Novas aquisições não turbinam ação da Cemig

Adriana Aguilar      16/10/2009

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Atenta às oportunidades do setor, a Cemig formalizou a intenção de comprar a Endesa, proprietária da Coelce e da Ampla Energia. Em abril passado, a Cemig já havia adquirido a empresa Terna Participações que atua na transmissão de energia e, no final do mês, ainda aumentará sua participação na Light, segundo informação publicada na coluna Radar da revista Veja, de 14 de outubro de 2009. Diante da expansão em andamento, valeria a pena aplicar na ação preferencial da Cemig (CMIG4) cotada a R$ 28,76?

O papel da Cemig é um dos que menos subiu na bolsa. Em 2009, a ação CMIG4 registrou alta de 11,83% até o dia 08 de outubro. Só está atrás da Eletrobrás que valorizou 10,08% no mesmo período (veja a tabela).

O analista técnico da Gradual, Rodolfo Cavina, recomendou a compra de ações da CMIG4 com objetivos de venda para o curto prazo (R$ 29,70) e no médio prazo (R$ 31,90). As indicações foram feitas durante chat com clientes da corretora, em 13 de outubro. Segundo Cavina, os investidores deveriam limitar o prejuízo, vendendo as ações da Cemig, caso fosse registrado fechamento inferior a R$ 26,25 nos próximos pregões da bolsa.

Com base nos fundamentos da companhia, a Cemig é bem administrada, apesar de ter controle estatal. Além de atuar nos três segmentos do setor elétrico: geração, transmissão e distribuição, a empresa está localizada na região sudeste, mais industrializada e com maior poder aquisitivo.

O setor de energia elétrica é notoriamente resistente a crises econômicas. Segundo estudos da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), com base em dados dos últimos 27 anos, o setor elétrico não acompanha o crescimento econômico quando o mesmo acelera, e nem nos momentos de redução na mesma proporção do PIB, quando este desacelera.

Só para relembrar, no final de 2008 e primeiros meses de 2009, o setor elétrico foi um dos menos atingidos por efeitos indiretos da crise financeira internacional. Em 2008, a ação CMG4 superou o Ibovespa, fechando o ano com alta de 4,90%. No segundo semestre de 2009, com a crise já reduzida, a produção das indústrias vai, aos poucos, recuperando patamares anteriores ao da crise.

Vários consumidores que vinham comprando no mercado livre voltaram a contratar energia para o longo prazo, temendo a eventual escassez de energia no futuro. Isso beneficiou várias distribuidoras que conseguiram o retorno de clientes perdidos anteriormente. O fato é favorável às geradoras, como a Cemig, com efeitos no médio e longo prazo.

Considerando que a energia da Cemig está, praticamente, vendida até 2011, aliado ao fato de ser bem administrada, alguns analistas comentam que a ação CMIG4 é um bom investimento para o longo prazo, sem grandes expectativas de ser o destaque do setor em valorização.

 

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