O peso do cafezinho e da cervejinha no bolso

Adriana Aguilar      04/04/2011

Na hora de economizar, é necessário abrir mão do prazer de tomar um cafezinho diário com os amigos ou a pizza semanal com a família? Só viver em função da economia de dinheiro, sem desfrutar de minutos agradáveis com colegas e família?

“O cafezinho, a pizza e a barrinha diária durante a ginástica na academia são supérfluos importantes, que fazem bem à vida. Não devem ser considerados exageros, desde que apreciados de maneira comedida”, diz o planejador financeiro, Rogério Nakata, da empresa Economia Comportamental.

O valor de um cafezinho, de R$ 2,50, durante os cinco dias da semana, renderia R$ 7.119,58 em cinco anos, na caderneta de poupança. Em uma década, o acumulado é de R$ 17.105,17.

Na avaliação de Nakata, passa a ser um exagero quando a pessoa paga dois ou até três cafés ao longo do dia. “Se a família está com dificuldades para pagar o IPTU da casa ou o IPVA do carro, por exemplo, tem de diminuir a freqüência dos supérfluos. Em vez de freqüentar a manicure, vamos tentar fazer a unha em casa. O carro também pode ser lavado em casa algumas vezes. A pizza “delivery” pode ser quinzenal ou mensal”, diz Nakata.

Deve-se prevalecer o bom senso. Quando há dívida, os cortes são necessários. Não dá para fazer tudo o que se deseja. Para Nakata, quando endividada, a pessoa deve repensar as despesas, claro, sem perda da qualidade de vida.

Uma pesquisa encomendada pela Visa, companhia global de tecnologia de pagamento, divulgada em agosto de 2010, apontou que os pequenos gastos – “não lembrados” – como cinemas, cerveja, estacionamento, gorjeta, cafezinho, entre outros, representam até 26% das despesas do brasileiro durante a semana. A pesquisa analisou o comportamento de 12 mil pessoas de 12 países. O índice do Brasil ficou empatado com o da Rússia e só não foi maior do que o percentual da Austrália, Índia e Países do Conselho de Cooperação do Golfo.

Os australianos são os mais descontrolados com gastos semanais, comprometendo até 34% das despesas com mercadorias das quais não se lembram de terem comprado. Os mais controlados são os japoneses, que deixam de contabilizar 7% dos gastos semanais.

Cerveja e petiscos toda semana com os amigos, ao preço de R$ 50,00. Esse dinheiro aplicado por 10 anos, semanalmente, na caderneta de poupança alcança R$ 34.210,35. Quase um terço do valor de um imóvel de R$ 100 mil.

Se a pessoa consegue pagar, em dia, todas as despesas recorrentes da casa (financiamentos, escola dos filhos, empregada, impostos) e ainda consegue guardar dinheiro para as metas futuras, inclusive, já prevendo o atual padrão de vida da família na fase de aposentadoria, então, as despesas chamadas de controle (cafezinho, chope, pizza, manicure, lava rápido, entre outras) não são problemas na vida da família, explica o administrador e sócio da empresa de Planejamento Financeiro – FinPlan, Rogério Bastos.

No entanto, se a pessoa está no vermelho… a história é outra. Primeiramente, precisa achar a raiz do problema. Pode ser o carro financiado ou a prestação da casa que não consegue pagar. Ou, talvez, a soma das pequenas despesas. Detectado a principal motivo para o escoamento do dinheiro, deve ser corrigido, diz Bastos.

“O ponto principal é encontrar o equilíbrio entre a renda mensal da pessoa e o percentual empregado nas despesas recorrentes, as despesas de controle e o dinheiro para metas futuras”, afirma o sócio da empresa de planejamento financeiro, Rogério Bastos.

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