Repetir “poupe seu dinheiro” não surte efeito!

Adriana Aguilar      17/08/2010

megafoneGastar mais do que se deve, ficando sem dinheiro para pagar as contas é o hábito conhecido como “overspending”. É um problema cada vez mais comum diante do aumento da oferta de crédito. Pesquisas mostram que ficar repetindo “poupe seu dinheiro” tem pouca eficácia!

Além disso, as pessoas não se consideram responsáveis pelos gastos e inadimplência. A culpa é dos outros ou de outras coisas – despesa imprevista, desemprego, surto emocional, administradora do cartão etc. Assim, a maioria não se sente diretamente responsável pelo não pagamento da conta ou da dívida.

A nova classe média – consumidores da classe C – ainda passa por restrições. Ela não quer escutar “não consuma e guarde seu dinheiro”. Essa classe tem necessidade de alguns produtos e vê o consumo como inclusão social. Isso explica porque alguns têm celulares e televisores, por exemplo, tão sofisticados, afirma Fábio Moraes, diretor de Educação Financeira da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

Esses pensamentos e hábitos de consumo foram constatados em uma qualitativa da Febraban, realizada em janeiro de 2010. Para a pesquisa, foram entrevistadas 400 pessoas da Classe C, que têm renda familiar entre 3 e 10 salários mínimos, a chamada nova classe média, em quatro diferentes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife.

“A compra de produtos de marca e de qualidade reconhecidas é vista como investimento, já que não se pode errar na compra, pois não há dinheiro para jogar fora. As TVs de plasma, DVDs e celulares são, no cotidiano desses consumidores, acesso a lazer e comunicação para a família, que substituem gastos com restaurantes, cinema etc”, explica Fábio Moraes.

É interessante notar que, segundo a pesquisa, quando existe um pensamento de futuro, é voltado para o consumo e bem estar próprio e de seus familiares para assumir compromissos sem apertos. Por isso, as motivações para poupar são duas: reservas para emergências e quantias para comprar um bem de maior valor (carro, casa etc.) ou serviço.

O economista Augusto Sabóia faz o planejamento financeiro pessoal de 61 famílias, incluindo os filhos de outros casamentos, netos, pais, sogros, entre outros agregados. Do total, 11% não conseguem fazer economia por mais de um ano.

Segundo Sabóia, ficar repetindo para as pessoas economizarem não surte efeitos. É como pedir para uma pessoa que está fazendo regime: “pare de comer”. Na teoria, todos sabem o que tem de ser feito.

Diante disso, Sabóia tem repetido em suas palestras: “Pare de economizar, planejar dá mais certo”. Segundo ele, se a família planeja férias em Miami em janeiro do próximo ano, todos os membros vão se esforçar para cortar despesas supérfluas para o alcance do objetivo.

“ A estratégia do questionário dos sonhos da família e o planejamento para alcançá-lo, dentro de um prazo programado, é mais eficaz do que pedir para economizar . Quem faz sacrifício, sem meta, comete deslizes no curto prazo”, diz Sabóia.

Os consumidores compulsivos costumam comprometer o dinheiro do mês seguinte, gastam mais do que recebem, ficam presos a vários parcelamentos longos e não conseguem poupar.

Pela pesquisa da Febraban, a faixa dos jovens, até 30 anos, solteiros, com emprego formal, é a de maior risco para o endividamento. Gastos com baladas, vestuário e outros supérfluos podem atingir cifras altas e, por falta de planejamento, o jovem ainda não se dá conta de que é aí que sua conta fica “no vermelho”, afirma Fábio Moraes.

Muitos até têm o hábito de anotar seus gastos e até mesmo reservar parte da receita para uma pequena poupança. No entanto, gastos fundamentais ficam de fora da planilha.

Para Sabóia, preencher corretamente uma planilha de orçamento exige perseverança e coragem, pois a pessoa é obrigada a listar a prestação do automóvel e todas as despesas ocultas (seguro, combustível, IPVA, licenciamento), relacionadas ao carro. Reconhecendo todos os gastos, toma-se conhecimento do que, realmente, cabe no bolso. “É preciso comprar somente o que a renda permite”, diz Sabóia.

A pesquisa da Febraban constatou que as pessoas só se sentem endividadas quando não conseguem pagar suas contas. Ou seja, confundem o conceito de endividamento com o de inadimplência. “Essa confusão é um risco, pois até o momento em que pode pagar a conta, a pessoa acha que pode continuar tomando crédito e gastando, mesmo que esteja no limite do que seu orçamento agüenta”, diz Moraes.

O cartão de crédito funciona como uma poupança em casos de emergência, além de ser emprestado para amigos e familiares, disseram os entrevistados da pesquisa da Febraban.

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1 comentário para “Repetir “poupe seu dinheiro” não surte efeito!”

 

José Messias Ruggieri comenta:

20/08/2010 às 14:58

Parabens pelo site. Esse post é muito bom.

Adoro ler todo tipo de noticias e artigos relacionado as finanças pessoais.

Tenho um trabalho também em meu site com relação a educação financeira pessoal. Acho muito triste a situação que a maioria de nosso povo se encontra. Vivendo sem objetivos se afundando em dívidas. Culpa de um país de analfabetos financeiros.

Abraços. E se quiser da uma passada lá no meu site. Como voce é da área acredito que vai gostar.

Abraços.

 

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