190 mil investidores compram títulos do Governo

Adriana Aguilar      14/09/2010

O sistema de compra de títulos públicos online foi a maneira encontrada pelo Governo para democratizar o acesso dos pequenos investidores aos títulos públicos – antes restritos às instituições financeiras. Em 2002, no primeiro ano de compra dos títulos públicos pela internet, havia 5.854 investidores. No segundo semestre de 2010, o sistema está prestes a alcançar 200 mil investidores.

As menores quantias, até R$ 5 mil, representaram 57,47% do volume aplicado em junho. No entanto, ao longo dos anos, o histórico mostra que o valor médio por operação supera os R$ 10 mil por investidor (VER TABELA). Os títulos são ofertados em frações de 0,2. Ou seja, a pessoa física pode aplicar até um quinto do preço do papel indicado no site do Tesouro Direto. Em 13 de agosto, os preços variavam de R$ 441,16 (título indexado ao índice e inflação IPCA com vencimento em 2035) até R$ 4.329,31 (título atrelado à taxa Selic com vencimento em 2013).

Quem estiver disposto a procurar, encontrará boas oportunidades no mercado de títulos públicos. Do montante financeiro vendido em junho, destaca-se a elevada aplicação em títulos indexados ao índice de inflação IPCA (NTN-B e NTN-B Principal), com participação de 45,34% nas vendas. Os títulos prefixados (LTN e NTN-F), que possuem rentabilidade definida no momento da compra, ficaram em segundo lugar entre os mais vendidos, com participação de 40,14% do total das vendas. Os títulos indexados à taxa Selic (LFT) apresentaram participação de 14,52% nas vendas no mês, segundo dados do Tesouro Nacional.

Para a pessoa que sente confiança em fazer o investimento sozinho, sem orientação especializada, o vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello, explica que o primeiro passo é o investidor definir o objetivo da compra: “por que vou aplicar em um título público?”. Há vários motivos: reserva de dinheiro para a aposentadoria, aplicação mais rentável, cobertura de um passivo indexado à inflação, aprendizado, entre outros. Depois, o segundo passo, é a definição do prazo do investimento. O ideal é que seja de médio e longo prazo, ou seja, acima de dois anos. E, por último, a pessoa tem de saber o nível de risco que deseja assumir.

“Os títulos públicos apresentam o menor risco de crédito, pois são títulos emitidos pelo Governo Federal. No entanto, há o risco de mercado que merece a atenção dos pequenos investidores”, diz Mello.

Se o investidor acredita que no terceiro e no quarto trimestre do ano, a inflação vai aumentar, ele tem como opção o título público indexado ao índice de inflação IPCA, chamado NTN-B. No dia 13 de agosto, o título com vencimento em 15/05/2015 prometia pagar 6,26% de juro ao ano, acrescido da taxa de inflação. Portanto, quanto maior o índice inflacionário, maior será o ganho na aplicação.

No entanto, se o investidor avalia que a inflação está contida, sob controle, e que o Banco Central não deve aumentar mais a taxa Selic, então, nesse caso, o suposto investidor poderia aplicar em um título pré-fixado (LTN) que prometia pagar (na metade de agosto) a taxa de juro anual de 11,87% até o vencimento do papel em janeiro de 2013. “São simulações. O risco de mercado depende da avaliação do cenário econômico. E quanto maior o prazo do título, maior o risco da aplicação”, explica Mello.

Para a maior tranqüilidade dos pequenos investidores que desejam sair da aplicação, o Tesouro Nacional realiza recompras toda semana. É uma forma de gerar liquidez aos títulos públicos adquiridos pelos investidores. Só que quanto menor o tempo de aplicação, maior será o imposto (IR) a ser pago sobre os rendimentos. A alíquota pode variar de 22,5% (aplicações com prazo até 180 dias) a 15% (aplicações com prazo de 720 dias).

No estoque total do Tesouro Direto, que representa os títulos públicos em poder dos investidores, 58,2% dos papéis apresentam prazo de vencimento entre 1 e 5 anos. A outra fatia de 20,9% corresponde ao prazo superior a cinco anos. Por fim, 21% dos títulos têm prazo inferior a um ano.

As taxas reduzidas são o grande atrativo da compra de título direta, por meio do Tesouro. Além da taxa anual de custódia da CBLC, de 0,30% sobre o volume, há a taxa de administração, cobradas pelas corretoras que dão o acesso à compra direta de títulos públicos.

Na página inicial do Tesouro Direto, há o ranking de taxas das corretoras. A taxa anual de administração pode chegar a 0,3% sobre o valor aplicado no título. Há corretoras que não cobram taxa. Quanto maior a taxa cobrada menor será o rendimento líquido do investidor.

Saiba mais:

Bons pagadores de boletos investem em ações

Troque sua posição de “devedor dos financiamentos” para investidor

Como aumentar o 13º salário

Despesas com carro ultrapassam R$ 15 mil ao ano

Maioria guarda dinheiro na caderneta de poupança

Repetir “poupe seu dinheiro” não surte efeito!

Os dez erros cometidos no controle do orçamento

Previdência Social: fonte insuficiente para sua aposentadoria

O que rende mais: poupança ou fundo DI?

Por que as pessoas evitam atrasar a prestação da casa própria?

Aulas de educação financeira nas escolas públicas

Os 10 mandamentos do bilionário investidor brasileiro

Quais as 12 ações que fazem parte da carteira do investidor Lírio Parisotto?

As 10 lições de Warren Buffett

Onde estão aplicados os US$ 55 bilhões de Buffett

Quem acumulou R$ 1 milhão nos últimos 12 anos?

 

Envie por e-mail

 

Deixe um comentário