Quebra de tradição: leasings deixam de emitir debêntures

Adriana Aguilar      28/08/2009

debentureAos poucos, novos segmentos de empresas ocupam o espaço deixado pelas empresas de leasing que, pela primeira vez, em 2009, não fizeram emissão de títulos privados, as chamadas debêntures.

Sem qualquer emissão das empresas de leasing neste ano, de janeiro a 10 agosto último, havia 12 operações de emissão de debêntures registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com empresas do setor de telefonia, holding, concessionária e, principalmente, do setor elétrico, responsável por cinco registros de emissão em julho. O volume total de emissões alcançava R$ 7,25 bilhões.

O prazo das debêntures, levando-se em conta tanto o vencimento final como a previsão de cláusulas de repactuação do ativo, alcançou, em média, 5,8 anos. Segundo levantamento da Andima, a maioria dos outros ativos distribuídos em 2009 teve prazo inferior a este, com média de 2,2 anos.

“Apesar da participação de novos setores na emissão de debêntures, o volume negociado e o estoque disponível do ativo em mercado, ainda é considerada significativamente baixa em comparação aos padrões internacionais de liquidez”, explica o superintendente geral da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), Paulo Eduardo se Souza Sampaio.

O domínio do setor de leasing nas emissões de debêntures prevaleceu por anos consecutivos. Para se ter uma idéia, no ano passado, foram captados R$ 37,46 bilhões por meio de emissão de debêntures, dos quais 83% vieram de operações das empresas de leasing.

Em 2007, o volume captado pelas empresas de leasing representou 69,42% do total de R$ 47,68 bilhões. Quase todo dinheiro teve como destino o uso para capital de giro ou alongamento do perfil de endividamento da empresa. Os demais setores da economia brasileira captaram apenas 14,58% do volume total naquele ano.

Em 2006, mais da metade, 67,21% do total de R$ 73,54 bilhões emitidos em debentures, foi captado pelas empresas de leasing, restando 32,79% para os outros setores (mineração, energia elétrica, telecomunicações, bebidas, transporte, siderurgia, petroquímica, alimentação, têxtil, construção civil, entre outros).

Historicamente, como as instituições financeiras não podem emitir debêntures, a captação ocorria por meio da companhia de leasing pertencente ao conglomerado do banco. Após a oferta pública do título privado, o banco adquiria o papel. A operação trazia recursos para a empresa de leasing e, ao mesmo tempo, permitia ao banco, com os títulos privados em carteira, oferecer o ativo como investimento aos clientes.

Um dos motivos para a redução das operações de debêntures pelas empresas de leasing seria o compulsório, fixado pelo Banco Central (BC) em fevereiro de 2008, sobre os recursos repassados pelas empresas de leasing às instituições financeiras. Com o aumento do custo da operação, as empresas de leasing partiram para outra fonte de recursos.

 

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