Quem acumulou R$ 1 milhão nos últimos 12 anos?

Adriana Aguilar      02/10/2009

milhaoO investidor que, há 12 anos, aplica a quantia de R$ 945,00 em um fundo de ações, todo mês, sem interrupções, chegaria ao sonhado R$ 1 milhão neste mês, outubro.

A simulação, feita pela corretora Geração Futuro, considerou a rentabilidade do fundo de ações Geração FIA que rendeu 1.258%, de 18 de junho de 1997 até 1 de outubro de 2009.

No mesmo período, o mais famoso índice de ações da BM&F Bovespa, o Ibovespa, alcançou 395%, enquanto que o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), atrelado à taxa Selic, acumulou alta de 646%.

Os R$ 945,00 aplicados todo mês no fundo de ações somou R$ 138,91 mil no final do período de 12 anos. Foi a rentabilidade acumulada de 1.258%, ao longo dos depósitos contínuos, que permitiu alcançar o R$ 1 milhão. Em um fundo de ações atrelado ao Ibovespa, o resultado final seria R$ 427 mil. A aplicação de R$ 945,00 mensais, na caderneta de poupança, somaria R$ 220 mil em 12 anos, encerrados em 2009.

É importante lembrar que, nos últimos 12 anos, o mercado de capitais passou por diferentes crises. Para o investimento contínuo foi necessário mais do que disciplina. Foi mais um ato de coragem aliado a “sangue frio”. Em uma dúzia de anos, foram várias crises:

* julho de 1997 – início da crise asiática. Naquele período, a Tailândia desvalorizou a sua moeda. Os chamados tigres asiáticos, do sudeste da Ásia, atraiam quase a metade do investimento em países emergentes naquela época. A turbulência global teve efeitos negativos na Rússia, Estados Unidos e, no Brasil, o Ibovespa bate o pico de queda de 51,4% ao longo dos acontecimentos daquele ano. Para evitar a fuga de dólares e continuar atraindo capital externo, o Governo brasileiro aumentou, de forma acentuada, sua taxa de juro, chegando a 43% em 1998 e subindo para quase 50% ao ano em 1999. O resultado foi a redução da atividade econômica.

* abril de 2000 – início da crise na Nasdaq (bolsa americana que negocia ações na internet). O mercado de capitais brasileiro já acumulava 18 meses de notícias negativas. No primeiro semestre de 2001, o fenômeno de supervalorização das empresas pontocom e de suas ações estourou. Era o começa da crise da “bolha da internet”. A perda de dinheiro no mercado de ações eliminou pequenas empresas virtuais que davam seus primeiros passos. A Nasdaq apresentou então seu pior resultado, com ações de algumas empresas perdendo mais de 90% do valor.

* 2001, o Ibovespa oscila 63,7% para baixo . Divulgado os dados de redução no ritmo da economia norte-americana e aumento do preço do petróleo. Na seqüência, veio a primeira crise da Argentina, a segunda crise da Argentina, o problema da falta de energia do Brasil, a troca do ministro argentino Domingo Cavallo, a renúncia do presidente Fernando de la Rua na Argentina, até acontecer o atentado terrorista contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001.

*2002 a 2007, o Ibovespa deslancha – Cotado em 14.000 pontos em 2002, o mais famoso índice do Brasil bateu 73.000 pontos em 29 de maio de 2008. No período, ocorreu uma série de ofertas públicas de ações no mercado de capitais brasileiro. Com a estabilidade do Real, houve a melhora crescente dos fundamentos das empresas no País. Isso contribuiu para que crises políticas, com o “mensalão”, não afetassem a economia, sustentada por bons indicadores: saldo da balança comercial positivo, dólar estável e inflação sob controle.

*Crise financeira mundial – A partir de maio de 2008, a repercussão dos “calotes” no mercado imobiliário ganha força e o temor da crise financeira global provoca instabilidade nos mercados mundiais. No Brasil, o Ibovespa foi despencando até chegar em 29.398 pontos em 27 de outubro de 2008.

Só para ter uma idéia do susto, de 29 de maio de 2008 (pico de alta do Ibovespa naquele ano) até 27 de outubro de 2008 (pico da queda do Ibovespa naquele ano), o índice caiu 59,45%. Em outubro de 2008, pouquíssimos gestores de fundos se arriscavam a comprar alguma ação, pois permanecia a dúvida sobre a intensidade da crise no mundo e, principalmente, sobre o real tamanho da dívida no mercado imobiliário nos Estados Unidos. Não havia parâmetros de quantas instituições financeiras ainda quebrariam.

Passada a tempestade do segundo semestre de 2008, – quando os preços dos papéis ficaram inferiores ao valor de mercado da empresa – , como sempre, se saiu bem quem comprou as ações na baixa, naquele período de susto, aproveitando a alta que veio depois. De janeiro de 2009 ao início de outubro, o Ibovespa subiu 61%.

Quem é o investidor corajoso, sem medo de correr riscos, e otimista em 12 anos de história do mercado de capitais brasileiro? Quem é o investidor que fez aplicações contínuas em ações, em uma época de tantas crises, principalmente, de 1997 a 2009.

Conte sua experiência e estratégia, se você aplicou continuamente em ações nos últimos 12 anos. Envie um e-mail para: gastoconsciente@gmail.com

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