa. Isso não significa que todos os jovens cadastrados operam home broker. Mas, a participação deles tem sido crescente.

Segundo o professor de finanças do Insper Instituto de Pesquisa e Ensino (ex- Ibmec São Paulo), Ricardo Almeida, nas classes de graduação com 60 alunos por sala, em média, cerca de 30% da sala manifesta que opera na bolsa nas aulas. “O acesso ao home broker facilita o aprendizado dos alunos. Ficam mais avançados em relação ao que está sendo exposto”, afirma Almeida.

“ Sempre explico aos alunos que o crescimento da economia e das empresas, daqui a uns 20 e 30 anos, levará o Brasil a outro patamar, sendo que a distribuição de riqueza à população se dará por meio da bolsa”, diz o professor ao mencionar a importância da prática dos jovens no home broker. “Muitos deles até descobrem que querem trabalhar na área”, completa.

A psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, professora de Psicologia do Investidor na FIPECAFI e representante do Brasil na Iaerp (International Association for Research in Economic Psychology), avisa que, em casa, o jovem consegue facilmente justificar aos pais a permanência exagerada dele no home broker. “A bolsa está subindo”; “Estou trabalhando e pensando no meu futuro”, “É a oportunidade para eu ganhar muito dinheiro”. “Qualquer desculpa esfarrapada será considerada pelos pais ou responsáveis”, diz Vera Rita.

Segundo a especialista em psicologia econômica, o Brasil está vivendo uma fase de muito otimismo, de expansão do mercado de capitais, de expectativa de ganhar dinheiro rápido. “Mas, a preocupação tem de ser maior com o adolescente do que com os adultos porque os jovens estão em uma fase de definição de identidade, agem com impetuosidade, seguem o que os outros colegas fazem. O comportamento de manada do adolescente é bem mais forte do que o de um adulto, somada à preocupação da falta de controle e de uma futura compulsão, principalmente, operando no day trade”, diz.

Acompanhando há cinco anos as operações de compra e venda de opções sem garantia, feitas por pessoas físicas, entre 20 e 30 anos, o operador Fernando Montanari, da Link Investimentos, diz que está cansado de ver investidores colocando R$ 1 mil, R$ 2 mil, R$ 3 mil a cada dia e, no final, 99% quebra ou muda de estratégia. “Só uma única vez um investidor ganhou uma bolada e parou de operar”, completa.

“O divisor de águas entre o comportamento normal e o patológico é a perda de controle e o conseqüente exagero com prejuízos pessoais, sociais e financeiros. O comportamento é muito parecido com o de jogadores compulsivos e pode ser considerado um transtorno do impulso”, diz o médico psiquiatra e coordenador do Ambulatório de Jogo Patológico e Outros Transtornos (AMJO), Hermano Tavares.

Segundo o médico, os adultos com problemas relacionados ao home broker já procuraram o ambulatório. A dificuldade é que o portador desse problema tenta muitas vezes interrompê-lo ou controlá-lo, mas fica inquieto, ansioso e angustiado diante a possibilidade de perder boas oportunidades de negócio, então retoma a atividade, ampliando as dívidas.

É importante que os jovens aprendam sobre o investimento de longo prazo, com o objetivo de formar patrimônio e não de riqueza imediata. É preciso construir algo com propósito claro, trocar idéias com especialistas no assunto, fazer planejamento, estudar para continuar crescendo , diz Vera Rita.

Dinheiro rápido e imediato não existe. O importante é não esquecer que uma carreira, um nome e uma marca não começam da noite para o dia. É resultado de estudo, dedicação, persistência, competência, talento e, claro, ter coragem de correr riscos e sonhar muito, mas na proporção certa, explica o consultor especializado em administração do tempo e produtividade pessoal, Christian Barbosa.

 

 

Ação da BM&F Bovespa cai 7,4% na semana

Adriana Aguilar      22/10/2009

iofNos últimos sete dias, a ação da ação da BM&F Bovespa, negociada sob o código BVMF3, registrou queda de 7,4% até o dia 22 de outubro. Está entre os papéis mais prejudicados com a taxação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com alíquota de 2%, sobre a entrada de dólares em renda variável e renda fixa no Brasil. No dia do anúncio da nova taxa, em 20 de outubro, a ação ordinária BVMF3 despencou 8,41%.

Na prática, o imposto de 2% diminui as aplicações dos estrangeiros na bolsa, reduzindo a corretagem e provocando queda na receita para da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F).

Com a nova cobrança, fica mais barato para o estrangeiro comprar e vender diretamente ADRS (American Depositary Receipts) lá fora, na bolsa americana. As grandes empresas brasileiras, listadas na BM&F Bovespa, costumam emitir recibos de ações na bolsa de Nova York. São as chamadas ADRs.

Apenas grandes empresas têm condições de emitir ADRs lá fora devido aos custos e exigências. É necessário emitir balanços dentro do padrão contábil americano, o US GAAP, atender exigências de governança corporativa previstas na Lei Sarbanes-Oxley, além de aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Securities and Exchange Commission (SEC), o xerife do mercado de capitais nos Estados Unidos.

Segundo a analista da Link Investimentos, Mariana Taddeo, dentre as empresas listadas no Brasil e com ADRs lá fora, o volume negociado aqui representa 48% do total da bolsa. No entanto, há uma estimativa que do volume total (com listagem dupla), o fluxo de estrangeiros representaria aproximadamente 37%.

Desta forma, no pior dos cenários, poderia haver uma migração de 18% do volume total negociado em bolsa. “Não acredito que haverá uma migração em massa de 18%”, disse a analista durante o chat realizado em dia 21 de outubro.

A Link Investimentos, por enquanto, indica compra para BVMF3, com preço alvo de R$ 15,20 para dezembro de 2010. Em 22 de outubro, a ação foi cotada em R$ 12,75.

Mas, com a taxação do IOF, a corretora Bradesco já reduziu a recomendação para BMVF3. “Agora, temos uma expectativa de desempenho similar ao Ibovespa. Antes, nossa expectativa era de valorização em patamar superior ao índice”, consta no relatório da corretora Bradesco, divulgado no dia 21 de outubro, a ação BVMF3 apresentava preço alvo de R$ 14,60.

Para a corretora Bradesco, o fluxo de ações no Brasil deverá recuar à medida que a negociação também diminui, reduzindo a velocidade de rotação.

As operações de arbitragem serão prejudicadas com a taxação de 2% na entrada dos investimentos dos estrangeiros. No caso das operações de day trade, que geram ganho no final do dia, a liquidação é online, sem a necessidade de entrada de recursos externos e pagamento do IOF para a compra de outros papéis, a não ser que ocorram perdas.

No mercado, comenta-se sobre o artifício para o IOF deixar de ser pago. O investidor estrangeiro tem a opção de comprar as ADRS (recibos de ações) na bolsa americana e, depois, pedir o cancelamento delas. Quando ele faz isso, recebe as ações que estão custodiadas aqui no Brasil.

O estrangeiro pode vender as ações recebidas aqui e comprar outras na bolsa de São Paulo. Como o IOF só é cobrado no fechamento do contrato de câmbio na entrada de recursos, ao receber as ações custodiadas aqui, o estrangeiro estaria livre do IOF, pois, na prática, não houve entrada de recursos.

Na avaliação da equipe de análise da Link Investimentos, a taxação de 2% na entrada dos investimentos vindos de fora também é negativa para o mercado de capitais brasileiro que ainda está em desenvolvimento. O efeito da nova regra também seria a inibição do crescimento do fluxo de capital estrangeiro. Além disso, as ofertas de ações também poderão ser prejudicadas com a menor demanda de estrangeiros.

Por meio de um comunicado, a BM&F Bovespa explica que fará o possível para reverter totalmente a medida por meio de diálogo com o Governo. Caso não tenha sucesso, uma segunda idéia seria discriminar capital de curto prazo especulativo de capital de longo prazo, beneficiando estes segundos.

A bolsa acredita que não deverá haver migração massiva para a negociação de ADRS. Muitos profissionais do mercado de capitais avaliam que a taxação do IOF na entrada de capital estrangeiro é temporária e, mesmo não obtendo sucesso na tentativa de reverter a medida, no futuro, o Governo poderá novamente alterar a cobrança, como já fizera no passado.

 

 

Elas chegam com maior velocidade na bolsa

Adriana Aguilar      14/10/2009

investidorasDe 2002 a setembro de 2009, a presença feminina na BM&F Bovespa cresceu 712%, enquanto que o público masculino aumentou 468% no mesmo período. Se o ritmo se mantiver nos próximos anos, o número de contas femininas em todas as corretoras, 121.076, será igual ou até maior do que as 394.430 contas, com titulares do sexo masculino, existentes hoje.

Os números da BM&F Bovespa retratam a mudança de cenário que está ocorrendo no Brasil. Segundo o estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no início de outubro, a presença das mulheres no mercado de trabalho subiu de 25,9%, há 11 anos, para 34,9% no ano passado, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais (SIS).

Entre 1998 e 2008, o percentual de mulheres de 20 a 24 anos que só trabalham, sem realizar afazeres domésticos, aumentou de 38,1% para 42,1%. Entre os homens, o aumento foi menor (de 63,6% para 64,7%), embora estes ainda estejam mais presentes no mercado de trabalho. Já percentual de mulheres com apenas um filho, cujo rendimento “per capita” é superior a dois salários mínimos, cresceu de 33,0% para 40,3% no mesmo período.

A Síntese de Indicadores Sociais mostra que, mesmo com uma maior escolaridade, a proporção de mulheres dirigentes (4,4%) ainda é inferior à proporção dos homens (5,9%). As mulheres ganham menos em todas as posições ocupadas. No Sul, Sudeste e Centro Oeste, as diferenças são acentuadas entre homens e mulheres em contraposição ao Norte e Nordeste, mostra o estudo.

Reflexos desse retrato da sociedade brasileira podem ser notados também nos volumes aplicados no mercado de renda variável pelos dois sexos. Como não poderia deixar de ser, na bolsa, quando se toma como parâmetro o volume de investimento, a predominância ainda é masculina.

Dos R$ 90,82 bilhões aportados em ações por pessoas físicas, até setembro passado, quase 79% vieram dos homens, enquanto que o restante, 21% do total, é proveniente de aplicações das mulheres no acumulado dos últimos oito anos.

No auge da carreira profissional, a fatia de mulheres com idade entre 26 e 35 anos é maioria, representando quase 25% do total do número de investidoras. A mesma faixa de idade também é a maior fatia no universo masculino, sendo 29% do total.

Em relação aos bilhões aplicados em renda variável, a faixa de idade com aportes mais polpudos fica acima dos 66 anos, tanto para as mulheres como os homens.

BOLSA-MulheresXHomens

 

 

Commodities agrícolas continuam com preços elevados

Adriana Aguilar      31/08/2009

tabelaCommoditiesParte das commodities agrícolas acumula alta neste ano, depois do baque provocado pela crise financeira global no segundo semestre do ano passado. Soja, açúcar, café continuam subindo devido, principalmente, aos movimentos especulativos do mercado, segundo análise dos especialistas consultados.

Para o economista e diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, há uma profunda desorganização de preços das commodities agrícolas. Os fundamentos de oferta e demanda para parte dos produtos negociados nas bolsas de Chicago (milho, soja e trigo) e de Nova York (açúcar, café), foram colocados em segundo plano, prevalecendo os movimentos dos fundos de investimentos.

“Há especulação no mercado futuro para valorização dos ativos agrícolas em um momento em que a economia mundial está em recessão, sem sinais sólidos de recuperação. É uma situação perigosa para o investidor, pois a qualquer momento poderá haver uma correção de preços, resultando em uma queda inesperada do preço da commodity”, afirma o economista.

Neste ano, a soja registrou valorização de 9,90% na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBOVESPA). O analista do mercado de soja da Intertrading Agentes Autônomos de Investimento, Carlos Alexandre Gallas, explica que o preço da soja continua subindo, sem grandes fundamentos.

A produtividade continua alta nos Estados Unidos, sem qualquer problema climático. “Diante desse cenário, somente a continuidade da aplicação dos fundos de investimento na commodity agrícola, aliada à recuperação das principais economias mundiais, e uma provável alta na inflação poderiam ainda elevar o preço no próximo ano”, diz. As condições são bastantes remotas.

Silveira explica que o pequeno investidor precisa ficar atento ao estoque da soja, com previsão de crescimento de produção na safra 2009/2010. A conjunção dos fatores: aumento de estoque e famílias consumindo menos após a queda de renda, mostra que a sustentação de preço é artificial, sem correspondência com o cenário macroeconômico.

A valorização do açúcar na casa dos 40% na BM&FBOVESPA, no primeiro semestre do ano também chama a atenção. A pesquisadora da área Sucroalcooleira do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Universidade de São Paulo (USP), Mirian Bacchi, explica que o aumento do preço está relacionado à diminuição da oferta no mundo. Mas, no Brasil, há a expectativa de aumento de produção entre 12,5% e 18,5% para a safra deste ano.

A explicação é que a Índia está produzindo menos porque realocou para outros produtos. Devido à redução da oferta mundial, as exportações de açúcar do Brasil aumentaram de 2% a 23%, afirma a pesquisadora e professora da USP.
Nos anos de 2007 e 2008, o açúcar registrou os menores preços e, neste ano, quase dobrou. “Agora, os preços estão 55% maiores do que a média de abril e agosto de 2008”, explica Bacchi.

Para se ter uma idéia, a média do preço da saca de açúcar, de abril a agosto deste ano, ficou em torno de R$ 43,00 no mercado à vista, enquanto que, no mesmo período de 2008, estava em R$ 28,00 por saca. “Os preços dos contratos futuros do açúcar na bolsa de Nova York continuam elevados até julho de 2011, levando em conta a média histórica”, diz Bacchi.

“A alta do açúcar na bolsa está em patamar explosivo, incompatíveis com os fundamentos reais de produção e consumo”, diz Silveira. A demanda mundial do açúcar, ampliada pelas especulações do mercado, elevaram as cotações dos contratos futuros . Portanto, quem ficar na posição comprado ou vendido em soja, açúcar e milho, corre o risco de mudanças repentinas, conforme o deslocamento dos investidores que estão especulando o mercado.

Do início do ano até seis de agosto, o preço do milho negociado na BM&FBOVESPA caiu 19,43%, segundo dados da Intertrading Agentes Autônomos de Investimento (ver tabela). Uma parte da correção do preço da commodity já foi feita, no entanto, pode cair mais, se houver redução nas exportações do Brasil devido ao preço do milho nacional estar superior ao do norte-americano, explica o analista Carlos Alexandre Gallas. “A continuidade dos leilões de apoio à comercialização, realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), serão vitais para uma recuperação dos preços”, diz.

A situação se agrava quando levado em conta que, além do preço do milho interno superar o do milho norte-americano, lá fora ainda há um estoque acumulado do produto agrícola. O milho perdeu espaço para a soja nos Estados Unidos na safra 2009/2010. Os contratos futuros do milho, que vencerão depois da colheita, mantêm movimento de alta na Bolsa de Chicago. Já houve uma correção do preço para baixo e até há chance de subir um pouco.

Nos contratos futuros, a alta acumulada do café na BM&FBOVESPA no ano, até a primeira semana de agosto, corresponde a 24, 81%. Por ser uma cultura de caráter bianual, em função da natureza da planta, haverá redução da produção brasileira neste ano, com oferta restrita e até previsão de queda dos estoques para 2010. Este fato é um importante fator de sustentação do preço, impedindo que a queda de preço seja mais significativa, explica o economista da RC Consultores, Fábio Silveira.

Para a analista de mercado do Cepea, Camila Pirillo, pode haver uma leva alta do preço da commodity após agosto, quando a demanda por café nos países do hemisfério norte aumenta. Os leilões de contratos de opção de venda de café arábica, programados pela Conab, também devem estimular os preços. “Os dois fatores devem resultar em uma alta mais significativa do produto a partir de outubro”, explica.

Segundo Carlos Alexandre Gallas, a possibilidade de o governo intervir no mercado, comprando café, por meio dos leilões, mantém os produtores afastados. Por este motivo, a falta de produto de boa qualidade tem dificultado a realização dos negócios. A tendência dos preços para o café pode ser considerada de alta pelos estoques apertados e também pelo cenário positivo no mercado financeiro, com excesso de liquidez e taxas de juros baixas, projetando alta para a inflação.

 

 

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