Idosos são maioria entre inadimplentes

Adriana Aguilar      21/06/2013

O cruzamento da inadimplência no comércio com a faixa etária do consumidor mostra que 25% dos inadimplentes tem mais de 65 anos. Na série histórica, iniciada em janeiro de 2013 até o maio, esse comportamento tem se repetido invariavelmente, segundo medição realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)

Na avaliação da economista do SPC Brasil, Ana Paula Bastos, uma das razões que justificam a tendência dos idosos inadimplentes é a alta despesa como remédios e planos de saúde, além das outros custos rotineiros. “A facilidade que aposentados e pensionistas têm para conseguir empréstimos consignados, aliada ao fraco planejamento financeiro, acaba por comprometer uma parcela significativa da renda destas pessoas. Além disso, o empréstimo de nome para terceiros e a natural redução da renda nessa de idade são agravantes”, afirma Ana Paula.

Segundo dados do SPC e da CNDL, em torno de 50% dos 50,77% consumidores inadimplentes apresentam dívidas com valores acima de R$ 500 entre janeiro e maio de 2013.

O número maior de idosos inadimplentes no Brasil segue uma tendência já verificada nos Estados Unidos. Em maio de 2012, uma pesquisa divulgada pelo Federal Reserve Bank, de Nova York, mostrava que os americanos, na faixa dos 60 anos, eram responsáveis por cerca de US$ 36 bilhões em empréstimos estudantis. Mais de 10% dos empréstimos estavam inadimplentes naquela. Advogados da área de defesa do consumidor afirmam que a área de Segurança Social tem verificado que empresas de cobrança estão assediando idosos, nos seus 80 anos, que contrataram empréstimos estudantis.

Também nos Estados Unidos, uma das maiores agências de aconselhamento de crédito, chamada Clearpoint, sem fins lucrativos, constatou que o número de idosos sem dinheiro estava aumentando, com tendência a piorar. Em 2007, menos de 5% dos consumidores que utilizaram os serviços de aconselhamento de crédito Clearpoint tinham pelo menos 65 anos. No início de 2012, os relatórios da organização mostraram que mais de 13% dos clientes são idosos.

No Brasil, a situação tende a ser agravar no longo prazo. Atualmente, quase metade dos brasileiros, 48% do total, não faz nenhum tipo de contribuição para quando deixar o mercado de trabalho. Apenas 42% recolhem para o INSS, segundo o indicador da Serasa Experian de Educação Financeira do Consumidor, lançado no início de maio de 2013. Os conscientes e precavidos, que além da previdência social também contribuem para planos de previdência privada, somam 5% – outros 2% têm apenas previdência privada e 3% não souberam responder.

Outra pesquisa encomendada ao Ibope pela Serasa Experian sobre os hábitos financeiros de pessoas maiores de 16 anos mostrou que 69% dos brasileiros não poupa, ou seja, dois em cada três brasileiros. As entrevistas foram realizadas no primeiro trimestre de 2013 com 2002 pessoas em 142 cidades de todos os Estados brasileiros e Distrito Federal, incluindo capitais, periferia e interior.

Alguns fatores comportamentais contribuem para afastar o consumidor dos investimentos. Mais de metade (52%) dos entrevistados não sabia (24%) ou não informou corretamente (28%) quanto teriam em uma aplicação financeira, após um ano. Ainda segundo a pesquisa, 35% dos brasileiros sentem mais prazer em gastar imediatamente do que em poupar e 30% dos entrevistados confessam comprar por impulso. Economizar e conseguir desconto no pagamento à vista não está nos planos de 38% dos consultados, que optam pelo parcelamento.

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