Ritmo de novos investidores de ações segue modesto há três anos

Adriana Aguilar      28/06/2013

O índice mais famoso da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, continua patinando e, ao mesmo tempo, as pessoas físicas continuam reticente às ações, talvez, até migrando para outros investimentos. De 2010 para cá, o número de investidores em ações fica em torno de 600 mil pessoas. Como comparação, em janeiro de 2011, havia 19.732 pessoas aplicando seus recursos em fundos imobiliários cadastrados na bolsa. No final do primeiro trimestre de 2013, esse número aumentou para 102.691 pessoas físicas que investem em algum dos 100 fundos imobiliários negociados na BM&F Bovespa.

Um estudo divulgado pelo Centro de Estudos de Mercado de Capitais (Cemec) mostra que a base de investidores pessoas físicas é muito pequena no Brasil. Da mesma forma, o número de companhias listadas na bolsa brasileira está longe de alcançar o número de empresas presentes nas bolsas dos outros países do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Na China, por exemplo, apesar do baixo nível de educação no país, a população tem mais familiaridade com teoria de portfólio de investimento e menor entendimento de diversificação. As pessoas não percebem valor em renda fixa, por isso, apresentam maior propensão a assumir maiores riscos, especulação e negociação ativa. Há 95 milhões de investidores em ações na China, com uma população de 1,34 bilhão de pessoas. Ou seja, a relação entre investidores e população é de 7,1%.


No Brasil, no final de 2012, havia 580 mil investidores de ações diante de uma população de 192 milhões de pessoas. A relação é de 0,3%. O estudo do Cemec mostra que a relação investidores e população é de 5,0% na média de países emergentes. O Brasil está longe deste percentual. Nos Estados Unidos, em torno de 50% da população investe em ações.

O estudo do Cemec aponta a baixa educação e reduzida familiarização dos brasileiros com o mercado de ações. Também menciona a aversão do povo aos investimentos mais arriscados. Um dos motivos seria o histórico de alta inflação no País que contribuiu para a tendência da população ao consumo do que à poupança.

No Brasil, o número de investidores em renda variável teve uma forte elevação entre 2005 e 2007, passando de 155 mil para 456 mil pessoas físicas portadoras de ações negociadas na bolsa. Nesse período, de 2005 a 2007, houve um maior número de oferta pública inicial de ações (IPO). Existem duas fases bem distintas, antes e depois da crise de 2008. Em 2007, 64 companhias abriram seu capital na bolsa brasileira.

Quando analisado o percentual de renda variável na carteira dos fundos de investimentos, nota-se que a fatia de ações sob gestão de fundos no Brasil corresponde a 9%. O restante é composto por renda fixa (43%), balanceados mistos (21%), outros (23%) e cambiais (4%), segundo o relatório PAC-PME. No mundo, a renda variável corresponde a 40% de ativos sob gestão dos fundos de investimento, seguida pela renda fixa (25%), cambiais (20%), balanceados mistos (11%) e outros (4%).

Outros textos:

Fique atento aos riscos dos fundos imobiliários

Fundos imobiliários chegam ao varejo dos bancos

Fundos imobiliários e títulos de inflação são destaques em 2012

Está mais do que na hora de aprender a investir

Vantagens do fundo imobiliário como investimento

 

Envie por e-mail

 

Deixe um comentário