Aulas de educação financeira nas escolas públicas

Adriana Aguilar      05/07/2010

Educacao_financeiraTodos os alunos do País, desde o fundamental ao ensino médio, terão aulas de educação financeira. A nova disciplina – que abordará educação financeira, previdenciária, bancária, tributária, mercado de capitais, relações de consumo, planejamento de orçamento, aprendizado sobre seguros, capitalização, relação entre tempo e dinheiro – estará presente por 12 anos na grade curricular do ensino público brasileiro. A perspectiva é de que o documento instituindo a nova disciplina seja publicado em agosto.

A minuta final do decreto que prevê a implantação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef) no Brasil e também institui o Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef) já foi analisado pelo Ministério da Fazenda, Ministério da Educação e Cultura (MEC), Ministério da Justiça e Casa Civil. “Depois de passar pela consultoria jurídica do Ministério da Previdência, estará pronto para seguir pelo sistema de controle de tramitação de processos administrativos da Casa (SIDOC). Há chances de ser publicado em agosto”, explica Patrícia Monteiro, coordenadora-geral de pesquisas atuariais, contábeis e econômicas da Previc, ligada ao Ministério da Previdência Social.

A Enef, programa iniciado pelos órgãos reguladores do Sistema Financeiro Nacional, Banco Central (BC), Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência de Previdência Complementar (SPC) e Superintendência de Seguros Privados (Susep), hoje, conta com o apoio de outras entidades de ensino dos municípios e Estados, Anbima, Febraban, Instituto Unibanco, BM&F Bovespa.

O projeto piloto do ensino de educação financeira nas escolas da rede pública está sendo aplicado, em um primeiro momento, aos alunos do ensino médio desde o final de junho, com um investimento que ultrapassa US$ 2 milhões.

Com a publicação da minuta, o projeto piloto de educação financeira deve se transformar em uma política pública para ser conduzida de forma permanente ao longo de décadas. “Estamos desenvolvendo o trabalho enquanto a estrutura no âmbito federal não está estabelecida”, afirma o superintendente de Proteção e Orientação ao Investidor, José Alexandre Vasco, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Desde a última semana de junho, os alunos de um total de 900 escolas da rede pública dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Distrito Federal e do Ceará, recebem aulas de educação financeira.

Para comparação da eficiência da nova disciplina, os alunos de outro grupo, composto também por 600 escolas, sem aulas de educação financeira, também serão avaliados. No total, o projeto piloto envolverá mais de 1 mil escolas da rede pública.

Os testes de avaliação de ensino de educação financeira em âmbito nacional, com o envolvimento de mais de 1 mil escolas, é uma iniciativa inovadora no País. No projeto piloto brasileiro, será usado uma modelagem estatística chamada de Teoria da Resposta ao Item (TRI), aplicada na prova do novo Enem e também em avaliações internacionais. A TRI, aplicada tanto em testes de múltipla escolha como nos dissertativos, será usado nos testes dos alunos do ensino médio que participarem do projeto piloto daqui. Ainda haverá workshops com os pais dos alunos para a mensuração do impacto da educação financeira nas famílias.

Interessado na avaliação consistente do aprendizado do ensino de educação financeira aos jovens e à família delas, o Banco Mundial investirá até US$ 500 mil para a aplicação dos testes, ainda mais por se tratar de uma amostra superior a 1 mil escolas.

Os testes para mensurar conhecimento e comportamento ( habilidades, valores e iniciativas) do jovem em relação ao dinheiro ocorrerão em dois momentos: antes do início do módulo de educação financeira na sala de aula e, mais tarde, no encerramento do módulo. Para isolar as possíveis influências externas (novelas, filmes, programas, jornais, revistas etc) no aprendizado dos jovens, os testes serão aplicados no grupo de escolas públicas com aulas de educação financeira e também, em outro grupo sem aulas de educação financeira. A intenção é comparar os resultados de ambos grupos para o isolamento dos efeitos externos.

O projeto piloto com os alunos do ensino médio levará dois anos para ser concluído. Durante o período, as aulas de educação financeira poderão ser ministradas por professores de português, matemática, história, filosofia, entre outras disciplinas. Será um tema transversal, abordado ao longo da carga horária ou, se a escola preferir, em turno complementar. Testes serão feitos nas diferentes modalidades.

Na primeira fase, o Instituto Unibanco contratou pedagogos para o desenvolvimento do material didático (módulo 1 e módulo 2) usado na capacitação dos professores do ensino médio. “Agora, a BM&F Bovespa começa a planejar, junto a pedagogos, o conteúdo para todo o ensino fundamental. A disciplina será dada por 12 anos diretos nas escolas do País”, explica José Alexandre Vasco, da CVM.

O superintendente de Proteção e Orientação ao Investidor da CVM ressalta que não haverá venda de produtos, disfarçada de educação financeira. A disciplina não se restringe a planilhas de orçamento, mercados e produtos para investimentos. “São abordados aspectos de cidadania como: pagamento de imposto e conservação do bem público, impacto das ações no meio ambiente e, principalmente, constituição de visão para o futuro para a criança e adolescente”, diz.

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1 comentário para “Aulas de educação financeira nas escolas públicas”

 

JOSE FERREIRA comenta:

09/09/2010 às 21:40

Já estava mais que na hora de investimentos na Educação e Cultura financeira do nosso povo.

 

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