Metade dos idosos do País não tem poupança

Adriana Aguilar      17/10/2014

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Cinco em cada dez (57%) entrevistados, com mais de 60 anos, não possuem qualquer tipo reserva financeira ou investimentos, segundo pesquisa encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Foram ouvidas 632 pessoas, com mais de 60 anos, em todas as capitais brasileiras.

Para a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti, esse tipo de reserva é essencial, principalmente, na terceira idade. “É o momento em que a pessoa precisa ter uma boa poupança para lidar com imprevistos de saúde, arcar com despesas de remédios, completar os itens básicos do mês que não puderam ser comprados com a aposentadoria e, claro, aproveitar os prazeres dessa fase da vida”, afirma Kawauti.

A preocupação com os familiares e amigos é um dos principais motivos para os consumidores com mais de 60 anos não conseguirem fazer um pé de meia: quase a metade dos idosos entrevistados (47%) pensa no futuro da família e acaba deixando de fazer coisas que gostaria para manter uma reserva financeira.

“A falta de reserva para os imprevistos é ainda mais comum entre os entrevistados com baixa escolaridade (68%) e os pertencentes à classe D e E (77% das pessoas ouvidas)”, afirma a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Na pesquisa realizada, apesar de 72% dos consumidores com mais de 60 anos declararem ter atualmente uma situação financeira estável, essa tranquilidade parece não ter sido conquistada com uma preparação financeira ao longo dos anos para aproveitar a terceira idade.

Os consumidores da terceira idade garantem que estão no comando de suas ações financeiras e revelam ser independentes para tomar suas próprias decisões: 81% deles afirmam não depender de ninguém para gerir as próprias contas.

Segundo o estudo do SPC, a conquista dessa autonomia não foi acompanhada de um amadurecimento das práticas de Educação Financeira: somente quatro em cada dez (41%) entrevistados com mais de 60 anos dizem saber como calcular os juros de empréstimos. Este percentual aumenta entre os homens (45%), os que têm escolaridade superior (67%) e os que estão nas classes A e B (55%).

As facilidades do Internet Banking também estão longe do público consumidor da terceira idade: apenas 9% afirmam fazer transações bancárias e pagar contas pela web. A maioria gosta de ir pessoalmente ao banco, pagar as contas no balcão e resolver os problemas com o gerente.

As dívidas em atraso, segundo dados do estudo, são uma realidade presente na vida destes consumidores: três em cada dez (32%) já tiveram o nome incluído em serviços de proteção ao crédito somente no último ano. E de acordo com estimativas do SPC Brasil, o número de idosos inadimplentes já chega a 4 milhões de pessoas, o que representa cerca de 25% da população acima de 65 anos.

“A média nacional de crescimento de pessoas inadimplentes nas bases do SPC Brasil atualmente é de 3,8%. Quando consideramos só a população entre 64 e 94 anos, o crescimento é de 7,5%, bem acima da média”, afirma a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

O estudo aponta que a causa mais comum para os idosos terem o nome negativado é ter ajudado pessoas próximas. Dois em cada dez (21%) idosos que tiveram o nome sujo não puderam pagar suas contas, porque emprestaram o nome para financiar compras e pegar empréstimos para amigos e parentes.

A segunda causa mais comum, com 19%, das respostas, é o mau planejamento financeiro, seguido de problemas de saúde (11%), descontrole dos gastos (8%) e de cobranças indevidas (6%).

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