O que rende mais: poupança ou fundo DI?

Adriana Aguilar      12/07/2010

quebra_cabecaEm quais condições, valeria a pena fazer aplicações em um fundo de renda fixa referenciado DI, com 100% da carteira composta por títulos públicos? A taxa de administração tem de ser critério decisivo. Somente quando o investidor encontrar um fundo conservador com taxa abaixo de 1,6% ao ano, o rendimento do fundo referenciado DI será superior ao da caderneta de poupança.

Segundo cálculos do coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV de São Paulo, William Eid Júnior, a caderneta de poupança renderá 7% nos próximos anos. Nos fundos referenciados DI, o investidor poderia considerar o rendimento bruto em torno de 10% ao ano (atrelado à taxa básica de juro Selic).

Supondo que o investidor deixará o dinheiro dele aplicado no fundo referenciado DI, com 100% de títulos públicos em carteira, por mais de dois anos, para alcançar a menor alíquota de IR de 15% sobre os rendimentos, então o fator diferencial será a taxa de administração. “Fazendo as contas, chega-se a conclusão que se a taxa de administração cobrada for 1,68% ao ano, o rendimento do fundo DI fica igual ao da poupança”, diz Eid Júnior.

Nessas condições, só valeria apena deixar o dinheiro no fundo referenciado DI com taxas de administração inferior a 1,6%, difícil de ser encontrada em produtos de investimentos para pessoas com baixo tíquete de aplicação, até R$ 10 mil. É por isso que a caderneta de poupança continua sendo uma boa alternativa aos pequenos investidores conservadores, atraídos pelos títulos públicos pós-fixados.

Na avaliação de William Eid, a pessoa que coloca dinheiro na caderneta de poupança, seja pequeno ou grande investidor, quer um instrumento simples que proporcione proteção do dinheiro e comodidade, sem ter trabalho de ficar acompanhando volatilidade, rendimento, pagamento de imposto e prazos, explica Eid.

Nos primeiros cincos meses de 2010, enquanto os fundos referenciados DI registraram a saída de R$ 6,29 bilhões, a entrada líquida de recursos na caderneta de poupança somou R$ 5,26 bilhões (ver tabela).

Pesa ainda a favor da caderneta de poupança a isenção do Imposto de Renda (IR) no rendimento, a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para depósitos até R$ 60 mil, no quase de quebra da instituição. E, por fim, a poupança também está livre da taxa de administração cobrada pelos fundos.

Do outro lado, os fundos de investimentos apresentam a taxa de administração e os recursos aplicados no DI têm incidência de imposto de renda (IR), com alíquota de 22,5% sobre o rendimento do fundo nas aplicações inferiores a seis meses, baixando para 15%, quando o dinheiro permanece por mais de dois anos no fundo de renda fixa de longo prazo. Ainda há o custo do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide nos saques feitos em um prazo inferior a 30 dias da data de aporte do dinheiro no fundo. Portanto, o rendimento do fundo tem de compensar todos os custos do produto e impostos para valer a pena.

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