Título de capitalização prevê aplicação em ações

Adriana Aguilar      01/09/2009

trevo
Ainda prevalece o discurso de que o título de capitalização é apenas uma maneira de doutrinar a pessoa a juntar dinheiro – quando não consegue fazer isso sozinha –, estimulada pelo sorteio de prêmios. Essa história começa a mudar. A grande novidade do mercado é o titulo de capitalização que prevê aplicação de uma pequena parte do aporte em ações. A BrasilCap, com produtos ofertados no balcão de toda a rede do Banco do Brasil, foi a primeira a lançar este tipo de título. A iniciativa pioneira deve ser colocada em prática por todas as empresas do setor em questão de meses. Os concorrentes não comentam o assunto.

A redução da taxa básica de juro na economia local, associada ao menor ganho financeiro das empresas de capitalização, tem forçado a criação de produtos alternativos. “O mercado de título de capitalização tem sobrevivido com inovação e muito cuidado na comunicação. Vamos buscar diferentes perfis de públicos, desde aqueles que gostam de jogos e loterias, até investidores, sempre mantendo a graça do sorteio de prêmios dos títulos”, explica Rita Batista, presidente da Comissão de Produtos e coordenação da Federação Nacional de Capitalização (Fenacap).

Com a nova regulamentação do setor, publicada em maio de 2008, foram criadas quatro novas modalidades de títulos (tradicional, compra programada, popular e incentivo). O título de capitalização na modalidade tradicional, responsável pela fatia de 89% do mercado, tem de devolver ao consumidor 100% do dinheiro pago mensalmente, atualizado pela Taxa Referencial (TR) durante o período de vigência do título. Assim, somente o consumidor que espera o encerramento do prazo do título, tem 100% do dinheiro de volta, corrigido pela TR.

É comum os títulos de capitalização na modalidade tradicional terem pagamentos mensais, com autorização para o desconto da conta corrente da pessoa física até completar o tempo de vigência do contrato. Este prazo médio de vigência nas instituições varia de 24 a 60 meses. Mas, há títulos até 84 meses. Terminado o prazo de vigência do título, é o momento do resgate do dinheiro.

Na BrasilCap, a inovação feita no produto Ourocap Flex, pertencente à modalidade tradicional, permite, por exemplo, que de cada R$ 100,00 aportados no título de capitalização, uma pequena parte, de R$ 18,42, seja aplicada em um fundo de ações exclusivo da BrasilCap, administrado pela BBDTVM, subsidiária integral do Banco do Brasil que administra recursos de terceiros do Brasil e da América Latina.

A carteira do fundo BB Cap Ações é composta por 12 ações pagadoras de dividendos – parcela do lucros das empresas, distribuída aos acionistas. Independente da performance do fundo, o Ourocap Flex garante a devolução de 100% do valor pago ao final do plano. “A probabilidade de não receber com as ações é zero”, afirma o diretor comercial da BrasilCap, Natanael Aparecido de Castro.

A pequena quantia destinada ao fundo de ações, batizada de bônus, não é especificada em percentuais. Mas, segundo o diretor da BrasilCap, o dinheiro colocado no fundo BB Cap Ações, desde o início do OurocapFlex, de 26 de novembro de 2008 a 28 de julho de 2009, valorizou 40,98%.

Portanto, no encerramento da vigência do título de capitalização Ourocap Flex, o consumidor receberá de volta 100% do que pagou, mais a atualização da Taxa Referencial, e o chamado “bônus de renda variável”, desde que as ações mantenham o movimento de alta.

O diretor comercial da Brasilcap conta que, no ano passado, foi pleiteado à Superintendência de Seguros Privados (Susep) a constituição da categoria de renda variável para os títulos de capitalização. “Até o momento, o pleito não foi renovado, mas vamos voltar ao assunto com a Susep, pois todo o setor seria beneficiado”, diz Natanael Aparecido de Castro, também vice-presidente da Fenacap,

Para cada aporte feito pelo consumidor, cerca de 70% corresponde à cota de capitalização (reserva do cliente), outra parte é destinada à cota do sorteio (custeio dos sorteios) e o restante refere-se à cota de carregamento (para cobrir despesas de corretagem, de seguro, pecúlio e reservas de contingência).

O suposto título de capitalização, na categoria renda variável, poderia ter 30%, 40% ou 50% da cota de carregamento aplicada em ações. Os percentuais seriam flexíveis. Neste caso, o consumidor assumiria correr o risco da renda variável conforme o perfil de risco dele, explica Castro. “Pode ser que este tipo de produto tenha um destaque grande, podendo constituir uma forma de investimento”, diz Rita Batista.

Segundo a Fenacap, entidade que congrega as 12 empresas atuantes do setor, as classes C e D são as principais responsáveis pela compra de títulos de capitalização. Ainda nestas faixas, há potencial de exploração. Rita Batista conta que, há um ano e meio, uma troca de informações entre as empresas do setor, revelou que havia 24 milhões de consumidores de títulos no Brasil, correntistas das instituições. “Se considerarmos a população informal, que poderia adquirir títulos de capitalização, com depósitos inferiores a R$ 5,00 por mês, concorrendo a sorteios de prêmios, o potencial é bem maior”, diz.

 

Envie por e-mail

 

Deixe um comentário