Pequeno investidor aplica em fundo com taxa de administração mais alta

Adriana Aguilar      30/07/2010

taxa_administraçaoA maior parte dos pequenos investidores tem optado por pagar a taxa de administração de 4% quando deposita até R$ 1 mil em fundos referenciados DI. Por conta disso, acaba tendo uma rentabilidade bem baixa na aplicação feita. Com o aumento do número de depósitos, o montante acumulado no fundo DI com taxa de administração de 4% passou de 43,9% para 47,3% do patrimônio líquido total dessa categoria de produto.

Os fundos Referenciados DI são produtos conservadores, com mais da metade da carteira composta por papéis emitidos pelo Governo Federal (títulos públicos). Em 2010, o fundo referenciado DI tem apresentado rendimento líquido em torno de 5 a 6% ao ano. No entanto, quanto maior a taxa de administração cobrada, menor é o rendimento do fundo. Ao pagar 4% de taxa de administração, é impossível o dinheiro render 6% ano. Seria melhor migrar para o dinheiro para a caderneta de poupança.

O que rende mais: poupança ou fundo DI?

Profissionais consultados não sabem explicar quais os motivos que levam os pequenos investidores a aplicarem em fundos com taxa de administração de 4%.

A taxa de administração é cobrada sobre cada quantia depositada por você e não sobre o saldo total do fundo. Se você investiu R$ 1 mil em um fundo cuja taxa de administração é de 4%, terá que pagar, ao longo do ano, o equivalente a R$ 40,00. Calculada sobre cada depósito feito, a taxa será cobrada independentemente de o fundo apresentar rentabilidade negativa.

A taxa de administração serve para remunerar o trabalho de administração do fundo feito pelas instituições e o custo do produto. Segundo a associação que representa os fundos de investimento, chamada Anbima, as administradoras dos fundos têm gastos com impressão, expedição e publicação de relatórios, correspondências, auditorias em todas as transações e outras exigências da CVM. Tudo tem de ser feito para cada um dos cotistas.

Como exemplo, um fundo com patrimônio de R$ 1 milhão e depósito de entrada de R$ 100 mil, teria apenas 10 cotistas. No entanto, o mesmo fundo com patrimônio de R$ 1 milhão e tíquete de entrada de R$ 1 mil, passa a ser composto por 1 mil cotistas. “Quanto menor o tíquete do fundo, mais transações de pessoas e, portanto, maior o custo de impressão, relatórios, correspondências para cada participante do fundo”, afirma o vice-presidente da Anbima, Demosthenes Madureira de Pinho Neto.

De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável por fiscalizar e inspecionar os fundos de investimentos, a melhor maneira para o investidor se proteger de altas taxas de administração é se informando adequadamente por meio dos prospectos, regulamentos e sites de distribuidores e do investidor, por exemplo.

O percentual cobrado sobre seu depósito para despesas e gestão do fundo tem de constar no Regulamento do Fundo. Peça para ver o percentual escrito no regulamento antes de assinar o contrato de adesão ao fundo.

O superintendente de Relações com Investidores Institucionais da CVM, Francisco Santos, afirma que as taxas de administração dos fundos são um preço de mercado, não havendo qualquer tipo de interferência da CVM nesse aspecto. “Também não há qualquer intenção de regular esse tema de modo diverso”, diz Francisco.

Outra recomendação da CVM é a comparação das características dos diversos produtos ofertados para a decisão daquele que seria o produto mais adequados ao investidor, tendo em vista seu próprio perfil de risco, características e objetivos de investimento.

A CVM vem desenvolvendo iniciativas como o site do investidor. O portal permite diversos tipos de consultas sobre fundos de investimento, inclusive a visualização das taxas de administração e a análise de informações de prospectos e regulamentos. “Trata-se de um problema de informação do investidor e não de qualquer tipo de interferência ou limite à fixação de taxas de administração, que permanecem como preço livre de mercado”, afirma a superintendente de desenvolvimento de mercados da CVM, Luciana Dias.

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