Fundos imobiliários chegam ao varejo dos bancos

Adriana Aguilar      13/11/2012

Os fundos de investimentos imobiliários (FIIs) estão mais populares. Clientes dos grandes bancos de varejo, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander já têm acesso a eles por meio da rede de agências.

No Brasil, o número de investidores nos FIIs cresceu mais de 55% em 2012 em função da valorização obtida por esses fundos no mercado. De janeiro ao final de outubro de 2012, o índice de fundos imobiliários (Ifix), que reúne os fundos mais líquidos do mercado brasileiro, registrou alta de 28,79%, comparada à valorização de 0,55% do Ibovespa, que engloba as ações mais negociadas da bolsa paulista.

A bolsa de valores vem patinando desde 2010, reflexos da crise na Europa e a desaceleração da economia brasileira. Por outro lado, o mercado imobiliário chama a atenção. Os preços dos imóveis, estagnados no passado, apresentam forte recuperação desde 2008.

Diante da recuperação do preço no mercado imobiliário, os fundos imobiliários passaram a garantir melhor retorno do que ações, até mesmo superando fundos de investimentos atrelados à taxa básica de juro (Selic), ao redor de 7,25% ao ano.

A rentabilidade de 7,25% ao ano em aplicações de baixo risco, como fundos de investimentos atrelados à taxa Selic, não desperta a atenção se excluída a taxa de administração do fundo (1%) e também a inflação anual (5%). Sobraria aproximadamente 1% de ganho real na aplicação de baixo risco.

Como os investidores querem ganhar mais, estão correndo para os fundos de investimentos imobiliários. Em novembro de 2012, o Banco do Brasil iniciou a oferta do fundo imobiliário BB Progressivo II. Este fundo será composto por prédios e agencias do Banco do Brasil.

O prospecto do fundo propõe remunerar os cotistas do fundo com a rentabilidade 8,5% ao ano (0,71% ao mês líquido de Imposto de Renda e das despesas do fundo). O valor é corrigido anualmente pela variação do IPCA, índice que será aplicado no reajuste dos aluguéis do imóveis que compõem a carteira do fundo. As cotas do fundo ainda poderão valorizar ainda mais conforme as benfeitorias efetuadas nos imóveis ou do próprio mercado imobiliário. A pessoa física tem de investir o mínimo de R$ 2 mil no fundo imobiliário BB Progressivo II.

Também em novembro de 2012, o Banco Santander iniciou a oferta de cotas do fundo “Santander Agências Fundo de Investimento Imobiliário”. O banco colocará os recursos captados nas agências usadas pelo Santander, condicionada à locação por um prazo de 10 anos. A aplicação mínima para o investidor pessoa física é de R$ 10 mil.

A rentabilidade mensurada para o investidor do Santander Agências Fundo de Investimento Imobiliário seria equivalente a 13,62% ao ano, já incluída a taxa de inflação nesse percentual.

Em outubro, a Caixa Econômica Federal registrou a captação total de R$ 405 milhões durante a oferta pública de cotas do Fundo de Investimento Imobiliário, chamado Agências Caixa.

Os recursos na carteira do fundo serão aplicados em 26 imóveis de propriedade da Caixa, que representarão cerca de 40% do patrimônio do FII. O restante dos recursos será investido em ativos financeiros, como títulos públicos, Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e operações compromissadas, até que novos imóveis sejam adquiridos, para posterior locação à Caixa. A remuneração dos investidores virá dos aluguéis pagos pela Caixa e do rendimento dos ativos financeiros.

A maior parte dos recursos do FII foi captada na rede de agências da Caixa, quando as cotas foram oferecidas aos correntistas do banco. Outra novidade foi a possibilidade dada aos correntistas pessoas físicas da Caixa de subscrever as cotas do FII pelo internet banking, por meio do serviço ações online.

As ofertas da Caixa, do Banco do Brasil e do Santander aos correntistas são apenas exemplos da popularidade que os FIIs tomaram recentemente no Brasil. Cabe aqui ressaltar que os fundos imobiliários apresentam riscos, como qualquer outra aplicação. A complexidade do produto, que apresenta renda variável, carece de profissionais experientes na análise dos lançamentos dos FIIs aos pequenos investidores.

Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia que regula e fiscaliza os fundos de investimentos, o número de reclamações relacionadas aos FIIs aumentou em 2012, principalmente, aqueles ligadas às atividades de relacionamento dos gestores e dos fundos com investidores.

Segundo dados da CVM, de janeiro a 13 de novembro de 2012, houve 38 ofertas de FIIs, totalizando R$ 7,87 bilhões em cotas. Ao longo de 2011, foram registrados R$ 7,66 bilhões de cotas ofertadas de FIIs. Em 2010, o volume foi de R$ 9,15 bilhões de cotas de FIIs, grande salto diante do exercício de 2009, quando os registros somaram apenas R$ 2,76 bilhões.

Do total de 168 fundos imobiliários registrados na CVM em 2012, aproximadamente, metade deles negocia cotas no balcão organizado da BM&F Bovespa. Opções de aplicações em diferentes imóveis (agências, galpões, escritórios, shoppings, hospitais, entre outros), de diferentes setores, não faltam, mas é preciso buscar orientação para não perder dinheiro com os fundos imobiliários que são investimentos de renda variável!

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Bancos públicos oferecem microcrédito para trazer empreendedores ao sistema formal de crédito

Adriana Aguilar      06/12/2011

O Banco do Brasil (BB), a Caixa e o Banco do Nordeste (BNB) estão ofertando microcrédito aos empreendedores de diferentes comunidades carentes do País. A iniciativa dos bancos públicos faz parte do Programa de Microcrédito Orientado, chamado Crescer, do Governo Federal. Um dos objetivos do programa é trazer empreendedores para o mercado formal e para o sistema de crédito.

O microcrédito orientado tem taxa de juro de 0,64% ao mês ou 8% ao ano, com empréstimos que podem chegar a R$ 15 mil. As reduzidas taxas das operações serão bancadas pelos bancos públicos e pelo Tesouro Nacional.

Ao longo de 13 anos, atuando na oferta de microcrédito produtivo, por meio do Crediamigo, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) já realizou 9,3 milhões de operações, desembolsando R$ 12,5 bilhões e prestando atendimento a 1,86 milhão de clientes no período entre 1998 e agosto de 2011. O Crediamigo é o maior programa de crédito produtivo popular direcionado em operação no Brasil.

“A metodologia do Agroamigo é baseada na assessoria de crédito produtivo, orientada e acompanhada”, afirma a superintendente da área de Microfinança Urbana e Micro e Pequena Empresa do BNB, Anadete Apoliano Albuquerque Torres.

A presença do assessor ocorre em três momentos: diagnóstico, orientação e avaliação do negócio proposto pelo empreendedor. O assessor técnico presta assessoria empresarial e ambiental, apontando as atividades que geram renda na região, identificam formas de inserção no mercado local e ainda orientam o desenvolvimento do projeto do empreendedor. Há cartilhas com personagens na área de gestão, custos e meio ambiente.

A maior dificuldade para o microcrédito é a garantia em troca do empréstimo tomado. Por esse motivo, foi criado o aval solidário. Um grupo formado de 3 a 15 pessoas (comerciantes locais) se responsabiliza pelo pagamento da dívida do tomador do dinheiro. O resultado é o baixo índice de inadimplência no BNB, de 0,72% em 2010 e 0,86% em 2011.

Segundo Anadete Torres, um conjunto de fatores contribui para a reduzida inadimplência. Um deles é a preocupação do grupo de aval solidário em não ter o nome dos integrantes em listas de inadimplência. Outro fator são os empréstimos menores no início do relacionamento com o banco. Por fim, há a orientação e acompanhamento do assessor de crédito em cada contrato fechado. “A remuneração do assessor de crédito está atrelada à qualidade da carteira de crédito concedida. Quando há inadimplência, ele também perde”, explica a superintendente do BNB.

A maior parte dos empréstimos vai até R$ 2 mil, com taxa de juro de 0,64% ao mês. Quando o empréstimo alcança o limite de R$ 15 mil, a taxa de juro fica em 1,2% ao mês. O prazo máximo de pagamento é de 36 meses. A Taxa de Abertura de Crédito (TAC) é de 1% sobre o valor do crédito, enquanto no mercado se pratica taxas até 3%. A renovação do crédito não é automática. Está vinculada à visita do assessor para verificação do uso do dinheiro no empreendimento.

Para a viabilidade do programa Crediamigo no Nordeste, há uma parceria entre o BNB, que articula o financiamento e o Instituto Nordeste Cidadania, responsável pela seleção e contratação dos assessores de microcrédito. Hoje, são 2.246 assessores de microcrédito. A atuação do Crediamigo está presente nos estados do Nordeste, norte do Espírito Santo, norte de Minas Gerais e, no Rio de Janeiro, na capital do estado e no município de São Gonçalo. O programa do BNB no Rio conta com a parceria da organização Vivacred para a seleção dos assessores e acompanhamento dos empréstimos feitos.

Segundo a superintendente do BNB, Anadete Torres, a meta é finalizar o ano de 2011 com 1 milhão de clientes no programa Crediamigo. No final de agosto passado, o banco já somava 943,5 mil clientes. Deste total, apenas 30 mil empreendedores estavam formalizados, ou seja, apresentava o CNPJ do negócio próprio. “Por esse motivo, para o acesso ao microcrédito, o BNB solicita apenas o número de registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), comprovante de endereço e da atividade econômica há, pelo menos, seis meses. Até 2015, o objetivo é alcançar 2,5 milhões de clientes.

Em volume de microcrédito concedido de janeiro a agosto de 2011, o BNB desembolsou R$ 1,76 bilhão. O levantamento feito pelo BNB mostra que 92% do volume de microcrédito concedido foram para o segmento do comércio (mercearias, pipoqueiros, bares, lanchonetes, confecções, revendedoras de produtos de beleza, entre outros). Outros 6% tiveram como destino o setor de serviços. Por último, ficam as indústrias (2%). Interessante notar que as mulheres representam 65% dos clientes do Crediamigo.

A metodologia do crédito produtivo, orientado e acompanhado também está sendo praticado pela Caixa na concessão do microcrédito aos empreendedores. O projeto piloto começou em 16 de setembro passado em cinco cidades: Complexo do Alemão (Rio de Janeiro), Porto Alegre e em São Paulo (Capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo). A partir de outubro de 2011, todas as agências da Caixa espalhadas pelo País passaram a ter um agente voltado ao microcrédito, explica o gerente de Clientes e Negócios da área de Inclusão Produtiva da Caixa, Lúcio Flávio Vilar de Azevedo.

Foram contratados agentes jovens, entre 18 e 22 anos, cursando, pelo menos, o primeiro ano do ensino médio. O programa tem priorizado a contratação de beneficiários do Programa Bolsa Família. “É a primeira oportunidade de emprego, dentro da própria comunidade”, explica Vilar de Azevedo.

Para cada grupo de 20 agentes jovens, há a orientação de um gerente social da Caixa.Os agentes jovens vão até as comunidades, entrevistam os empreendedores, verificam a capacidade de pagamento, endividamento, entre outras quesitos. Para o projeto piloto nas cinco cidades, foram treinados 100 agentes jovens. Outros 460 agentes jovens estão em fase de treinamento para o início das atividades em outubro. Os agentes apresentarão cartilhas do programa e de educação financeira ao empreendedor, além de o acompanhamento da aplicação dos recursos no projeto.

Na Caixa, os empréstimos variam de R$ 300,00 a R$ 15 mil, com prazo de pagamento de 4 a 24 meses. Em média, o tíquete médio do empréstimo varia de R$ 1 mil a R$ 2 mil, podendo ser capital de giro ou recursos para investimentos (compra de geladeira, motocicletas, máquinas, entre outros). Grupos de três a sete empreendedores, dentro da comunidade, se responsabilizam como avalistas do empréstimo (aval solidário).

“Temos a expectativa de fechar 56 mil contratos com empreendedores em 2011 e, no ano seguinte, outros 300 mil contratos. Vamos conseguir inserir muita gente dentro do sistema de bancarização”, afirma Lúcio Flávio Vilar de Azevedo. No empréstimo concedido, a pessoa física não pode ter o nome em listas de inadimplência. Também tem de apresentar o CPF. A partir daí, é aberta uma conta na Caixa, sem cobrança de taxas. Em seguida, o cliente recebe o cartão de movimentação.

Em 21 de setembro passado, o Banco do Brasil (BB) lançou seu programa do Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) aos empreendedores com faturamento bruto anual de até R$ 120 mil, propondo orientação educativa e acompanhamento aos tomadores de crédito. Os empreendedores individuais, com faturamento de até R$ 36 mil por ano, também compõem o público-alvo do programa.

“Queremos que os empreendedores individuais e microempreendedores pessoas físicas, na informalidade, se transformem em pequenos empresários. O crédito bem aplicado se constitui em um vetor de indução ao crescimento das empresas”, afirma o vice presidente de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas do Banco do Brasil, Osmar Dias.

Por meio de visitas técnicas, os funcionários treinados do BB analisam os empreendimentos e elaboram orientações para incentivar o melhor aproveitamento e aplicação dos recursos para o crescimento e a sustentabilidade dos negócios, explica Dias. “Não estamos priorizando segmento. Todos que queiram investir para tornar o próprio negócio rentável, terá o apoio do Banco do Brasil”, afirma Dias.

A linha de microcrédito do BB prevê o limite de até R$ 15 mil, com taxa de juros de 8% ao ano, equivalente a 0,64% ao mês, com prazo para pagamento de até 36 meses. Após a assinatura do contrato, é aberta uma conta aos empreendedores, com uma tarifa reduzida de R$ 5,00, e um conjunto de soluções e serviços (conta corrente, poupança, gerenciador financeiro, cartões, entre outros).

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Taxa de juro está abaixo de 1% no BB

Adriana Aguilar      25/08/2009

RF5060370Os correntistas do Banco do Brasil (BB), que passaram por algum caixa eletrônico da rede, notaram que os empréstimos ofertados ficaram mais baratos, principalmente, para o público de menor renda. Em algumas situações, a taxa de juro foi cortada pela metade, ficando em 0,99% ao mês.

Aqueles, com renda máxima de R$ 1 mil e aplicações financeiras inferiores a R$ 3 mil, alvos da linha “BB Crédito Pronto”, agora podem aceitar o empréstimo pré-aprovado de até R$ 2 mil no autoatendimento: internet e caixas automáticos

No passado, a taxa de juro do BB para a mesma linha era fixada em 2% ao mês. Agora, houve redução do percentual, que varia conforme o prazo de contratação. Quando o pagamento do empréstimo ocorre em 12 meses, a taxa de juro cobrada é de 0,99% ao mês. Caso o tomador opte por pagar em 48 meses, a taxa de juro sobe para 1,8% ao mês.

Segundo cálculos do economista da Souza Barros Corretora, Clodoir Vieira, na prática, quem fizer um empréstimo de R$ 2 mil, no caixa eletrônico do BB, ao final de 12 meses, pagará R$ 130,96 de juro. Se o percentual fosse de 2% ao mês, o cliente pagaria R$ 269,32 de juro.

O valor das prestações é debitado em conta corrente na data escolhida pelo cliente, com carência de até 180 dias para o pagamento da primeira parcela.

A iniciativa do Banco do Brasil vai de encontro ao estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), segundo o qual, os bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa) cobravam em média juros de 37,5% ao ano, no início da crise, enquanto que os bancos privados, 47,3%. Em junho passado, a média dos bancos públicos caiu para 29%, contra 43,1% nas instituições financeiras privadas.

Os bancos públicos aproveitaram a crise global para diversificar a carteira de clientes, atraídos pelos empréstimos com juro menor. De janeiro a agosto de 2009, o Banco do Brasil já anunciou em, no mínimo, três ocasiões diferentes corte nas taxas de juro de determinados produtos. Ao mesmo tempo, os bancos privados frearam a oferta de crédito no mercado no primeiro semestre do ano.

 

 

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