Mais títulos privados aos pequenos investidores

Adriana Aguilar      28/09/2009

BusinessmanNeste ano, um maior número de ofertas públicas de títulos privados (debêntures), no mercado primário, teve papéis no valor nominal de R$ 1 mil e R$ 10 mil reservados às pessoas físicas. Outro fato importante é que mais debêntures também foram parar em carteiras de fundos de investimentos que têm suas cotas adquiridas por pequenos investidores.

Segundo levantamento feito pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), até o dia 15 de setembro último, Telemar, Tractebel, Bradespar, Elektro, Light, CPFL, Rio Grande Energia, CCR e Coelce reservaram percentuais das emissões para pessoas físicas. Para facilitar o acesso aos pequenos investidores, o valor nominal da emissão foi de R$ 1 mil e R$ 10 mil. Para os fundos de investimentos, as empresas deslocaram percentuais que varia de 42% a 93% do volume total da emissão de papéis privados Ver tabela

“A iniciativa de reservar fatias às pessoas físicas favorece a maior procura por debêntures”, afirma o superintendente geral da Andima, Paulo Eduardo se Souza Sampaio. A pesquisa feita pela Andima é uma fotografia do momento da emissão. Pode ter ocorrido alguma alteração nas posições, caso os papéis privados tenham sido negociados no mercado secundário.

De janeiro a setembro deste ano, não houve qualquer emissão de títulos privados pelas empresas de leasings – líderes de ofertas em anos anteriores, sem nunca ter alocado qualquer percentual às pessoas físicas. Tudo o que emitiam seguia direto para os fundos dos bancos, pertencentes ao mesmo conglomerado das companhias de leasing.

Em 2009 novos segmentos de empresas ocupam o espaço deixado pelas companhias de leasing, registrando recorde do número de compra e venda de debêntures por investidores ou acionistas. São as chamadas negociações no mercado secundário. No caso das debêntures, elas podem ser adquiridas no ambiente organizado da Cetip ou no ambiente Bovespa Fix. Ambas plataformas permitem a transparência da compra e venda dos papéis privados, a preço de mercado, facilitando o acesso do investidor de varejo.

Entre janeiro e julho de 2009, as negociações definitivas realizadas com debêntures no mercado secundário na Cetip registraram volume de R$ 61,5 bilhões, 80% superior ao observado no mesmo período do ano anterior. Houve 5.747 negócios no mercado secundário no primeiro semestre de 2009, quase o dobro dos 2.902 negócios observados no primeiro semestre de 2008, segundo dados da Cetip.

No sistema Bovespa Fix, cerca de 160 títulos de empresas são negociados diariamente. O papel com o maior número de compra e vendas registradas no primeiro semestre do ano ainda é a debênture da série única da BNDESPar (código BNDP-D21), com 301 negócios no primeiro semestre de 2009.

O título BNDP-D21 resulta de um investimento do BNDES para trazer mais investidores de varejo ao mercado secundário de debêntures (ver tabela). Procurado, o banco não informou se há planos de novas tranches de títulos privados ao varejo .

Na emissão primária, o título do BNDESpar (BNDP-21), indexado ao IPC-A e com vencimento em 15 de janeiro de 2012, foi precificado a R$ 898,33 . Desde a oferta até a primeira semana de agosto, a rentabilidade acumulada bruta, sem considerar o desconto do Imposto de Renda, correspondia a 15,30% ao ano. Em 31 de julho passado, o título era cotado a R$1.150,00.

No mercado, o título privado com o maior número de negócios no primeiro semestre do ano é o da companhia Vale, sob o código CVRD27. Segundo dados da Andima, 22% das operações de compra e venda envolveram o título contra 11% no mesmo período de 2008. O título foi emitido a R$ 1 mil em 2006, facilitando o acesso do mercado de varejo.

Apesar do aumento recente observado nas negociações secundárias do ativo, Paulo Sampaio ressalta que ainda há muito a ser feito. “A relação entre o volume negociado e o estoque disponível do ativo em mercado, ainda é considerada significativamente baixa em comparação aos padrões internacionais de liquidez”, diz.

 

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