Menor taxa de administração deixa plano de previdência mais competitivo

Adriana Aguilar      01/06/2011

Os fundos de previdência completaram 28 meses consecutivos de captação líquida positiva, com seu fluxo crescendo de forma consistente até abril. O patrimônio líquido dos fundos de previdência (11% do total de fundos do mercado brasileiro) já se aproxima do patrimônio dos fundos Referenciados DI (12% do total de fundos), segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).Os profissionais consultados ressaltam a queda acentuada da taxa de administração, nos últimos anos, como fator importante para o aumento da procura.

O patrimônio dos fundos de previdência (VGBLs e PGBLs) alcançou 193 bilhões de reais no final de abril, de acordo com o levantamento da NetQuant. Apenas nos primeiros quatros meses de 2011, o setor previdenciário captou aproximadamente 7,2 bilhões de reais, 18% a mais do que os recursos captados no primeiro quadrimestre de 2010.

A classe de fundos de previdência que liderou o ranking de captação de janeiro a abril de 2011 foi a de Renda Fixa e Multimercado, sem ações na carteira. Nesse tipo de fundo, os investidores da previdência aplicaram 7,47 bilhões no período, enquanto houve o saque de 200 milhões dos fundos de previdência com ações em carteira. Os dados fazem parte da análise feita em 560 fundos de previdência do mercado pela consultoria NetQuant Tecnologia.

No longo prazo – últimos 12 meses até abril passado – também tem sido crescente o patrimônio dos fundos de previdência na categoria renda fixa e multimercado (sem ações). Aumentou 30%, enquanto que o incremento dos fundos de previdência com renda variável ficou em 11%. Na prática, houve uma inversão do que se via um ano atrás, em abril de 2010, quando os fundos de previdência com alguma alocação em ações apresentaram um crescimento patrimonial de 75% em 12 meses, frente à variação positiva dos fundos de renda fixa e multimercado (sem ações), de 19%.

Na Brasilprev, do total de recursos novos aportados em plano de previdência neste ano, 87% teve como destino os planos de previdência de renda fixa, enquanto que apenas 13% foram para renda variável, percentual abaixo da média de anos passados. “Quando o mercado está turbulento, a preocupação do investidor aumenta”, afirma Márcio Matos, superintendente de investimentos da Brasilprev que registrou captação líquida 56% maior nos primeiros quatro meses de 2011 em relação ao mesmo período do ano passado. No encerramento de 2010, a captação líquida da Brasilprev cresceu 40% em relação ao ano anterior.

“Notamos um novo perfil de público. Aqueles que passaram a ver o fundo de previdência de renda fixa como excelente instrumento de investimento”, afirma o gerente comercial de previdência da Icatu Seguros, Sérgio Prates. Ele explica que a rentabilidade de alguns fundos de previdência, com parcelas de títulos indexadas aos índices de inflação em carteira, tem superado o rendimento de alguns fundos de renda fixa do mercado. Na Icatu, um produto de previdência, com título atrelado ao IPC-A, acumula rentabilidade de 12,32% nos últimos 12 meses, até abril, enquanto que fundos atrelados ao CDI renderam 10,60% no mesmo período. Nos dois primeiros meses de 2011, a captação dos fundos de previdência na Icatu Seguros cresceu 148%, se comparada aos primeiros dois meses de 2010.

Pesa a favor do aumento de rentabilidade dos fundos de previdência de renda fixa a queda acentuada da taxa de administração nos últimos anos, em função da competição no mercado. “Na Icatu, não há mais incidência de taxa de carregamento e a taxa de administração dos fundos de previdência de renda fixa é de 1% para aplicação inicial de R$ 10 mil”, diz Prates.

Na prateleira das instituições financeiras, o investidor encontrará fundos de previdência de renda fixa com taxa de administração de 1,75% e fundos de previdência balanceados (com ações em carteira) com gestão ativa e taxa de administração de 2% a 3% ao ano.

Na Sul América, a taxa de administração dos fundos de previdência varia de 0,7% a 2,5%, conforme o segmento, do varejo à alta renda. “O componente renda fixa tem sido prioridade para os novos entrantes da previdência privada. Antes da crise, havia uma tendência maior ao risco da renda variável”, avalia Carolina de Molla, diretora técnica comercial de Vida e Previdência da SulAmérica que, de janeiro a março, recebeu contribuição de R$ 89 milhões aos fundos de previdência, 54,8% superior ao mesmo período de 2010.

O sócio da NetQuant Tecnologia Financeira, Marcelo Nazareth, explica que dois fatores podem levar os fundos de previdência a superar a rendimento dos fundos referenciados DI. O primeiro deles é a ausência da tributação come-cotas nos fundos de previdência. O segundo fator é a alocação da carteira do fundo de previdência em títulos prefixados e indexados à inflação. Nos últimos 24 meses, encerrados em abril passado, por exemplo, o CDI rendeu 20.31% , enquanto que o IMA (índice que reflete uma cesta diversificada de títulos (pós-fixados + inflação + prefixados) rendeu 25,37%.

O toque final é o modelo de tributação diferenciado que faz crescer o rendimento da previdência no longo prazo. A cada seis meses, há a retenção antecipada, por parte da Receita Federal, de um percentual (recolhido na fonte) sobre o valor das cotas nos fundos de investimento de renda fixa. É o chamado come-cotas. No fundo de previdência, não há come-cotas, pois a alíquota do IR só incide lá na frente, no momento do saque das parcelas. A vantagem para o investidor é maior porque todo o patrimônio do plano de previdência (principal e renda) vai aumentando com o passar dos anos.

Também em função da tributação regressiva, prevista apenas para os fundos de previdência, o investidor tem o direito de optar por uma alíquota de 10% – a menor do mercado . A condição para pagar os 10% de alíquota é deixar cada contribuição feita ao plano de previdência aplicada por um período de 10 anos. A tributação regressiva começa com uma alíquota de 35% (se saque do dinheiro ocorrer em até dois anos) caindo para 10% (após 10 anos). A alíquota é reduzida a cada dois anos.

Saiba mais:

Quando comprar ou alugar…

Crédito do cheque especial serve para emergências de curto prazo!

Pesquise o menor imposto na previdência privada

Bons pagadores de boletos investem em ações

Troque sua posição de “devedor dos financiamentos” para investidor

Como aumentar o 13º salário

Despesas com carro ultrapassam R$ 15 mil ao ano

190 mil investidores compram títulos do Governo

Maioria guarda dinheiro na caderneta de poupança

Repetir “poupe seu dinheiro” não surte efeito!

Os dez erros cometidos no controle do orçamento

Previdência Social: fonte insuficiente para sua aposentadoria

O que rende mais: poupança ou fundo DI?

Por que as pessoas evitam atrasar a prestação da casa própria?

Aulas de educação financeira nas escolas públicas

Os 10 mandamentos do bilionário investidor brasileiro

Quais as 12 ações que fazem parte da carteira do investidor Lírio Parisotto?

As 10 lições de Warren Buffett

Onde estão aplicados os US$ 55 bilhões de Buffett

Quem acumulou R$ 1 milhão nos últimos 12 anos?

 

Envie por e-mail

 

Deixe um comentário