Protestos, jogos e feriados… Prejuízo para a economia vai ultrapassar os R$ 45,5 bilhões

Adriana Aguilar      27/05/2014

Em junho do ano passado, durante a Copa das Confederações, grandes vias públicas foram interditadas por conta dos protestos, a população evitou se deslocar até shopping centers ou grandes magazines localizados em regiões de fluxo, preferindo postergar as compras. Houve quem optasse por comprar os produtos em estabelecimentos menores e mais próximos de suas casas. O indicador de vendas, em junho de 2013, apontou o pior resultado para esse mês (junho) de toda a série histórica da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Em 2014, o total do prejuízo esperado para junho, somado às perdas ocasionadas pelos feriados nacionais e estaduais (calculadas em R$ 45,5 bilhões pela Firjan), terá um valor mais vultoso.

“Muitos lojistas tiveram perdas com as depredações e outros tiveram que fechar as portas mais cedo por conta dos tumultos”, afirma o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior.

Uma pesquisa sobre os empresários e a Copa do Mundo, encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela CNDL, aponta que 47% dos comerciantes acreditam que o comércio registrará perdas de faturamento por conta das manifestações de rua. Para os entrevistados, o consumidor vai evitar frequentar locais públicos (55% das respostas) e o estabelecimento ficará mais tempo fechado diante dos riscos de violência, saques e depredações do estabelecimento (45%). Os impactos negativos sobre as vendas seriam fortes.

A pesquisa ouviu 600 proprietários e gestores de empresas cujos segmentos de atuação têm relação direta com o evento nas sete cidades-sede que mais receberão partidas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza).

É bom lembrar que os feriados já originam pontos facultativos ou a prática de “enforcamentos”. A paralisação excessiva da atividade econômica, gerada pelos feriados, será maior em 2014, quando 30 dos 44 feriados estaduais cairão em dias úteis, seis a mais do que em 2013.

As perdas ocasionadas pelos feriados nacionais e estaduais à indústria brasileira são estimadas em R$ 45,5 bilhões em 2014, valor 2,8% maior do que o prejuízo calculado para 2013. Os dados fazem parte do estudo “O custo econômico dos feriados”, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) em fevereiro deste ano. A metodologia do estudo considera o Produto Interno Bruto Industrial diário como o valor máximo que poderia ser perdido pela indústria com um dia paralisado. O cálculo inclui 8 feriados nacionais e 30 estaduais que cairão em dias úteis.

Como o estudo foi divulgado em fevereiro de 2014, não levou em conta as paralisações nos meses posteriores – seja de motoristas de ônibus, professores, policiais, estudantes, entre outras – em andamento pelo País. Também não considerou os dias decretados como facultativos em algumas cidades, em decorrência dos jogos da Copa.

Do final de março até 26 de maio, a ferramenta Protestômetro, criada pela Folha de S Paulo, registrou 308 protestos em diferentes cidades do País. Somente em São Paulo, foram 78 manifestações no período, seguido pelo Rio, com 61 manifestações. Os demais protestos ocorreram em diferentes cidades: Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília. Recife, Fortaleza, Salvador, Curitiba e Campinas.

O monitoramento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) mostra que ainda haverá umas 70 manifestações, convocada pelas redes sociais, até a abertura da Copa, em 12 de junho, em diferentes cidades do País, sendo a maior delas em São Paulo. O Governo montou às pressas uma operação para monitorar a internet e acompanhar, por meio do facebook, twitter, instagram e whatsApp, a movimentação antecipada dos manifestantes, como roteiro e o tamanho dos protestos, infiltrações de grupos políticos e até supostos financiamento dos eventos.

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