Bolsa brasileira depende da evolução das pequenas e médias empresas

Adriana Aguilar      23/07/2013

O Brasil é a sétima economia do mundo, mas o número de empresas listadas em bolsa ainda é muito pequeno, apenas 353 (23ª colocação). Nos Estados Unidos, por exemplo, esse número chega a 4.102. Na China, são 2.494. Na Índia, há 6.838 empresas listadas na bolsa, segundo o estudo “Rumo à abertura de capital – As percepções das empresas emergentes sobre os entraves e benefícios”, divulgado em julho pela consultoria Deloitte, em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI).

Considerando todas as empresas listadas na bolsa brasileira, apenas três grandes companhias representam 30% do valor total listado. As 100 menores empresas listadas correspondem a 0,3% do valor total da bolsa.

O potencial de crescimento da bolsa brasileira depende das pequenas e médias empresas (PMEs), em maior número no País. Somente as pequenas empresas, com faturamento inferior a R$ 20 milhões, somam 4,5 milhões de unidades no Brasil. Outras 30 mil empresas são classificadas como de porte médio, com faturamento entre R$ 20 milhões e R$ 400 milhões. As grandes empresas somam 5 mil unidades, com faturamento anual superior a R$ 400 milhões, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa da Deloitte foi realizada com 73 empresas, sendo 95% delas de capital fechado; 58% das empresas tiveram receita líquida menor que R$ 250 milhões em 2012, enquanto 42% tiveram a receita entre R$ 250 milhões e R$ 1 bilhão. A composição setorial é diversa, com destaque para os segmentos de agronegócio, serviços de tecnologia da informação (TI) e construção. Predominaram as empresas da região sudeste no estudo.

Do total de empresas entrevistadas para a pesquisa, 62% delas consideram que o IPO no Brasil é inacessível para PMEs, o que coincide com o fato de 93% dos participantes destacarem que o processo ainda não é uma experiência relativamente simples, com questões como os custos relacionados e a necessidade de estímulos, como políticas de incentivo fiscal para as empresas e menores exigências para listagem.

No Brasil, o valor médio que as companhias captam ao emitir ações é de 275 milhões de dólares, um dos maiores do mundo. Cerca de 16 vezes superior ao valor da Índia. O desenvolvimento do mercado de ações com pequenas e médias empresas foi notado em países como Espanha, Canadá, Reino Unido, Polônia, entre outros. Neles, o investidor local teve papel fundamental e não o investidor estrangeiro.

O fato é que o número de investidores pessoas físicas na bolsa brasileira segue modesto há três anos. No final de 2012, havia 580 mil investidores de ações dentre os 192 milhões de brasileiros. Em 2007, 456 mil pessoas físicas portavam ações negociadas na bolsa.

Segundo a pesquisa realizada pela Deloitte, entre os principais desafios apontados, que afastam as pequenas e médias empresas do mercado de capitais, estão a falta de maturidade das empresas (20%) e o alto custo do processo de IPO (13%). A visão das empresas sobre a própria maturidade mostra que a sua estruturação interna, em termos de governança corporativa, gestão profissionalizada e transparência nas demonstrações financeiras, é uma questão fundamental para as organizações que pretendem abrir capital.

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