Ibovespa continuará em ritmo ascendente?

Adriana Aguilar      12/10/2009

bull_vs_bearMais do que nunca, o investidor brasileiro tem de ficar atento ao fluxo de entrada ou saída do dinheiro dos estrangeiros no mercado de ações. O desempenho do mais famoso índice da BM&F Bovespa, o Ibovespa, depende deste fluxo. Para quem segue a análise técnica, o índice está próximo da resistência dos 65 mil pontos. Em 9 de outubro, o Ibovespa fechou um pouco acima dos 64 mil pontos.

A evolução ascendente do Ibovespa acima dos 65 mil pontos significaria, dentro da análise técnica, um rompimento, sinalizando que a pressão compradora continua forte em relação à pressão vendedora. Ou seja, o otimismo é grande e há muito mais agentes do mercado tentando comprar do que agentes desejando vender.

O analista gráfico Rodolfo Luiz Cavina, no chat realizado para os clientes da Gradual Investimentos, no dia 8 de outubro, alertou para que os investidores ficassem de olho no índice futuro do Ibovespa, que vence dia 14. “O índice futuro somente seguirá em direção aos 65.000/66.000 pontos quando romper e fechar acima dos 63.420 pontos, encontrando resistências em 63.920/64.000 e 64.400/700 pontos. Caso ocorra uma realização, o índice encontrará suporte em 62.000 pontos e, na perda deste, abrirá espaço para recuar em direção aos 60.760 e 59.720 pontos”, disse no chat.

Outra observação feita por Cavina, ao longo do chat, refere-se aos índices Dow Jones e S&P500. “Acredito que, se lá fora, ocorrer um movimento de queda mais forte, isso poderá contaminar as bolsas mundiais e frear a nossa alta por um tempinho”, afirmou durante o chat.

É importante lembrar que, hoje, o estrangeiro é um dos principais agentes do mercado. Para se ter uma idéia, a BM&F Bovespa registrou a entrada de R$ 709,877 milhões em capital externo no dia 6 de outubro. Com isso, o acumulado no mês registra superávit de R$ 888,302 milhões, resultado de compras de R$ 9,070 bilhões e vendas de R$ 8,181 bilhões. No ano, o saldo positivo soma R$ 18,895 bilhões.

Diante dos bilhões dos estrangeiros, é bom ficar atento ao movimento deles. Segundo o relatório “HSBC Top PIcks Outubro/2009, divulgado no início de outubro, entre os riscos de baixa, apontados no relatório, estão a forte redução do fluxo de capital estrangeiro para o mercado brasileiro ou algum evento que eleve a aversão ao risco e leve os investidores a reduzirem sua exposição a mercados emergentes.

O economista Nouriel Roubini, em entrevista publicada pela BBC na sexta-feira (09/10), advertiu para a fragilidade entre o otimismo das Bolsas de Valores internacionais e a debilidade da economia real. Professor da New York University, Roubini declarou que o mundo pode estar “plantando as sementes da próxima crise”.

Na sua avaliação, a valorização dos mercados financeiros debe-se, principalmente, à liquidez gerada pelos pacotes econômicos. Como exemplo, ele destacou o avanço do principal índice da bolsa de Nova York, o índice Dow Jones, subiu cerca de 45%, a exemplo de outros indicadores financeiros. Mas os sinais revelam uma economia real ainda frágil, “Vejo uma economia na qual os consumidores chegaram ao limite de seus gastos, afundados em dívidas, precisam reduzir as despesas e poupar mais”, afirmou ele à BBC.

“Em algum ponto, no futuro, haverá uma correção que está sendo adiada pela barreira de liquidez, que tem escolhido investir em ativos financeiros, mas existe uma lacuna entre o que são os preços dos ativos e a economia real. A economia real ainda me parece muito débil, concluiu ele.”

 

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