Maioria guarda dinheiro na caderneta de poupança

Adriana Aguilar      02/09/2010

Economia_do_mesA caderneta de poupança é o meio de se juntar dinheiro mais conhecido pela maioria dos brasileiros. Muitos sequer conhecem os fundos de investimento. Atualmente, 57,8% da classe C só têm acesso à caderneta de poupança. Outra fatia de 29,2% é representada pelas faixas D e E.

A pesquisa qualitativa, realizada pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), mostrou que os entrevistados confiam na caderneta e desconhecem outros meios de investimento. Além disso, eles ressaltaram a facilidade para a abertura da conta poupança.

Para a pesquisa, foram ouvidas 400 pessoas da classe C, com renda familiar entre 3 e 10 salários mínimos, em quatro capitais do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife, em janeiro de 2010. Os hábitos de consumo e de administração financeira de oito famílias foram monitorados nos seis meses seguintes às entrevistas.

Muitos dos entrevistados da pesquisa qualitativa da Febraban afirmaram ter o hábito de anotar seus gastos e até mesmo reservar parte da receita para uma pequena poupança. Uma fatia guarda o dinheiro em casa e a outra parte guarda na caderneta de poupança. Alguns disseram que usam a caderneta de poupança como conta corrente, explica o diretor da área de educação financeira da Febraban, Fábio Moraes.

Na avaliação do coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV de São Paulo, William Eid Júnior William Eid, independentemente de a pessoa ser um pequeno ou grande poupador, quem coloca dinheiro na caderneta de poupança quer um instrumento simples que proporcione proteção do dinheiro e comodidade, sem ter trabalho de ficar acompanhando rendimento, pagamento de imposto, volatilidade, explica Eid. Pesa ainda a favor da caderneta de poupança a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para depósitos até R$ 60 mil, no quase de quebra da instituição.

Outra pesquisa, realizada pelo Quorum Brasil, no início de agosto de 2010, verificou se que, na média, 69% das famílias vêem a caderneta de poupança como “investimento” interessante. Mas, apenas 43% delas estavam guardando dinheiro na poupança recentemente.

Na pesquisa da Quorum Brasil, foram entrevistadas 400 pessoas da região metropolitana de São Paulo. Todas da classe C, com renda entre R$1.500,00 e R$ 2.000,00.

Do total de investimento mais realizados pela classe C, 74% das mulheres colocam o dinheiro na caderneta de poupança, enquanto que o percentual dos homens para a aplicação no mesmo produto é de 63%, aponta a pesquisa da Quorum Brasil. Em segundo lugar, a forma de investimento preferida são os imóveis por 58% dos homens e por 51% das mulheres.

Foi constatado que 40% do total de 400 entrevistados não fazem qualquer tipo de investimento, nem para caderneta de poupança e nem para a compra de um imóvel no futuro.

A impossibilidade de guardar algum dinheiro é visto como um possível reflexo do nível de endividamento deste grupo de brasileiros de São Paulo, que tiveram nos últimos tempos um largo acesso ao crédito e novos bens de consumo.

Durante as entrevistas realizadas pela Quorum Brasil, 50% das mulheres abordadas têm menor possibilidade de guardar dinheiro, de fazer algum tipo de investimento, contra 25% dos homens. Talvez, o entrave maior para as mulheres seja a desigualdade salarial existentes nos cargos ocupados. Os homens costumam ganhar mais do que as mulheres, quando comparado o mesma ocupação.

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1 comentário para “Maioria guarda dinheiro na caderneta de poupança”

 

Cíntia comenta:

27/09/2010 às 11:09

esses são dados bastante interessantes e que revelam um pouco sobre como o brasileiro (classe C, povão) costuma lidar com o dinheiro. após o enorme esforço para conseguir economizar algum dinheiro, as possibilidades mais seguras parecem ser comprar imóveis ou simplesmente guardar na poupança. talvez seja falta de confiança do povo em investimentos que possuem risco (o qual eles não podem correr, mesmo que possa render muito mais) junto com a falta de informação especializada.

 

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