Pesquise o menor imposto na previdência privada

Adriana Aguilar      06/01/2011

Aportes mensais, por 35 anos, no plano de previdência com sistema de tributação regressiva resultam em uma economia de R$ 110 mil no imposto de renda (IR), se comparado com o sistema de tributação progressivo, sem despesas dedutíveis. É o que mostra a simulação feita pela Mercer consultoria no Brasil (VER TABELA). A regra não vale para todos. É preciso avaliar as condições que resultem no menor imposto.

A simulação considerou o depósito mensal de R$ 500,00 no produto Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), por 35 anos, com rendimento líquido de 7% ao ano. O ganho está livre de taxas. “Quanto maior a taxa de carregamento e a taxa de administração do plano, mais difícil será o alcance dos 7% de rentabilidade líquida”, explica a consultora da Mercer em previdência privada, Carolina Mazza Wanderley.

Nessas condições, após 35 anos de depósitos, a reserva acumulada no VGBL alcançará R$ 860,5 mil. Do total, R$ 210 mil são oriundos dos aportes feitos mensalmente. O restante, R$ 650,5 mil é referente aos ganhos com a taxa de juro de 7% ao ano. “Quando o dinheiro fica aplicado por 10, 20 ou 30 anos, a rentabilidade trabalha pela pessoa.A maior parte dos ganhos vem do rendimento e não do principal depositado”, explica a consultora.

Hoje, o produto Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), carro-chefe do setor, responde por 75% da arrecadação de recursos para os fundos de previdência nos últimos meses. Os 25% restantes ficam por conta da arrecadação do Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL).

Com R$ 860 mil acumulado no plano de previdência VGBL, dá para viver de renda. Todo mês, poderia ser feito um saque mensal de R$ 4,8 mil. “Para não acabar como principal, é preciso calcular a inflação do mês e sacar um pouco menos do fundo”, explica o economista da Souza Barros, Clodoir Vieira. Sobre o saque mensal, haverá a incidência do imposto de renda.

Os saques mensais de R$ 4,8 mil do plano terão a incidência da alíquota máxima de 27,5% do IR no sistema de tributação progressiva, partindo do pressuposto que a pessoa não tenha um dependente, sem outras despesas dedutíveis. Supondo que a pessoa retire, de uma única vez, os R$ 860 mil do plano, ela pagaria R$ 178.165,68 de imposto em função da alíquota de 27,5% sobre o rendimento (VER TABELA).

Na tributação progressiva, ano calendário 2010, o contribuinte fica isento do pagamento do imposto de renda quando o rendimento mensal atinge R$ 1.499,15. Entre R$ 1.499,16 e R$ 2.246,75 ocorre a incidência de 7,5% sobre o ganho mensal. Há as faixas intermediárias para a aplicação das alíquotas de 15% e 22,5%. Acima de R$ 3.743,19, a alíquota a ser aplicada sobre a renda sobe para 27,5%.

Caso a opção tenha sido o sistema tributário regressivo para o VGBL, após 35 anos de aportes, haverá a incidência da alíquota de 10% sobre rendimento do plano, se a pessoa sacar mensalmente os R$ 4,8 mil.

O sistema regressivo de tributação apresenta seis alíquotas que variam conforme o prazo de permanência do dinheiro no produto. A tributação começa com alíquota de 35% (se saque do dinheiro ocorrer em até dois anos) caindo para 10% (após 10 anos). Há uma redução de cinco pontos percentuais na alíquota a cada dois anos no plano. “Quanto maior o prazo de acumulação de recursos, mais vantajoso será o sistema regressivo”, diz Carolina Mazza Wanderley.

Caso o patrimônio do VGBL seja retirado de uma única vez, o imposto a ser pago no regime repressivo soma R$67.735,16. Comparando as duas opções de tributação, na simulação feita, a economia no sistema regressivo de alíquotas em relação ao sistema progressivo é de R$ 110 mil.

Não há uma regra única para todos. Na prática, o sistema tributário ideal para cada pessoa vai depender do tempo de permanência do dinheiro no plano de previdência e, após a fase de acumulação, da quantia mensal a ser retirada, do rendimento mensal total na aposentadoria, despesas dedutíveis do imposto (plano de saúde, despesas com dependentes, com educação). “É preciso fazer simulações de acordo com as condições de cada pessoa”, explica o gerente comercial regional da Icatu, Sérgio Prates Nogueira

Uma segunda opção seria transformar os R$ 860,5 mil do VGBL em renda vitalícia. Nesse caso, o participante da previdência privada aberta receberia a parcela mensal de, aproximadamente, R$ 3.600,00 pelo resto da vida.

Hoje, dificilmente alguém compra renda vitalícia no Brasil por estar condicionada a uma série de cálculos conservadores da seguradora. Durante o cálculo do benefício, é comum as seguradoras partirem do pressuposto que a taxa de juros será de 0% no futuro. As instituições estabelecem esse percentual porque são obrigadas a dar uma garantia mínima. No entanto, a taxa de juros no Brasil é elevada. Um dos procedimentos é o participante e a seguradora firmarem acordo para a divisão dos ganhos quando a rentabilidade superar uma determinada meta.

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2 comentários para “Pesquise o menor imposto na previdência privada”

 

Jônatas comenta:

25/01/2011 às 22:25

Olá,

Tal quantia investida no Tesouro Direto, NTNBP com vencimento em 2045, teria rentabilidade maior e garantida.
VGBL é furada.

Abraço!

 

EvertonRic comenta:

26/01/2011 às 21:11

Com toda licença Adriana, mas utilizo este espaço para dizer que esta sendo lançada a primeira pedra, sobre o mais novo blog de histórias do dia-a-dia de investidores consientes…rsrsrsss, nem sempre.
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Um blog sobre histórias de investimentos e investidores, que ganharam e perderam muito dinheiro no mercado de capitais.
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http://financasforever.blogspot.com
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Se possivel faça-nos uma visita, ah, e lembrando que já coloquei seu blog/site na minha lista de blogs que acompanho e recomendo.
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Podemos aprender sempre amigo, com nosso erros e acertos, mas melhor aprender com os erros dos outros…rsrssss
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Grato,
EvertonRic

 

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