Presente no Dia dos Namorados chega a ter mais de 70% de impostos

Adriana Aguilar      11/06/2013

Cerca de 70% dos paulistanos que comemoram o Dia dos Namorados com presentes vai gastar, em média, R$ 64,00 na compra de algum produto. A pesquisa foi realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP). Alguns dos itens preferidos das namoradas, como é o caso do perfume e da maquiagem, ambos importados, a carga tributária chega a 78,43% e 69,04%, respectivamente. Mesmo ao optar pelas versões nacionais dos produtos, o percentual ainda é alto: 51,04% do valor da maquiagem e 69,13% do preço do perfume serão revertidos aos cofres públicos, segundo levantamento concluído pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). O Dia dos Namorados é a terceira data mais lucrativa para o comércio, ficando atrás somente do Natal e do Dia das Mães.

Os eletrônicos, opções para agradar os namorados na data, também carregam uma elevada carga tributária: no aparelho de MP3, é de 49,45%. No tablet, os tributos correspondem a 39,12%. No telefone celular, os impostos abrangem 39,80% do valor do produto, segundo dados do IBPT.

A sondagem feita pela Fecomércio em São Paulo mostra os itens de vestuário, calçados e acessórios são a preferência para 38,3% dos consumidores no Dia dos Namorados. Também são os itens mais desejados para 30,7% que serão presenteados. O estudo do IBPT mostra que a carga tributária no valor final da calça jeans corresponde a 38,53%. No casaco de couro, o percentual é de 34,67%. Na bota, a tributação é de 36,17%.

Com a Lei 12.741/12 – conhecida como “De olho no imposto” – desde 10 de junho, qualquer pessoa saberá o valor dos tributos embutidos nos preços de mercadorias e serviços. As lojas do comércio deverão listar nos cupons fiscais o valor aproximado de impostos que incidem sobre mercadorias e serviços, englobando os sete tributos: ICMS, ISS, IPI, IOF, PIS/Pasep, Cofins e Cide, além dos valores referentes ao imposto de importação, PIS/Pasep/Importação e Cofins/Importação. Outra alternativa da nova legislação é detalhar o percentual de tributos em painel afixado em local visível do estabelecimento, ou por qualquer meio eletrônico ou impresso.

Em busca dos melhores preços, sem o risco de endividamento, a sondagem da Fecomércio em São Paulo detectou que a forma declarada de pagamento mais utilizada será à vista (cheque, dinheiro ou débito) para 72,9% dos paulistanos, seguido pelo cartão de crédito (24,8%).

Entre aqueles que não pretendem presentear, 34,4% não o farão por estarem endividados ou sem dinheiro, e 30,2% porque não tem costume de presentear em datas comemorativas. Quando perguntados se prefeririam quitar uma dívida ao invés de presentear o parceiro , 73,2% dos paulistanos optariam por zerar suas contas antes de fazer novas.

A estimativa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) – entidades líderes do comércio varejista, que juntas contam com mais de 800 mil pontos de vendas credenciados em todo país –, é de que as vendas do comércio brasileiro na semana que antecede o Dia dos Namorados aumentem 5% em relação a 2012, quando o setor registrou crescimento de 9,08%.

Na avaliação do presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, haverá um aumento no volume de vendas, o que é positivo, mas não tão robusto quanto o dos anos anteriores. “O consumidor em 2013 está se comportando de maneira diferente. O comércio já consegue sentir a substituição de presentes físicos por serviços. Os presentes mais baratinhos vão ser substituídos por um momento de comemoração em bares, almoços ou jantares em restaurantes, hotéis e motéis. A aposta é o maior crescimento no segmento de serviços”, afirma Pellizzaro Junior. A carga tributária na conta do jantar em um restaurante é de 32,31%, segundo dados do IBPT.

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