Empresas com operações locais permanecem na mira das corretoras

Adriana Aguilar      09/07/2010

carteirasAté o final do semestre passado, a BM&F Bovespa acumulava a retirada de R$ 2,5 bilhões por parte dos estrangeiros em relação a uma entrada líquida de R$ 2 bilhões em 2009. A saída de recursos do País parece ser a maior ameaça à valorização do mais famoso índice da bolsa, o Ibovespa.

Como já acontecera em meses passados, os riscos externos continuam se sobressaindo aos internos. A atividade industrial na China e nos Estados Unidos sinaliza desaquecimento. Alguns países europeus continuam com déficit nas contas. Depois do susto da Espanha, Irlanda e Grécia, agora é a Inglaterra que deve acelerar o processo de ajuste interno para a redução do seu déficit público, que subiu de 5,8% do PIB em 2008 para 12,6% do PIB em 2009.

Enquanto o mercado internacional continua volátil, no Brasil, o cenário mais provável para o retrato da economia do país ao longo de julho é de manutenção do crescimento de vendas, devido às boas condições de empréstimos bancários e ao aumento da renda real.

Por isso, a HSBC Corretora está priorizando em sua carteira de ações de julho as empresas com operações direcionadas ao cenário doméstico. Os setores mais favoráveis seriam o de energia elétrica, açúcar e álcool, consumo, varejo e bebidas, beneficiados pela expectativa de crescimento do nível de emprego e da renda no Brasil.

Nas carteiras de ações recomendadas para julho, três diferentes corretoras indicaram o papel da construtora Eztec, com alta de 3,76% em junho; Randon – conglomerado de oito empresas, com atuação no segmento de implementos rodoviários, autopeças e serviços – e a mineradora Vale.

O consultor econômico da corretora Alpes, José Góes, explica que a preocupação com a retomada da economia mundial acabou prejudicando as ações da Vale e da Petrobrás em junho. Mesmo assim, ele avalia que esses papéis terão desempenho promissor.

Segundo a equipe de análise da corretora Spinelli, a recomendação da ação da Vale se justifica pela recente revisão da política cambial na China, que estimula o aumento das importações do país, bem como a fraca performance das ações em junho, que deixou mais atrativos os múltiplos da Companhia. “Ressaltamos que a Companhia deve apresentar forte crescimento já no 2º trimestre de 2010, seja pelo maior nível de atividade, seja pela capacidade adicional de Carajás após a conclusão do recente projeto de expansão”, consta no relatório da Spinelli.

Para a Itaú Corretora, no médio prazo, os fundamentos da Vale deverão prevalecer diante da recuperação do consumo de minério de ferro e aço na China no final de 2010 e começo de 2011, impulsionada pelo setor imobiliário e tendência de urbanização. Dessa forma, as ações de Vale continuam sendo uma das melhores opções no segmento de recursos naturais, lembrando que a ação está sendo negociada a múltiplos bastante atrativos: 4,2 vezes EV/EBTIDA para 2011 e um Preço/Lucro (P/L) de 6,2 vezes também para 2011. O preço justo para a ação da Vale é R$ 59,00, ou seja, potencial de valorização de 55%.

 

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