Está mais do que na hora de aprender a investir

Adriana Aguilar      31/10/2012

Entre colocar o dinheiro do cliente em produtos de maior rendimento ou optar por uma aplicação com menor retorno, serão priorizados os investimentos que resultem em uma perda menor para o bolso da classe média emergente, cliente da área de varejo dos bancos. Ou seja, a opção é pela aplicação com reduzido risco, também menos rentável.

“A frustração com a perda em uma aplicação pode resultar em aversão ao produto, com o risco do investidor nunca mais voltar. Queremos preparar mais o consultor de investimentos do banco para que ele entenda a necessidade do cliente e saiba explicar claramente o produto mais adequado, desde os conservadores aos mais arriscados (crédito privado, ações, por exemplo)”, explica o executivo manager do BBDTVM, Edson Marques Procópio.

A prioridade em aumentar o conhecimento do cliente, antes da aplicação, com a ajuda de um consultor de investimentos mais preparado, é a direção que os bancos de varejo querem seguir.

Um segundo movimento das instituições financeiras é conquistar o cliente por meio de produtos indiretos, como planos de previdência, seguros, entre outros. Seria uma maneira de compreender o ciclo de vida do investidor, ao mesmo tempo, aumentando a compreensão dele em relação a produtos mais sofisticados.

Há a hipótese de que o interesse por aplicações em fundos de previdência e seguros (investimentos indiretos) crescerá mais rápido do que as aplicações em fundos com melhor rentabilidade (investimentos diretos). Primeiramente, a classe média emergente, ainda no varejo, passa pela antessala dos produtos indiretos e, após a experiência, chegar ao aposento principal: a sala (produtos diretos).

A maior parte dos da classe média emergente, com recursos alocados nos produtos de investimentos restritos ao segmento de varejo, ainda não se deu conta do resultado prático da queda da taxa de juros nas aplicações tradicionais, menos arriscadas.

“Falta um choque de realidade para as pessoas entenderem como a vida será diferente com o juro mais baixo. Enquanto a taxa Selic estava alta, a decisão sobre os investimentos era mais fácil. Agora, as pessoas terão de pensar”, explica o diretor de produtos de investimento do Itaú, Cláudio Sanches.

Com a taxa Selic em 7,25% ao ano e taxa de inflação estimada para 5,45% em 2012, e descontada ainda a taxa de administração dos fundos de investimentos, o rendimento líquido das aplicações conservadoras, sem risco, não passaria de 1% ao ano. Muito pouco para quem estava acostumado com rendimento líquido em torno de 7% quando o juro ainda estava em dois dígitos.

No atual cenário de baixo juro, para cada decisão de investimento, a classe média emergente terá de considerar sua renda, situação financeira, objetivo de investimento e experiência prévia com investimentos. Só quando o cliente se sentir confortável, migrará para produtos mais arriscados (crédito privado, ações, fundo multimercados, por exemplo).

Será um movimento lento, de médio e longo prazo. Essa é a conclusão dos profissionais da BBDTVM, Bradesco Asset Management (BRAM) e Itaú, reunidos no Centro de Estudos em Finanças (GVCef) da FGV, em São Paulo, é que a migração de produtos com baixo risco para aqueles de maior risco (mais rentáveis).

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