Consumidor ignora taxa e imposto ao usar cartão de crédito

Adriana Aguilar      26/07/2013

Cerca de 70% das pessoas que fazem compras com cartão de crédito desconhecem o valor do juro cobrado pelo uso do crédito rotativo. O cartão é o produto com a maior taxa de juro no mercado brasileiro. Dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) mostram que o juro anual cobrado no atraso da compra pelo cartão corresponde a 194,23% ao ano, ou seja, 9,41% ao mês. O atraso no pagamento do cheque especial tem incidência de juro de 144,09% ao ano, equivalente a 7,72% ao mês, segundo a Anefac.

Um estudo realizado sobre cartão de crédito mostra que o dinheiro de plástico é utilizado por 83% dos consumidores entrevistados. As 604 pessoas ouvidas declararam possuir, pelo menos, um cartão de crédito (incluindo cartões de banco e de lojas). Um dado interessante do estudo é que 79% dos entrevistados sabem o valor pago pela anuidade do cartão, mas 72% deles desconhecem o juro cobrado pelo uso do crédito rotativo. A pesquisa, chamada de “Uso do Crédito” foi realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), divulgada no final do primeiro semestre de 2013.

Para a economista do SPC Brasil, Ana Paula Bastos, este comportamento revela o imediatismo por parte do consumidor. “O estudo mostra que brasileiro demonstra interesse em saber o quanto que vai desembolsar para adquirir o cartão, mas ignora o valor de custos secundários, como a multa por atraso do pagamento da fatura ou o juro cobrado pelo uso do crédito rotativo”, analisa.

Durante a pesquisa, a maior parte do total de entrevistados disse usar mais o cartão de crédito em compras parceladas de eletrônicos (54%) e eletrodomésticos (52%). Mas, além das compras parceladas no cartão de crédito, na fatura de 79% dos entrevistados estão incluídas contas de internet, TV por assinatura, plano de saúde, planos de celular, pagamento das contas básicas da casa (água, luz, telefone fixo). As pessoas não estão sabendo usar o cartão de crédito.

Pagar contas como água e luz no cartão de crédito está longe de ser um bom negócio, pois os pagamentos estão sujeitos à cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras(IOF). É como se o consumidor estivesse fazendo um empréstimo para o pagamento das contas.

Em 2012, o percentual da população que dividia as compras, em mais de 10 vezes, para parcelar móveis, eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos era de 10%, 11% e 10%, respectivamente. Já em 2013, esses percentuais aumentaram para 15%, 50% e 47%. “O número de consumidores que dividem os gastos no cartão em parcelas maiores está aumentando significativamente”, afirma Ana Paula Bastos.

Segundo a pesquisa, 31% dos consumidores apresentam, pelo menos, um cartão de crédito (incluindo cartões de banco e de lojas). Outros 24% tem dois cartões. A fatia de 12% dos entrevistados apresentam três cartões. A faixa de 11% tem mais de quatro cartões de crédito. Interessante notar que, em 2012, 28% das pessoas entrevistas na pesquisa não tinham cartões. Em 2013, esse percentual foi reduzido para 23%.

Entre 65% e 74% do total de portadores de cartões usam todas as unidades que carregam na carteira. E a maior parte dos entrevistados, 87% do total, paga 100% do valor das faturas nas datas de vencimento.

Quando a pessoa fica devendo, sem quitar toda a fatura, a principal justificativa é a “má administração das finanças” para 46% dos entrevistados. Outros 40% elegem o desemprego como principal motivo. Dentre os entrevistados, a pesquisa mostrou que 35% dos usuários de cartão de crédito chegam ao final do mês ultrapassando o limite cartão de crédito. O preocupante é saber que 64% dos entrevistados estão ou já estiveram com o nome incluído em instituições de serviço de proteção ao crédito.

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