Corretoras elevam o peso de ações da Vale e diminuem participação da Petrobras

Adriana Aguilar      09/08/2010

carteirasNas carteiras de ações recomendadas por um total de 9 corretoras, 7 delas incluíram as ações preferenciais da Vale (VALE PNA). Ao mesmo tempo, os papéis da Petrobras foram reduzidos. Apenas 1 corretora manteve a indicação da ação para os investidores. A ação da Petrobrás continua penalizada pelas incertezas do seu processo de capitalização.

O papel da Petrobrás, um dos mais negociados nos pregões da bolsa brasileira, apresentou fraca performance no mês de julho, se comparada ao mais famoso índice da BM&F Bovespa, o Ibovespa. Em julho, o Ibovespa subiu, enquanto as ações preferências da Petrobras (Petrobras PN) caíram.

“Optamos pela redução de participação de Petrobrás em nossa carteira. Há o risco de que a empresa não consiga realizar sua capitalização este ano, ou que o valor não atinja os US$15 bilhões que estimamos ser o mínimo necessário para financiar seus investimentos de US$ 55 bilhões planejados para 2010”, consta no relatório de estratégia de Renda Variável “HSBC Top Picks Agosto de 2010”.

Nesse momento de indefinição e de “risco político”, associado ao papel da Petrobrás, chama a atenção a atratividade das corretoras pela ação preferencial da Vale. “A empresa continua sendo a preferida do setor de minério de ferro e, embora o cenário de curto prazo ainda demande um monitoramento constante no que se refere a preço e volumes (especialmente em relação ao ritmo da economia chinesa), para o médio e longo prazo, estamos confortáveis com nossa recomendação de compra e preço justo de R$ 59,00 por ação”, afirma a equipe de análise da Itaú Corretora no relatório de agosto.

As premissas positivas da Itaú Corretora para a ação da Vale consideram a recuperação do consumo de minério de ferro e aço na China no final de 2010 e começo de 2011, impulsionada pelo setor imobiliário e tendência de urbanização.

A projeção é de que a Vale seja negociada a um múltiplo EV/EBTIDA, em 2011, de 4,7 vezes, significativamente inferior à média histórica da companhia e também inferior aos múltiplos negociados, por exemplo, no setor de siderurgia, explica a Itaú Corretora.

O índice EV/EBITDA mede quanto a empresa tem de gerar de caixa para atingir o seu valor de mercado. No caso da Vale, seria necessária a geração de 4,7 caixas para se alcançar o valor de mercado da empresa. O uso do EV (Enterprise Value ou Valor da Empresa) permite que as dívidas sejam levadas em conta na precificação das ações.

Após a divulgação dos sólidos resultados da Vale no segundo trimestre de 2010, há também a expectativa otimista por parte da equipe de análise da HSBC Corretora em relação ao resultado da mineradora no segundo semestre de 2010, principalmente, após a recente recuperação no preço à vista do minério de ferro e dos preços de fretamento para carvão e minério para a Ásia, indicando maior demanda no curto prazo.

As carteiras de ações recomendadas pelas 9 corretoras para agosto mantêm o otimismo com os papéis do setor de construção: Brookfield Incorporações (BISA3), Gafisa (GFSA3), Rossi Residencial (RSID3), Eztec (EZTC3) e BR Malls Participações (BRML3).

Em julho, as ações do setor de construção Eztec e Brookfield subiram 14,01% e 18,25%, respectivamente. Foram alguns dos destaques do setor no mês passado.

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