Bancos enviam agentes às comunidades

Adriana Aguilar      10/11/2011

Os bancos privados estão intensificando a atuação de agentes entre pequenos empreendedores para ofertar o microcrédito produtivo orientado. O objetivo é trazer microempreendedores pessoas físicas, na informalidade ou não, para dentro do sistema de bancarização e de crédito.

Entre as instituições financeiras privadas, o Banco Santander se destaca na oferta de microcrédito produtivo e orientado. De 2002 até junho de 2011, o banco concedeu R$ 1 bilhão em microcrédito a 210 mil pequenos empreendedores.

“Nos últimos três anos, de 2008 a 2011, o Santander tem registrado crescimento médio de 25% ao ano no desembolso do microcrédito em comunidades de São Paulo (como Heliópolis e Paraisópolis) ou localidades e distritos da região Nordeste”, explica o superintendente de Microcrédito do Santander, Jerônimo Ramos.

De janeiro a junho de 2011, o desembolso de microcrédito produtivo e orientado somou R$ 183,6 milhões, aumento de 18% em relação aos R$ 155,3 milhões registrados no mesmo período de 2010. “O desembolso aos microempreendedores se intensifica no segundo semestre do ano, quando a tomada de microcrédito fica mais aquecida”, diz o superintendente de Microcrédito do Santander.

Hoje o Nordeste representa 80% da carteira de microcrédito produtivo orientado do Banco Santander. Os estados com maior participação são Pernambuco, com aproximadamente 25 mil clientes, Paraíba, com 19 mil e São Paulo tem 4 mil clientes. As mulheres representam quase 70% da base.

Cerca de 250 agentes de crédito do Santander visitam os microempreendedores para orientação financeira e planejamento do pagamento do empréstimo. Os financiamentos variam de R$ 200 a 15 mil reais e as parcelas de amortização, de 4 a 24 vezes. O tíquete médio do empréstimo está em torno de R$ 1.489, 00 por microempreendedor. A taxa de juro média do financiamento é de 2% ao mês.

“O perfil do cliente do microcrédito tem amadurecido. A partir do momento que o microempreendedor renova o crédito, com pontualidade no pagamento, intensificamos o relacionamento. Hoje, a taxa de renovação está na faixa de 80%. Trata-se de uma clientela fiel”, explica Jerônimo Ramos. O índice de adimplência do microcrédito no Santander está em 97%, com taxa de perda que não chega a 0,5%.

No Itaú Unibanco, os agentes de microcrédito vão até os clientes – microempreendedores tanto formais quanto informais, em geral das classes D e E. Ao analisarem o negócio, desenvolvem uma oferta de crédito para o fortalecimento da microempresa até a sua expansão. Atualmente, o banco Itaú mantém uma carteira com cerca de 4 mil clientes ativos de microcrédito. Do total, 81,52% são microempreendedores informais.

O microcrédito produtivo orientado é operado pelo Banco Itaú em comunidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Desde 2003 até junho de 2011, houve 32 mil operações de microcrédito. Os desembolsos totais somaram R$ 98,6 mil no mesmo período.

Com empréstimos que variam de R$ 400,00 a R$ 14,2 mil, o tíquete médio do empréstimo feito aos microempreendedores fica em torno de R$ 2,8 mil, pagos no prazo médio de 10 a 12 meses.

O Itaú Unibanco também realiza operações indiretas, repassando recursos para organizações que atuam com microempreendedores. Atualmente, são atendidas seis Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (oscips).

Segundo o responsável pela operação de microcrédito do Banco Itaú, Carlos Ximenes, para que os agentes de crédito passassem o dia na periferia, visitando e assessorando os microempreendedores, foram desenvolvidos sistemas tecnológicos para smartphones, com o objetivo de reduzir de sete para até um dia o prazo de concessão de crédito, eliminando o uso de papel na operação.

“Do campo de atuação, o agente envia os dados do cliente para a área de crédito do banco. Há 18 meses, a metodologia de crédito e de risco para os microempreendedores está em contínuo aprimoramento. Estivemos preocupados em desenvolver um arcabouço sólido para a metodologia do negócio. Os próximos três anos serão de testes do conhecimento acumulado. Nosso esforço de crescimento será mais visível”, afirma Carlos Ximenes.

Há cinco anos, a Fundação Citi (Citi Foundation) atua no microcrédito produtivo orientado de maneira indireta no Brasil, repassando recursos para organizações que capacitam os agentes de crédito e microempreendedores do setor formal e informal.

A Fundação Citi soma R$ 4 milhões de investimentos em projetos que envolvem programas de educação financeira, microfinanças, empreendedorismo, geração de renda, entre outros. Deste total, 65% teve como destino as organizações que atuam com o microcrédito produtivo e orientado para empreendedores.

“Repassamos para as organizações recursos a fundo perdido, ou seja, sem necessidade de reembolso, explica a superintendente de Assuntos Corporativos do Citi Brasil, Priscilla Cortezze. O acompanhamento da aplicação dos recursos é feito por meio de visitas, metas e relatórios semestrais.

A Fundação mantém parceria com quatro organizações que orientam e dão suporte aos microempreendedores: a Agência Nacional de Desenvolvimento Microempresarial (Ande), com sede no Recife; Centro de Apoio ao Pequeno Empreendedor (CEAPE) do Maranhão; Banco Pérola com sede em Sorocaba, interior de São Paulo; e Organização Não Governamental (ONG) Acreditar, em Pernambuco.

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Mais contas dos devedores, bloqueadas pela Justiça

Adriana Aguilar      24/08/2009

tabelaBacenJud
O sistema online do Banco Central, chamado BACEN-Jud, que permite fazer o bloqueio imediato das contas dos devedores levados à Justiça, por causa de dívidas comerciais e financeiras, tem registrado acesso crescente nos primeiros meses de 2009. Em janeiro, houve cerca de 215 mil acessos. O número foi aumentando a cada mês até registrar 408 mil apenas em maio. (ver tabela).

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2009, o BACEN-Jud soma R$ 1,65 milhão de acessos, feitos pela Justiça do Trabalho (47%), Justiça Estadual (47%) e Justiça Federal (6%), segundo dados do site do Banco Central (BC). Em 2008, o sistema registrou 3,6 milhões de acessos pelos juízes contra 2,8 milhões feitos em 2007.

Por meio do BACEN-Jud, os juízes têm condições de pedir os dados bancários dos devedores com processos de cobrança correndo na Justiça. Entre as informações estão: existência de contas em algum banco do sistema financeiro nacional, saldos, extratos e endereços.

No processo online, o juiz pode ordenar o bloqueio e o desbloqueio imediato de contas de devedores alvos de processos e ainda pedir a transferência de valores encontrados para a conta de depósito judicial.

A comunicação online entre o Poder Judiciário e as instituições financeiras tornou mais rápida a identificação da Vara/Juízo e os nomes e telefones dos representantes das instituições financeiras, incluídos no sistema.

A iniciativa tem reduzido significativamente o tempo entre o registro das determinações judiciais e o seu atendimento, com visualização das respostas na própria tela do sistema BACEN-Jud.

Também houve a diminuição do uso de documentos em papéis, de tempo e de pessoas, envolvidas nos ofícios judiciais. A segurança dos dados e das informações é garantida pelo caráter eletrônico e criptografado dos arquivos, segundo o Banco Central.
BacenJud
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Mais rapidez na perda do bem financiado

Adriana Aguilar      20/08/2009

Os departamentos de cobrança das instituições financeiras, desde o final de 2008, estão correndo para recuperar o dinheiro emprestado e não pago pelos inadimplentes. Com a taxa de inadimplência crescente, por volta de 30%, entre junho do ano passado e junho último, nos quatro maiores bancos do País, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, as recuperações judiciais triplicaram neste primeiro semestre. As leis que agilizam a recuperação do dinheiro emprestado passaram a ser colocadas em prática pela área de cobrança das instituições financeiras.

Repactuação da dívida, desconto na multa e nos juros, são as primeiras iniciativas que exigem diferentes tipos de negociação, conforme o perfil do cliente que se encontra detalhado em um sistema de pontos (scoring system). Quanto maior a pontuação, melhores são as condições de negociação e de cobrança no momento de inadimplência. Tudo depende do perfil da pessoa.

No entanto, quando não há acordo entre banco e devedor por meio de conversas, entra em cena a cobrança judicial. Houve um treinamento fortíssimo, com cursos e palestras, para os advogados da área de cobrança dos bancos se atualizarem sobre as diferentes alterações legislativas implementadas ao longo dos últimos cinco anos.

Com as novas leis, provavelmente, os devedores não conseguirão postergar a conclusão dos processos por longo tempo, como ocorria no passado. Inclusive, correm o risco de ficar sem o bem financiado rapidamente, caso não consigam quitar as prestações atrasadas por meses. “Os departamentos de cobrança dos bancos acompanharão a aplicação efetiva da lei”, explica o coordenador da subcomissão jurídica de Recuperação de Crédito da Febraban, Ernesto Antunes de Carvalho.

A Lei nº 11.382, de 2006, que alterou 85 artigos do Código de Processo Civil (CPC) entrou em vigor em janeiro de 2007. Um dos pontos principais da lei é o fim do efeito suspensivo dos embargos à execução, um recurso muito usado pelo devedor. Depois de ajuizada a ação, mesmo com o prazo de 24 horas para pagar a dívida, o devedor se defendia por meio de embargos e a cobrança da dívida ficava parada. Hoje, o juiz tem o arbítrio de dar ou não o efeito suspensivo para a execução. Negado o efeito suspensivo, o processo continua correndo.

Outra mudança trazida pela Lei nº 11.382, de 2006, foi a alienação do bem, acabando com a exclusividade do leilão público, processo demorado onde era comum ver parte do patrimônio se depreciando ao longo do tempo. Depois das alterações no CPC, agora, o banco pode simplesmente transferir o bem encontrado para o próprio nome e vendê-lo ou levar um interessado em comprar o bem diretamente ao juiz.

A recuperação de um veículo pelo credor, por exemplo, hoje, pode ocorrer em cinco dias após executada a liminar “apreendido o bem”, caso o devedor não efetue o pagamento da dívida. É o que determina o artigo 56 da Lei 10.931, de agosto de 2004. Assim, o bem poderá ser vendido pelo banco rapidamente. No passado, a venda somente era realizada após a sentença.

A penhora online, por meio do sistema BACEN-Jud, também tem contribuído muito para a agilidade de recuperação do crédito na área cível, onde estão concentradas as dívidas comerciais e financeiras. Por meio do sistema, é feito o bloqueio imediato de contas de devedores levados a Justiça. Em 2008, o BACEN-Jud registrou 3,6 milhões de acessos pelos juízes contra 2,8 milhões no ano anterior. Nos primeiros meses de 2009, janeiro e fevereiro, o BACEN-Jud já totaliza 219.011 acessos.

É importante ressaltar que, hoje, em qualquer negociação de pagamento de dívidas, a cobrança tem o papel de recuperar o cliente e mantê-lo fiel aos produtos e serviços do banco, explica o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acref), Adalberto Savioli.

Além de não querer perder o cliente, os bancos ainda acompanham o trabalho do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, promovendo a proteção e defesa dos consumidores. O artigo 4º do Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece que deve ser assegurado o respeito à dignidade do cliente. Além disso, o artigo 42 determina que, durante a cobrança de débitos, o fornecedor não poderá expor o consumidor a ridículo, nem submetê-lo a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. Esta conduta é mencionada como infração penal no artigo 71, do mesmo Código.

 

 

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