Bancos públicos oferecem microcrédito para trazer empreendedores ao sistema formal de crédito

Adriana Aguilar      06/12/2011

O Banco do Brasil (BB), a Caixa e o Banco do Nordeste (BNB) estão ofertando microcrédito aos empreendedores de diferentes comunidades carentes do País. A iniciativa dos bancos públicos faz parte do Programa de Microcrédito Orientado, chamado Crescer, do Governo Federal. Um dos objetivos do programa é trazer empreendedores para o mercado formal e para o sistema de crédito.

O microcrédito orientado tem taxa de juro de 0,64% ao mês ou 8% ao ano, com empréstimos que podem chegar a R$ 15 mil. As reduzidas taxas das operações serão bancadas pelos bancos públicos e pelo Tesouro Nacional.

Ao longo de 13 anos, atuando na oferta de microcrédito produtivo, por meio do Crediamigo, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) já realizou 9,3 milhões de operações, desembolsando R$ 12,5 bilhões e prestando atendimento a 1,86 milhão de clientes no período entre 1998 e agosto de 2011. O Crediamigo é o maior programa de crédito produtivo popular direcionado em operação no Brasil.

“A metodologia do Agroamigo é baseada na assessoria de crédito produtivo, orientada e acompanhada”, afirma a superintendente da área de Microfinança Urbana e Micro e Pequena Empresa do BNB, Anadete Apoliano Albuquerque Torres.

A presença do assessor ocorre em três momentos: diagnóstico, orientação e avaliação do negócio proposto pelo empreendedor. O assessor técnico presta assessoria empresarial e ambiental, apontando as atividades que geram renda na região, identificam formas de inserção no mercado local e ainda orientam o desenvolvimento do projeto do empreendedor. Há cartilhas com personagens na área de gestão, custos e meio ambiente.

A maior dificuldade para o microcrédito é a garantia em troca do empréstimo tomado. Por esse motivo, foi criado o aval solidário. Um grupo formado de 3 a 15 pessoas (comerciantes locais) se responsabiliza pelo pagamento da dívida do tomador do dinheiro. O resultado é o baixo índice de inadimplência no BNB, de 0,72% em 2010 e 0,86% em 2011.

Segundo Anadete Torres, um conjunto de fatores contribui para a reduzida inadimplência. Um deles é a preocupação do grupo de aval solidário em não ter o nome dos integrantes em listas de inadimplência. Outro fator são os empréstimos menores no início do relacionamento com o banco. Por fim, há a orientação e acompanhamento do assessor de crédito em cada contrato fechado. “A remuneração do assessor de crédito está atrelada à qualidade da carteira de crédito concedida. Quando há inadimplência, ele também perde”, explica a superintendente do BNB.

A maior parte dos empréstimos vai até R$ 2 mil, com taxa de juro de 0,64% ao mês. Quando o empréstimo alcança o limite de R$ 15 mil, a taxa de juro fica em 1,2% ao mês. O prazo máximo de pagamento é de 36 meses. A Taxa de Abertura de Crédito (TAC) é de 1% sobre o valor do crédito, enquanto no mercado se pratica taxas até 3%. A renovação do crédito não é automática. Está vinculada à visita do assessor para verificação do uso do dinheiro no empreendimento.

Para a viabilidade do programa Crediamigo no Nordeste, há uma parceria entre o BNB, que articula o financiamento e o Instituto Nordeste Cidadania, responsável pela seleção e contratação dos assessores de microcrédito. Hoje, são 2.246 assessores de microcrédito. A atuação do Crediamigo está presente nos estados do Nordeste, norte do Espírito Santo, norte de Minas Gerais e, no Rio de Janeiro, na capital do estado e no município de São Gonçalo. O programa do BNB no Rio conta com a parceria da organização Vivacred para a seleção dos assessores e acompanhamento dos empréstimos feitos.

Segundo a superintendente do BNB, Anadete Torres, a meta é finalizar o ano de 2011 com 1 milhão de clientes no programa Crediamigo. No final de agosto passado, o banco já somava 943,5 mil clientes. Deste total, apenas 30 mil empreendedores estavam formalizados, ou seja, apresentava o CNPJ do negócio próprio. “Por esse motivo, para o acesso ao microcrédito, o BNB solicita apenas o número de registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), comprovante de endereço e da atividade econômica há, pelo menos, seis meses. Até 2015, o objetivo é alcançar 2,5 milhões de clientes.

Em volume de microcrédito concedido de janeiro a agosto de 2011, o BNB desembolsou R$ 1,76 bilhão. O levantamento feito pelo BNB mostra que 92% do volume de microcrédito concedido foram para o segmento do comércio (mercearias, pipoqueiros, bares, lanchonetes, confecções, revendedoras de produtos de beleza, entre outros). Outros 6% tiveram como destino o setor de serviços. Por último, ficam as indústrias (2%). Interessante notar que as mulheres representam 65% dos clientes do Crediamigo.

A metodologia do crédito produtivo, orientado e acompanhado também está sendo praticado pela Caixa na concessão do microcrédito aos empreendedores. O projeto piloto começou em 16 de setembro passado em cinco cidades: Complexo do Alemão (Rio de Janeiro), Porto Alegre e em São Paulo (Capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo). A partir de outubro de 2011, todas as agências da Caixa espalhadas pelo País passaram a ter um agente voltado ao microcrédito, explica o gerente de Clientes e Negócios da área de Inclusão Produtiva da Caixa, Lúcio Flávio Vilar de Azevedo.

Foram contratados agentes jovens, entre 18 e 22 anos, cursando, pelo menos, o primeiro ano do ensino médio. O programa tem priorizado a contratação de beneficiários do Programa Bolsa Família. “É a primeira oportunidade de emprego, dentro da própria comunidade”, explica Vilar de Azevedo.

Para cada grupo de 20 agentes jovens, há a orientação de um gerente social da Caixa.Os agentes jovens vão até as comunidades, entrevistam os empreendedores, verificam a capacidade de pagamento, endividamento, entre outras quesitos. Para o projeto piloto nas cinco cidades, foram treinados 100 agentes jovens. Outros 460 agentes jovens estão em fase de treinamento para o início das atividades em outubro. Os agentes apresentarão cartilhas do programa e de educação financeira ao empreendedor, além de o acompanhamento da aplicação dos recursos no projeto.

Na Caixa, os empréstimos variam de R$ 300,00 a R$ 15 mil, com prazo de pagamento de 4 a 24 meses. Em média, o tíquete médio do empréstimo varia de R$ 1 mil a R$ 2 mil, podendo ser capital de giro ou recursos para investimentos (compra de geladeira, motocicletas, máquinas, entre outros). Grupos de três a sete empreendedores, dentro da comunidade, se responsabilizam como avalistas do empréstimo (aval solidário).

“Temos a expectativa de fechar 56 mil contratos com empreendedores em 2011 e, no ano seguinte, outros 300 mil contratos. Vamos conseguir inserir muita gente dentro do sistema de bancarização”, afirma Lúcio Flávio Vilar de Azevedo. No empréstimo concedido, a pessoa física não pode ter o nome em listas de inadimplência. Também tem de apresentar o CPF. A partir daí, é aberta uma conta na Caixa, sem cobrança de taxas. Em seguida, o cliente recebe o cartão de movimentação.

Em 21 de setembro passado, o Banco do Brasil (BB) lançou seu programa do Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) aos empreendedores com faturamento bruto anual de até R$ 120 mil, propondo orientação educativa e acompanhamento aos tomadores de crédito. Os empreendedores individuais, com faturamento de até R$ 36 mil por ano, também compõem o público-alvo do programa.

“Queremos que os empreendedores individuais e microempreendedores pessoas físicas, na informalidade, se transformem em pequenos empresários. O crédito bem aplicado se constitui em um vetor de indução ao crescimento das empresas”, afirma o vice presidente de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas do Banco do Brasil, Osmar Dias.

Por meio de visitas técnicas, os funcionários treinados do BB analisam os empreendimentos e elaboram orientações para incentivar o melhor aproveitamento e aplicação dos recursos para o crescimento e a sustentabilidade dos negócios, explica Dias. “Não estamos priorizando segmento. Todos que queiram investir para tornar o próprio negócio rentável, terá o apoio do Banco do Brasil”, afirma Dias.

A linha de microcrédito do BB prevê o limite de até R$ 15 mil, com taxa de juros de 8% ao ano, equivalente a 0,64% ao mês, com prazo para pagamento de até 36 meses. Após a assinatura do contrato, é aberta uma conta aos empreendedores, com uma tarifa reduzida de R$ 5,00, e um conjunto de soluções e serviços (conta corrente, poupança, gerenciador financeiro, cartões, entre outros).

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