A loteria é uma péssima aposta para milhões de pessoas

Adriana Aguilar      04/04/2012

flickr - doncav

Vários estudos nos Estados Unidos mostram que os jogos de loteria são, desproporcionalmente, consumidos pelos pobres. Nesse caso, a loteria age como um imposto sobre a população de menor renda. “Os pobres tendem a gastar uma parte da renda deles. São pessoas que estão sem dinheiro”, afirma Romel Mostafa, professor da Ivey School of Business. A informação faz parte do texto publicado no site da CNN Money.

Jogar na loteria é um negócio altamente popular com cifras superiores a US$ 50 bilhões nos Estados Unidos. É a forma mais difundida de jogos de azar naquele país. No entanto, uma pesquisa mostra que a loteria oferece as menores premiações entre os jogos de azar nos Estados Unidos.

Segundo levantamento do Census Bureau, em 2009, 42 estados com loterias registraram vendas totais de US$ 52,3 bilhões. Mas, os prêmios somaram apenas US$ 32,3 bilhões e os estados retiveram US$ 17,7 bilhões de receita com as loterias.

De acordo com dados da Bloomberg, os moradores da Geórgia receberam os menores prêmios. Eles gastaram, em média, US$ 471 dólares por ano na loteria, ou 1% de sua renda média. Receberam 63 centavos por dólar gasto no jogo. Residentes de Massachusetts gastaram mais. Ao mesmo tempo, o estado proporcionou retorno maior – 72 centavos por dólar gasto com a loteria.

Dependendo da legislação estadual, a receita arrecadada com a loteria é aplicada em programas governamentais, incluindo a área de educação. No final da década de 90, a National Gambling Impact Study Commission afirmou que os jogos não elevam, necessariamente, os orçamentos dos estados norte-americanos. O dinheiro do jogo, muitas vezes, funciona como um tapa-buraco e não como um complemento.

Os jogos de loterias já foram proibidos nos Estados Unidos. Mas, se espalharam desde que foram introduzidos na década de 1960. Os governos estaduais mantêm monopólio sobre o jogo.

Na maioria das vezes, os governos estaduais tratam o jogo da loteria como “lucro”. Mas, outra maneira é ver o jogo como um imposto. Afinal, o governo recolhe receita de uma população que, voluntariamente, adquire um produto – como um imposto sobre vendas. A única diferença é que o imposto está embutido no preço do bilhete de loteria, em vez de adicioná-lo no final.

No Brasil, em 2011, a Caixa arrecadou R$ 9,73 bilhões em apostas. Esse número é o maior resultado já obtido pelas loterias e representa um crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior. A justificativa é simples. A loteria é barata. Apenas R$ 2,00 por jogo na mega sena em troca do sonho de ficar rico. Para facilitar, em 2012, as apostas podem ser feitas pelo site do banco e o bolão será regulamentado.

Parte do dinheiro arrecadado com as Loterias no Brasil vai para repasses sociais. Entre os principais beneficiários, que recebem recursos das loterias no Brasil, estão a seguridade social, os comitês Olímpico (COB) e Paraolímpico (CPB), o Fundo Nacional da Cultura e o Fundo Penitenciário, além do Ministério do Esporte e do programa de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES).
Como investimento, a loteria não oferece retorno algum. E tem de ter muita sorte para ganhar. Se você jogar seis números na mega sena, a probabilidade de cravar os seis números é de 1 para 50.063.860 pessoas. Saiba que se você fizesse depósitos mensais de R$ 100,00, por 57 anos, em alguma aplicação com rentabilidade líquida de 0,6% ao mês (muito próximo à da caderneta de poupança), você alcançaria a cifra de R$ 1 milhão em 57 anos. Há pessoas que há décadas apostam R$ 10,00 ou até mais, toda semana, em jogos lotéricos. Não recebem rendimento e, dificilmente, ficarão ricas.

O fato é o seguinte: brasileiros têm um baixo índice de poupança e adoram jogar na loteria. Por isso, algumas cadernetas de poupança já estão aliando depósitos com sorteios.

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