Troque sua posição de “devedor dos financiamentos” para investidor

Adriana Aguilar      23/11/2010

Há duas formas de comprar uma casa ou um carro: financiando (dívida) ou investindo. Quais delas você praticou mais nos últimos meses? Qual tem sido a preferência dos brasileiros nos últimos meses?

A resposta correta é: FINANCIAMENTO (DÍVIDA)!

O financiamento de imóveis no Brasil tem batido recordes seja para a compra de imóveis ou compra de automóveis. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, é a maior instituição de crédito imobiliário do País e estima emprestar R$ 70 bilhões em 2010.

Uma simulação pelo site da Caixa, um empréstimo de R$ 200 mil para ser amortizado em 30 anos, pelo sistema pró-cotista do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), teria custo total de R$ 631.850,00 com juros de 10% ao ano e parcela mensal de R$ 1.755,00.

Segundo cálculos feitos pelo economista, educador e planejador financeiro, Marcos Silvestre, se a pessoa financiar um apartamento de R$ 100 mil, pagando prestações de R$ 1 mil durante 25 anos (300 meses), com taxa de juro de 10,25% ao ano, no final do período, o montante pago ao banco será R$ 300 mil. “Não se esqueça que tais parcelas ainda deverão ser reajustadas por algum índice de inflação!”, explica o professor e planejador Silvestre no boletim publicado em 29 de outubro de 2010.

O juro é a remuneração cobrada pelo banco em troca do dinheiro emprestado a você. A instituição financeira corrige sua dívida mensalmente e a taxa de juro é calculada sobre esse valor. O juro aplicado, todo mês, sobre o dinheiro emprestado, eleva sua dívida inicial da R$ 100 mil para R$ 300 mil após 25 anos.

O planejador financeiro Marcos Silvestre explica que, daquela prestação de R$ 1 mil paga ao banco, se você usar parte dela para pagar um aluguel de R$ 350,00, conseguindo aplicar mensalmente os R$ 650,00 restantes em algum produto com taxa de juro de 10,25% ao ano, você alcançará os R$ 100 mil em 11 anos – menos da metade do período de dívida com o banco.

Em 2010, o crédito para a compra de bens tem como destaque o financiamento de veículos. A dívida dos brasileiros com automóveis financiados somava R$ 94,1 bilhões em dezembro de 2009, segundo dados do Banco Central (BC). Em setembro de 2010, a dívida aumentou para R$ 125,3 bilhões, em função da maior demanda por veículos.

Em média, a taxa de juro para a compra de um veículo financiado é de até 2% ao mês no setor. No acumulado de 2010, até setembro, a taxa de juro alcançou 23,2%. “É uma das menores taxas do mercado em função da garantia. Automóveis são bens que ficam alienados ao banco. No caso de inadimplência, são tomados. Como a operação tem garantia, é possível trabalhar com taxa de juro menor e prazo maior. A média de prazo de pagamento dos veículos financiados, praticada pelo mercado, é de 48 meses”, afirma Ademiro Vian, diretor adjunto de Produto e Financiamentos da Febraban.

Novamente, vamos ao cálculo do professor e planejador financeiro Marcos Silvestre. O carro zero quilômetro mais barato no mercado (1.0, sem ar condicionado, sem direção hidráulica) custa R$ 25 mil. Ao dar R$ 2,5 mil de entrada, o restante será financiado em 60 prestações (5 anos), de R$ 650,00, com incidência da taxa de 1,99% ao mês. No final do período, você terá pago R$ 41.500,00 pelo carro.

Se você atuasse como investidor, primeiramente, depositaria os R$ 2,5 mil da entrada do carro na caderneta de poupança. Depois, faria depósitos de R$ 650,00 na poupança durante 30 meses. Segundo cálculos do professor Marcos Silvestre, você conseguiria comprar o carro em dois anos e meio. “Daqui a 30 meses, o carro terá subido de valor, não custará os mesmos R$ 25 mil. O valor da tabela desse carro poderá ser R$ 27 mil ou R$ 28 mil. Porém, o valor efetivo para a compra à vista, em dinheiro, será de, no máximo, os R$ 25 mil planejados”, explica Marcos Silvestre no seu boletim publicado em 19 de novembro de 2010.

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