Ação da BM&F Bovespa cai 7,4% na semana

Adriana Aguilar      22/10/2009

iofNos últimos sete dias, a ação da ação da BM&F Bovespa, negociada sob o código BVMF3, registrou queda de 7,4% até o dia 22 de outubro. Está entre os papéis mais prejudicados com a taxação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com alíquota de 2%, sobre a entrada de dólares em renda variável e renda fixa no Brasil. No dia do anúncio da nova taxa, em 20 de outubro, a ação ordinária BVMF3 despencou 8,41%.

Na prática, o imposto de 2% diminui as aplicações dos estrangeiros na bolsa, reduzindo a corretagem e provocando queda na receita para da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F).

Com a nova cobrança, fica mais barato para o estrangeiro comprar e vender diretamente ADRS (American Depositary Receipts) lá fora, na bolsa americana. As grandes empresas brasileiras, listadas na BM&F Bovespa, costumam emitir recibos de ações na bolsa de Nova York. São as chamadas ADRs.

Apenas grandes empresas têm condições de emitir ADRs lá fora devido aos custos e exigências. É necessário emitir balanços dentro do padrão contábil americano, o US GAAP, atender exigências de governança corporativa previstas na Lei Sarbanes-Oxley, além de aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Securities and Exchange Commission (SEC), o xerife do mercado de capitais nos Estados Unidos.

Segundo a analista da Link Investimentos, Mariana Taddeo, dentre as empresas listadas no Brasil e com ADRs lá fora, o volume negociado aqui representa 48% do total da bolsa. No entanto, há uma estimativa que do volume total (com listagem dupla), o fluxo de estrangeiros representaria aproximadamente 37%.

Desta forma, no pior dos cenários, poderia haver uma migração de 18% do volume total negociado em bolsa. “Não acredito que haverá uma migração em massa de 18%”, disse a analista durante o chat realizado em dia 21 de outubro.

A Link Investimentos, por enquanto, indica compra para BVMF3, com preço alvo de R$ 15,20 para dezembro de 2010. Em 22 de outubro, a ação foi cotada em R$ 12,75.

Mas, com a taxação do IOF, a corretora Bradesco já reduziu a recomendação para BMVF3. “Agora, temos uma expectativa de desempenho similar ao Ibovespa. Antes, nossa expectativa era de valorização em patamar superior ao índice”, consta no relatório da corretora Bradesco, divulgado no dia 21 de outubro, a ação BVMF3 apresentava preço alvo de R$ 14,60.

Para a corretora Bradesco, o fluxo de ações no Brasil deverá recuar à medida que a negociação também diminui, reduzindo a velocidade de rotação.

As operações de arbitragem serão prejudicadas com a taxação de 2% na entrada dos investimentos dos estrangeiros. No caso das operações de day trade, que geram ganho no final do dia, a liquidação é online, sem a necessidade de entrada de recursos externos e pagamento do IOF para a compra de outros papéis, a não ser que ocorram perdas.

No mercado, comenta-se sobre o artifício para o IOF deixar de ser pago. O investidor estrangeiro tem a opção de comprar as ADRS (recibos de ações) na bolsa americana e, depois, pedir o cancelamento delas. Quando ele faz isso, recebe as ações que estão custodiadas aqui no Brasil.

O estrangeiro pode vender as ações recebidas aqui e comprar outras na bolsa de São Paulo. Como o IOF só é cobrado no fechamento do contrato de câmbio na entrada de recursos, ao receber as ações custodiadas aqui, o estrangeiro estaria livre do IOF, pois, na prática, não houve entrada de recursos.

Na avaliação da equipe de análise da Link Investimentos, a taxação de 2% na entrada dos investimentos vindos de fora também é negativa para o mercado de capitais brasileiro que ainda está em desenvolvimento. O efeito da nova regra também seria a inibição do crescimento do fluxo de capital estrangeiro. Além disso, as ofertas de ações também poderão ser prejudicadas com a menor demanda de estrangeiros.

Por meio de um comunicado, a BM&F Bovespa explica que fará o possível para reverter totalmente a medida por meio de diálogo com o Governo. Caso não tenha sucesso, uma segunda idéia seria discriminar capital de curto prazo especulativo de capital de longo prazo, beneficiando estes segundos.

A bolsa acredita que não deverá haver migração massiva para a negociação de ADRS. Muitos profissionais do mercado de capitais avaliam que a taxação do IOF na entrada de capital estrangeiro é temporária e, mesmo não obtendo sucesso na tentativa de reverter a medida, no futuro, o Governo poderá novamente alterar a cobrança, como já fizera no passado.

 

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