Aumenta o volume de recebíveis

Adriana Aguilar      02/02/2012

Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) registraram maior volume nas operações em 2011, se comparado ao ano anterior. Muitas delas foram estruturadas por bancos de pequena e média rede que tiveram importante atuação nas operações de FIDCs neste ano.

“As operações com os fundos de recebíveis tiveram retração no mercado a partir de 2008, devido à crise financeira internacional. Em 2010, houve a retomada dessas operações. A diferença é que, em 2011, elas ocorreram em maior volume. Uma parte significativa são recebíveis financeiros”, afirma o vice-presidente da Anbima, Alberto Kiraly.

Há vários bancos de pequena e média rede de agências, como BMG, BICBANCO, Bonsucesso, Banco Cruzeiro do Sul, Banco Pine, entre outros, que retornaram com mais intensidade para as operações no mercado de capitais, fazendo diferença no volume das operações com FIDCs em 2011.

Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) se destinam à aquisição de direitos e títulos representativos de crédito, originários de operações realizadas nos segmentos financeiro, comercial, industrial, imobiliário, de hipotecas, de arrendamento mercantil e de prestação de serviços. Podem ser abertos, admitindo o resgate de cotas, ou, muito mais comum, fechados, permitida a negociação de cotas em mercado secundário. As cotas dos fundos só podem ser adquiridas por investidores qualificados que podem ser pessoas físicas ou jurídicas que possuam investimentos financeiros de valor superior a R$ 300 mil e atestem, por escrito, sua condição de investidor qualificado.

Segundo dados da Integral Investimentos, houve 74 emissões de FIDCs entre janeiro e início de novembro de 2011, representando o volume aproximado de R$ 20 bilhões. Em 2010, foram mapeadas 79 emissões de novos FIDCs e novas séries de um mesmo fundo, totalizando R$ 13 bilhões. No levantamento, a Integral Investimentos considerou os FIDCs dispensados de registros na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), somados aos constituídos com base nas instruções nº 400/03 e nº 476/09.

No mercado, o investidor encontrará fundos de investimento em direitos creditórios dispensados de registros na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Outros FIDCs são constituídos com base na Instrução 400/03 e, ainda, há FIDCs estruturados no âmbito da Instrução 476/09. Segundo Kiraly, os FIDCs que estão dentro da Instrução 400/03 apresentam determinados padrões de informações disponíveis para serem analisadas pelo investidor no momento da aplicação. Já os FIDCs dentro da Instrução 476/09 exigem mais conhecimento do produto, sendo mais negociados entre um pequeno grupo de investidores.

Segundo a Anbima, dentre o total de ofertas de renda variável e renda fixa do mercado, aquelas realizadas por meio de FIDCs, representavam 3,9% do total de janeiro a outubro de 2010. No mesmo período de 2011, a participação dos FIDCs no total de ofertas subiu para 10,8%.

“ A partir de 2010, saíram recursos da renda variável e dos fundos multimercados. Parte desse volume foi destinado aos produtos multicrédito que adquirem operações estruturadas, como FIDCs, debêntures e CRIs”, explica o sócio diretor da Integral Investimentos, Bruno Amadei Junior. Os investidores também aplicaram em fundos de investimento em cotas de fidcs (FICFIDC).

A Integral Investimentos estruturou 10 FIDCs em 2011, com volumes que variaram de R$ 30 milhões a R$ 500 milhões. “Na constituição do fundo, priorizamos a viabilidade da operação e não o valor da transação”, explica Amadei Junior.

Parte da retomada dos FIDCs também pode ser atribuída à redução da taxa Selic que tende a diminuir os custos para as captações corporativas no mercado doméstico e abrir espaço para o aumento da demanda por ativos privados. Além disso, a continuidade do clima de incerteza no cenário internacional incentiva a utilização das emissões locais como fonte de recursos para as empresas, explica Kiraly.

Em 2011, pela primeira vez, houve operações de FIDCs com remuneração atrelada ao índice de inflação IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Tradicionalmente, as operações são indexadas aos certificados de depósito interbancário (CDI), muito próximo da taxa básica de juro Selic.

A remuneração dos FIDCs para o investidor depende do histórico do emissor, da taxa de classificação de risco (rating) da operação, do volume captado, entre outros fatores. De qualquer forma, a rentabilidade dos FIDCs parece que atraiu o investidor qualificado em 2011. Operações com classificação de risco A+, tiveram rendimento variando de 115% do CDI a 130% do CDI.

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