Bons pagadores de boletos investem em ações

Adriana Aguilar      30/11/2010

Tirar um percentual do salário, todo mês, para depositá-lo em alguma aplicação financeira. Isso é um investimento programado. No entanto, muitos não conseguem, por conta própria, fazer a aplicação mensal. O estímulo veio com os boletos das corretoras. Não se trata de boleto de cobrança. O boleto (com data e valor de pagamento) é uma forma de lembrar a pessoa do compromisso com o futuro dela.

“Alguns são bons pagadores de boletos. Colocam os boletos no débito automático do banco e não se preocupam mais. É um meio forçado da pessoa programar seu próprio investimento”, explica o economista e chefe de análise da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira.

A corretora Souza Barros começou a enviar os boletos aos clientes no começo de novembro de 2010. Os clientes podem optar por depósitos mensais de R$ 250,00, R$ 500,00 e R$ 1 mil. “Inicialmente, o dinheiro é investido em títulos públicos por meio do Tesouro Direto para o início de patrimônio. Alcançando o montante de cerca de R$ 3 mil, os recursos seguem para renda variável, com continuidade dos depósitos mensais pelo cliente”, diz Clodoir Vieira.

No Banco Geração Futuro de Investimentos, o boleto tem sido um sucesso para aplicações no longo prazo. De 8% a 10% do total de clientes da corretora investem via boleto.

Quando lançou o “Clube de Investimento Programado 1”, no ano 2000, a Geração Futuro aceitava apenas TED ou DOC para as aplicações no clube, a partir de R$ 100,00. “Fizemos questão de incluir a palavra: “programado” no nome do clube, com a intenção de estimular a disciplina da aplicação mensal, contínua e de longo prazo. É uma forma de minimizar as oscilações que podem ocorrer no mercado”, explica a superintendente comercial do Banco Geração Futuro de Investimentos, Ana Clara Monteiro Rodrigues.

Veio então a idéia do boleto em 2006. Os clientes solicitavam e os consultores enviavam o boleto por e-mail. Mais tarde, uma nova tecnologia implementada permitiu que os próprios clientes gerassem os boletos por meio do site, em 2007.

“O boleto é mais uma alternativa ao cliente interessado em fundos de Investimento com a facilidade de pagamento em qualquer agencia bancária ou pela internet. A função principal é ajudá-lo a não esquecer o investimento de forma programada. Não há a obrigatoriedade de pagamento. O cliente pode gerar o boleto e, por um determinado motivo, não pagá-lo”, diz Ana Clara Monteiro Rodrigues.

No Banco Geração Futuro, cada cliente escolhe a periodicidade do investimento, podendo ser mensal, trimestral, semestral, por exemplo. Ele também escolhe o valor a ser aplicado, conforme a disponibilidade dele no mês. Os valores podem mudar de um mês para o outro, desde que sejam a partir de R$ 100,00.

“Nós temos clientes que pedem para enviarmos o boleto todo mês em um determinado dia e outros que preferem gerar direto via site da Geração Futuro. Alguns clientes pedem para enviarmos 12 boletos para eles se programarem durante o ano”, afirma a superintendente comercial do banco.

O investimento por meio do boleto vai para a aplicação escolhida pelo cliente. Pode ser o Fundo Programado, Fundo Meninas Iradas, Fundo Dividendos, Fundo Seleção, entre outros. O boleto não inclui taxa de administração, apenas é cobrada a tarifa de R$ 1,70 do boleto bancário na Geração Futuro, acrescida ao valor da aplicação. Se o cliente pedir um boleto de R$1.000,00, ele receberá um boleto de R$ 1.001,70, por exemplo.

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